Analisando a estrutura e composição do TEXTO III - Ouvir est...
Leia os textos I, II e III para responder as questões de 1 a 6:
TEXTO I - "Eu, que desde os dez anos de idade faço versos; eu, que tantas vezes sentira a poesia passar em mim como uma corrente elétrica e afluir aos meus olhos sob a forma de misteriosas lágrimas de alegria: não soube no momento forjar já não digo uma definição racional dessas que, segundo regra a lógica, devem convir a todo o definido e só ao definido, mas uma definição puramente empírica, artística, literária”.
Manuel Bandeira
TEXTO II -
Memória
Amar o perdido
deixa confundido
este coração.
Nada pode o olvido
contra o sem sentido
apelo do Não.
As coisas tangíveis
tornam-se insensíveis
à palma da mão
Mas as coisas findas
muito mais que lindas,
essas ficarão.
Carlos Drummond de Andrade
TEXTO III -
Ouvir estrelas
"Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso!" E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto...
E conversamos toda a noite, enquanto
A via láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.
Direis agora: "Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?"
E eu vos direi: "Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas."
Olavo Bilac
Analisando a estrutura e composição do TEXTO III - Ouvir estrelas de Olavo Bilac, é CORRETO afirmar que:
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Assunto central: A questão exige identificar a estrutura do soneto e o esquema de rimas, analisando se o poema “Ouvir estrelas”, de Olavo Bilac (Texto III), atende às características formais do gênero.
O soneto é uma forma fixa clássica da poesia, com dois quartetos (estrofes de 4 versos) e dois tercetos (estrofes de 3 versos), totalizando 14 versos. Tradicionalmente, cada verso é decassílabo (10 sílabas poéticas) e as rimas dos quartetos geralmente são alternadas (a b a b), enquanto, nos tercetos, predominam as rimas mistas (c d c / e d e), conforme destacado por Massaud Moisés e Evanildo Bechara em suas obras.
Justificativa da alternativa A (correta):
A alternativa A está correta porque:
- O poema apresenta 2 quartetos e 2 tercetos, respeitando a estrutura do soneto.
- No primeiro quarteto, as rimas são alternadas (a b a b), e os versos têm 10 sílabas poéticas (decassílabos).
- No segundo quarteto, há alternância de rimas (b a b a), mantendo os versos decassílabos.
- Nos tercetos, aparecem rimas mistas (c d c) e (e d e), ambos compostos por versos decassílabos.
Essa análise segue a norma culta e a tradição formal do soneto clássico, sendo aspecto recorrente e valorizado em provas de concursos para diferenciar conhecimento técnico sobre gêneros literários.
Análise das alternativas incorretas:
B e C: Os esquemas de rima inicial destas alternativas estão invertidos (“b a b a” no primeiro quarteto, quando o correto é “a b a b” no texto analisado). A alternativa C ainda traz erro ao mencionar versos dodecassílabos (12 sílabas), enquanto o padrão clássico é decassílabo. Isso configuram erros técnicos de forma e métrica (Gramática de Bechara).
D: É uma “pegadinha” típica: “Nenhuma das alternativas”. Serve para testar se o candidato de fato domina a estrutura formal do gênero.
Estratégias para não errar:
Fique atento ao verbo de comando (“é correto afirmar que”) e termos categóricos sobre estrutura e métrica. Associe sempre com conhecimento prévio e leitura atenta do poema.
Resumo da regra: O soneto tradicional, na norma culta, tem dois quartetos e dois tercetos, com versos decassílabos e esquemas de rima alternada e mista (Bechara; Massaud Moisés).
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