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Q3954380 Medicina
Menina de 3 anos, previamente hígida, apresenta três episódios de pielonefrite febril confirmada por cultura no último ano. Ecografia pós-infecção foi normal. Os pais relatam constipação intestinal, evacuações infrequentes, escapes urinários ocasionais e padrão miccional com intervalos prolongados. A investigação mostra refluxo vesicoureteral bilateral grau II.

Qual é a conduta inicial mais adequada nesse contexto clínico?
Alternativas

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Gabarito: C

Fundamento decisivo: A presença de bladder/bowel dysfunction (BBD) é o dado que muda a conduta: em criança >1 ano com refluxo vesicoureteral (RVU), constipação, escapes urinários e micções infrequentes exigem tratamento inicial da disfunção vesical e intestinal, preferencialmente antes de qualquer intervenção cirúrgica; nesse contexto, a AUA também recomenda profilaxia antibiótica contínua enquanto a BBD estiver presente e em tratamento.

Tema central: RVU com BBD
Análise das alternativas
A
Errada
Incorreta porque transforma a profilaxia antibiótica em obrigação universal por pelo menos 2 anos, o que não está na base. No caso, a BBD é o fator decisivo e deve ser tratada inicialmente. A profilaxia pode compor o manejo em criança com RVU e BBD, mas não é apresentada na base como um esquema fixo e isolado que substitua a correção da disfunção.
B
Errada
Incorreta porque RVU grau II bilateral, isoladamente, não indica correção cirúrgica inicial. A base afirma que, na presença de BBD, o tratamento da disfunção vesical e intestinal deve preceder eventual intervenção cirúrgica. Portanto, operar de saída por causa do grau II bilateral superestima o refluxo e ignora o fator funcional central do caso.
C
Certa
A alternativa C é a correta porque identifica a BBD como o problema central do caso e propõe a conduta inicial adequada: uroterapia, hidratação, manejo intestinal e micções programadas. Isso é especialmente relevante em uma criança com RVU grau II bilateral e pielonefrite febril recorrente, pois a disfunção vesical e intestinal aumenta o risco de ITU e piora a evolução do refluxo. Pela base/diretriz citada, o tratamento da BBD deve ser priorizado antes de qualquer cirurgia; além disso, a profilaxia antibiótica pode ser associada no contexto descrito, mas não substitui esse manejo prioritário.
D
Errada
Incorreta porque o DMSA não define sozinho a indicação cirúrgica em RVU grau II. A cintilografia pode avaliar dano cortical/cicatriz em situações selecionadas, mas a presença de cicatriz não impõe, por si só, correção operatória mandatória. A decisão continua dependente do contexto clínico e do manejo da BBD.
E
Errada
Incorreta porque probióticos e cranberry não têm evidência robusta para serem considerados profilaxia primária equivalente à antibioticoterapia em ITU pediátrica recorrente associada a RVU/BBD. Além disso, não tratam o problema central do caso, que é a disfunção vesical e intestinal.
Pegadinha da questão
A banca tenta levar o candidato a decidir pelo grau do RVU e pela recorrência de pielonefrite, mas o achado que realmente muda a conduta inicial é a BBD explicitamente descrita no enunciado.
Dica para questões semelhantes
  • Em criança com RVU, procure sinais de BBD; constipação, adiamento miccional e escapes mudam a prioridade terapêutica.
  • RVU grau II, mesmo bilateral, não gera indicação cirúrgica automática.
  • Profilaxia antibiótica pode fazer parte do manejo, mas não substitui o tratamento da BBD.
  • DMSA pode ajudar na avaliação de dano renal, mas não deve ser usado como gatilho automático para cirurgia em baixo grau de RVU.

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