Em relação ao ensino de Língua Portuguesa, a concepção inte...
Texto 1
“Desensinando o amor aos livros
Quer ensinar o jovem a odiar literatura? Dê-lhe, como dever, fazer fichamento de obras clássicas. A tarefa de fichar o livro desvia o aluno do único objetivo da leitura que é o prazer. Eu estava em processo de mudança. Numa sala, uma montanha de livros. Um dos carregadores olhou assombrado para os livros. Era certo que nunca havia visto tantos. E comentou: “Como deve ser difícil decorar todos esses livros…”. Aquele carregador dizia em linguagem direta o que está dito na tarefa de fichar: ler é uma tarefa penosa. Em vez do fichamento, peça que o aluno fale sobre as ideias dele, aluno, que aquele livro o fez pensar. Para que fazer um resumo do livro se o livro inteiro já está escrito? Pavlov, cientista russo, mostrou que é possível fazer um cão salivar pelo simples toque de uma campainha. Sua lição se aplica à pedagogia. Os fichamentos, repetidos várias vezes, criam no aluno o reflexo condicionado de repulsão pelo livro.”
ALVES, Rubem, Ostra feliz não faz pérola, ed. Planeta, 5ª impressão, 2008, São Paulo, p. 117.
Texto 2
“Estudar é, realmente, um trabalho difícil. Exige de quem o faz uma postura crítica, sistemática. Exige uma disciplina intelectual que não se ganha a não ser praticando-a.
Isto é, precisamente, o que a ‘educação bancária’ não estimula. Pelo contrário, sua tônica reside fundamentalmente em matar nos educandos a curiosidade, o espírito investigador, a criatividade. Sua ‘disciplina’ é a disciplina para a ingenuidade em face do texto, não para a indispensável criticidade.”
FREIRE, Paulo, Ação cultural para a liberdade e outros escritos, ed. Paz & Terra, Rio de Janeiro e São Paulo, 5ª edição, págs. 9 e 10.
Em relação ao ensino de Língua Portuguesa, a concepção interacionista de linguagem, na qual a língua é prática social, instrumento de interação e de construção de sentidos, há de se valorizar a produção de textos reais, com variação linguística e adequação comunicativa.
Em vista disso, abaixo está descrito um caso prático:
Um auxiliar de pedreiro, estudante do EJA, deseja levar para a sala de aula sua experiência linguística adquirida no canteiro de obras.
De acordo com uma perspectiva interdisciplinar e sem preconceito linguístico, qual seria a melhor forma de o professor de Língua Portuguesa aproveitar essa experiência?