Homem de 45 anos, previamente hígido, apresenta jato urinár...

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Q3954368 Medicina
Homem de 45 anos, previamente hígido, apresenta jato urinário fraco, hesitação miccional, interrupção do fluxo e sensação de esvaziamento incompleto há aproximadamente 18 meses. Exames laboratoriais são normais. A ultrassonografia evidencia próstata de pequeno volume, sem alterações estruturais relevantes e com resíduo pós-miccional baixo. A fluxometria mostra padrão interrompido, com fluxo máximo reduzido. A investigação excluiu estenose uretral e outras causas obstrutivas anatômicas. O paciente refere piora dos sintomas em situações de estresse e relata contração voluntária da musculatura perineal durante a micção. Diante desse quadro, a conduta inicial mais apropriada é
Alternativas

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Gabarito: E

Fundamento decisivo: O quadro é compatível com disfunção miccional funcional por falha de relaxamento do assoalho pélvico/esfíncter externo: próstata pequena, baixo resíduo pós-miccional, exclusão de obstrução anatômica e relato de contração perineal durante a micção afastam obstrução prostática relevante e sustentam a conduta inicial conservadora com fisioterapia do assoalho pélvico, treino de coordenação miccional e relaxamento.

Tema central: Disfunção miccional funcional
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque o enunciado não sustenta obstrução prostática relevante como mecanismo principal. Próstata pequena, sem alterações estruturais relevantes, e exclusão de outras causas anatômicas deslocam o raciocínio para disfunção funcional. Além disso, a afirmação de que alfabloqueador é sempre primeira linha para sintomas de esvaziamento é incompatível com a base: ele não corrige a contração inadequada do assoalho pélvico durante a micção.
B
Errada
Está errada porque urodinâmica não é obrigatória em qualquer caso de disfunção miccional antes de qualquer intervenção. Neste cenário, já há elementos suficientes para iniciar manejo conservador direcionado. O exame fica reservado para dúvida diagnóstica persistente, falha terapêutica, casos complexos ou quando o resultado modificar conduta invasiva. Além disso, o baixo resíduo enfraquece a hipótese principal de detrusor hipoativo clinicamente relevante.
C
Errada
Está errada porque procedimento cirúrgico para melhorar fluxo exige substrato anatômico obstrutivo tratável, o que foi afastado pela investigação. Próstata pequena, ausência de alteração estrutural relevante, exclusão de estenose uretral e baixo resíduo não justificam conduta desobstrutiva invasiva. Indicar cirurgia aqui seria inadequado porque o problema descrito é funcional, não anatômico fixo.
D
Errada
Está errada porque anticolinérgico é voltado para sintomas de armazenamento ligados à hiperatividade vesical, não para um quadro dominado por sintomas de esvaziamento com evidência de contração perineal durante a micção. O fenótipo clínico e a fisiopatologia descritos apontam para falha de relaxamento do assoalho pélvico, e não para hiperatividade detrusora oculta. Nesse contexto, essa medicação pode inclusive piorar o esvaziamento.
E
Certa
A alternativa E trata diretamente o mecanismo sugerido pelo quadro: contração inadequada da musculatura perineal/assoalho pélvico durante a micção, gerando obstrução funcional dinâmica e fluxo interrompido. Como não há causa anatômica obstrutiva demonstrada nem retenção importante, a abordagem inicial deve ser conservadora e reabilitadora, com treino de coordenação miccional, relaxamento e eventual biofeedback.
Pegadinha da questão
A banca explora a associação automática entre jato fraco em homem e obstrução prostática. O dado que desfaz essa leitura é a combinação de próstata pequena, baixo resíduo, exclusão de causa anatômica e contração perineal durante a micção, que aponta para distúrbio funcional coordenativo.
Dica para questões semelhantes
  • Antes de atribuir sintomas de esvaziamento à próstata, confronte com volume prostático, resíduo pós-miccional e exclusão de obstrução anatômica.
  • Qmax reduzido e fluxo interrompido não fecham obstrução anatômica sozinhos; interprete a fluxometria junto com a semiologia e o restante da investigação.
  • Contração do períneo durante a micção e piora com estresse favorecem falha de relaxamento do assoalho pélvico em paciente neurologicamente hígido.
  • Em distúrbio funcional sem retenção importante nem causa anatômica demonstrada, a primeira conduta é conservadora e reabilitadora, não cirúrgica nem obrigatoriamente urodinâmica.

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