É gramaticalmente regular a substituição proposta para o ele...

Próximas questões
Com base no mesmo assunto
Q3654489 Português
Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo.


Escolha ética do sujeito


    Afirma o psiquiatra e terapeuta suíço Carl Gustav Jung, em seu livro Memórias, sonhos e reflexões: "Quando se toca no mal, corre-se o risco iminente de se sucumbir a ele. O homem, de um modo geral, não deve sucumbir nem mesmo ao bem. Um pretenso bem ao qual se sucumbe perde seu caráter moral, não porque tenha se tornado um mal em si, mas porque simplesmente se sucumbiu a ele."

    Nessa passagem Jung faz compreender a condicionante decisiva desse especial e mais grave "sucumbir" que nos vitima: nossa submissão sem volta a um campo de julgamento em que os valores já estão firmados e cristalizados em polarizações mecânicas.

    Para Jung, o bem e o mal "constituem, juntamente, um todo paradoxal". E continua: "o indivíduo [...] procura ansiosamente as regras e as leis exteriores às quais possa ater-se cegamente nos momentos de perplexidade". E lembra ele que é comum atribuir a essas regras e leis exteriores a qualificação definitiva de "fatos", antes mesmo de qualquer busca de comprovação.

    Pode parecer-nos oportuno abandonar, por exemplo, a complexidade dos desafios do nosso tempo para nos submetermos à ideologia mais confortável e simplificadora, à qual passamos a nos agarrar sem sombra de reflexão mais séria. Escolhemos aquilo que nos parece mais natural, mais fácil. No entanto, antes de julgar o valor da específica escolha adotada no cardápio vicioso de valores já assentados, Jung considera, assim, o malefício fundamental do nosso acatamento irrefletido de uma escolha que, a rigor, sequer chegamos a escolher.


(Silvério Tárrega, a editar)

É gramaticalmente regular a substituição proposta para o elemento sublinhado na frase: 
Alternativas

Comentários

Veja os comentários dos nossos alunos

item correto: B

PROFESSOR DO TEC

a) à qual passamos a nos agarrar = mediante a qual

Incorreto. No contexto, "agarrar" tem o sentido de prender-se, atar-se, afeiçoar-se e rege a preposição "a" (quem se agarra, agarra-se a alguma coisa). O verbo NÃO rege a preposição "mediante". Logo, a reescrita não é possível.

b) Um pretenso bem ao qual se sucumbe perde seu caráter moral = pelo qual se é deixado levar.

Correto. "Sucumbir" tem o sentido de ceder, render-se, submeter-se, ser dominado, abater-se; logo, é perfeitamente possível trocar por "deixar-se levar" (= pelo qual se é deixado levar). A correção gramatical seria preservada. Veja a reescrita:

Original: "Um pretenso bem ao qual se sucumbe..."

Reescrita: "Um pretenso bem pelo qual se é deixado levar..."

c) (...) desse especial e mais grave "sucumbir" que nos vítima = de cujo somos vítimas.

Incorreto. A reescrita acerta no uso da preposição "de" (quem é vítima, é vítima de alguém, de alguma coisa); porém, há um erro no uso do pronome relativo "cujo": ele e suas variantes (cuja, cujas, cujos) devem ter, sempre, um antecedente (esse é o referente), um consequente (com o qual o pronome "cujo" e suas variantes devem concordar em gênero e número) e o sentido possessivo. Veja a reescrita proposta pela banca:

"(...) desse especial e mais grave 'sucumbir' de cujo somos vítimas."

Perceba que o pronome "cujo" não possui nem o antecedente, nem o referente, nem o valor possessivo, justamente porque falta antecedente e o consequente; logo, seu uso está indevido.

d) leis exteriores às quais possa ater-se = das quais possa fixar-se.

Incorreto. O verbo "fixar-se" é transitivo indireto e rege a preposição "em", e não "de". Portanto, a reescrita correta seria: "nas quais (em + as quais) possa fixar-se". A estrutura "nas quais" indica a contração da preposição "em" regida pelo verbo "fixar-se" com o pronome relativo "as quais": em + quais = nas quais.

e) é comum atribuir a essas regras = delegar nessas.

Incorreto. Quase sempre o verbo "delegar" é transitivo direto e indireto, regendo, nas esmagadora maioria das vezes, a preposição "a"; com menos recorrência, é transitivo direto (nesse caso, por óbvio, não rege preposição alguma). Contudo, no contexto acima, o verbo "delegar" foi utilizado como se fosse transitivo indireto e regendo a preposição "em" (nessas = em + essas). Portanto, a reescrita não está gramaticalmente adequada.

Clique para visualizar este comentário

Visualize os comentários desta questão clicando no botão abaixo