E não invejemos as criaturas que estão mais alto: o que pare...

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Q3654492 Português
Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo.



Sobre a tranquilidade da alma


    Há desejos nossos que não devem ser levados para muito longe de nós; permitamos-lhes, então, que saiam apenas para as proximidades, de vez que não podem ser totalmente domesticados. Abandonando aquilo que não pode acontecer, ou que só muito dificilmente poderia estar ao nosso alcance, sigamos as coisas próximas que favorecem nossa esperança. Saibamos, no entanto, que essas coisas mais junto de nós podem ser levianas, e embora tenham por fora diversas faces, por dentro são igualmente vãs.

    E não invejemos as criaturas que estão mais alto: o que parece altura é também precipício. Aqueles, pelo contrário, aos quais uma sorte iníqua conduziu a uma encruzilhada, mais seguros estarão diminuindo sua soberba nas coisas que naturalmente levam à altivez orgulhosa de si.

    Muitos, na verdade, existem imperiosamente atados às alturas, e de lá não podem descer a não ser caindo. Nada, todavia, nos livrará das flutuações da alma como o saber fixar sempre um limite às ambições, sem deixá-las ao arbítrio da fortuna, assim como deter-nos a nós mesmos diante das promessas vertiginosas. Ainda que venham a excitar a alma, ou por isso mesmo, alguns dos nossos desejos, uma vez limitados, não avançarão temerariamente às regiões do que é imenso e incerto.

    Vejam: é aos imperfeitos, medíocres e insensatos que se dirigem esses meus preceitos, não ao sábio. O sábio não precisa caminhar com timidez, pé ante pé: ele tem tanta confiança em si mesmo e em seus recursos que não hesita em sair ao encontro do seu destino. Não tem, por isso, que temê-lo; aprendeu a viver sabendo o que pertence ao rol das coisas precárias e o que, estando ao seu alcance, cumpre-lhe guardar como seu.


(Adaptado de SÊNECA. Sobre a tranquilidade da alma. Trad. José Rodrigues Seabra Filho. São Paulo: Nova Alexandria, 1994, p. 51)
E não invejemos as criaturas que estão mais alto: o que parece altura é também precipício.

Numa nova redação, a frase acima manterá sua correção e sua coerência caso se substitua o segmento sublinhado por:
Alternativas

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Assunto central: Interpretação de texto, com foco em paráfrase e coerência textual. A questão pede a substituição de um trecho por outro que mantenha o sentido original e a lógica do pensamento do autor. Aqui, a capacidade de captar as relações de sentido, inclusive as implícitas, é fundamental em concursos.

Regra e conceito aplicados: Segundo as gramáticas de referência (Bechara; Cunha & Cintra), paráfrase significa reescrever mantendo a coerência do texto, sem distorcer ideias ou criar ambiguidades. Em provas, isso exige ler e compreender a mensagem original, explicitando possíveis implícitos ao escolher ou descartar alternativas.

Justificativa da alternativa correta (D):

"a ilusão da altura leva à grande queda" conserva correção gramatical e coerência semântica. O sentido fundamental do original de Sêneca – o perigo escondido sob a aparência de elevação – está mantido: o aparente sucesso pode ser arriscadamente ilusório, porque o que parece posição vantajosa pode tornar-se causa de ruína. Linguisticamente, a alternativa preserva o núcleo da metáfora entre “altura” (êxito, posição elevada) e “precipício” (risco, desgraça), como orienta Pasquale Cipro Neto ao explicar a necessidade de respeitar sentidos explícitos e implícitos nas trocas de frases.

Análise das alternativas incorretas:

  • A) Modifica o referente da ilusão: sugere que o próprio precipício engana, o que desfoca a relação de aparência perigosa que a altura evoca no texto original. Não mantém a lógica.
  • B) A frase se mostra incoerente e sem paralelismo de sentido com a assertiva de origem. Torna a relação entre “alto” e “queda” confusa, perdendo o valor metafórico.
  • C) Desvia-se totalmente: sugere ação (precipitar-se), não a condição de ilusão perigosa da altura.
  • E) Torna-se genérica e não remete à lógica de perigo por trás da ilusão de altura, além de se afastar do foco posto por Sêneca.

Estratégia de prova: Em questões assim, releia atentamente o trecho original, identifique a metáfora central e verifique se as alternativas retomam (ou deformam) essa ideia. Fuja de opções que mudam sujeito, foco ou criam sentidos não presentes no texto-base. Isso evitará erros contra pegadinhas clássicas.

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Comentários

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Letra D

Quando Sêneca diz para "não invejar" quem está no alto, isso nos leva a ver o lado negativo, ao comparar a altura com um precipício.

Seja forte e corajoso!

o que parece altura (ilusão) é também precipício (desgraça)

祝你好運

Está parecendo a FGV.

o que matei foi "parece altura" = ilusão

Frase forte, tá?!

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