Em relação ao diagnóstico e manejo clínicocirúrgico de massa...

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Q3954363 Medicina
Em relação ao diagnóstico e manejo clínicocirúrgico de massas adrenais em adultos, assinale a alternativa correta de acordo com as recomendações atuais. 
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: B

Fundamento decisivo: Pela diretriz ESE/ENSAT 2023, a TC sem contraste é o exame inicial para incidentaloma adrenal; massa homogênea com <=10 HU, sem contexto de neoplasia extra-adrenal, é considerada benigna por imagem e não requer nova imagem de seguimento, embora a avaliação hormonal inicial permaneça indicada.

Tema central: Incidentaloma adrenal
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque propõe adrenalectomia profilática para toda massa >=1 cm em pacientes com menos de 60 anos, mesmo quando a imagem já define padrão benigno. Lesão homogênea com <=10 HU na TC sem contraste é compatível com adenoma benigno e não tem indicação cirúrgica apenas por tamanho mínimo ou pela idade. A decisão cirúrgica depende de funcionalidade hormonal, suspeita de malignidade, crescimento, heterogeneidade e contexto clínico.
B
Certa
A alternativa B acerta o ponto decisivo do algoritmo atual: homogeneidade associada a <=10 HU na TC sem contraste define padrão típico de adenoma rico em lipídios, portanto benigno na avaliação por imagem. Nesse cenário, não há indicação de nova imagem de seguimento. Ao mesmo tempo, a alternativa preserva a necessidade de avaliação hormonal inicial, porque benignidade radiológica não exclui secreção autônoma clinicamente relevante. O trecho sobre ausência de neoplasia extra-adrenal também é importante, pois reduz a hipótese de metástase. Embora a diretriz de 2023 tenha retirado o tamanho <4 cm como requisito para dispensar seguimento por imagem, isso não invalida a essência da alternativa, que permanece alinhada ao gabarito oficial.
C
Errada
Está errada porque inverte o exame-chave da avaliação inicial. A TC sem contraste é o método inicial recomendado justamente porque permite medir HU e avaliar homogeneidade, critérios centrais para identificar adenoma benigno rico em lipídios. Dizer que o valor em HU não é útil contraria o fundamento radiológico decisivo da questão. TC contrastada em fase portal sem a fase sem contraste não substitui essa etapa.
D
Errada
Está errada porque a biópsia percutânea não é exame rotineiro para diferenciar adenoma de carcinoma adrenocortical. Além de não resolver de forma confiável esse diferencial, ela só deve ser considerada em situações muito selecionadas, após excluir feocromocitoma e quando o resultado tiver potencial real de mudar a conduta. Portanto, usá-la de rotina antes de qualquer decisão cirúrgica contraria a diretriz aplicada ao caso.
E
Errada
Está errada porque suspeita de feocromocitoma contraindica a punção percutânea no algoritmo diagnóstico inicial. O problema é o risco de descarga catecolaminérgica com instabilidade hemodinâmica, razão pela qual o feocromocitoma deve ser excluído bioquimicamente antes de qualquer consideração de biópsia. A alternativa erra ao apresentar a biópsia como segura por monitorização e preparo alfa-bloqueador.
Pegadinha da questão
A banca explora duas confusões reais: achar que imagem benigna dispensa avaliação hormonal inicial e tratar biópsia como exame rotineiro da massa adrenal, inclusive em suspeita de feocromocitoma.
Dica para questões semelhantes
  • Na massa adrenal, pense primeiro em TC sem contraste: homogeneidade + <=10 HU é o critério radiológico que mais pesa para benignidade inicial.
  • Imagem com padrão benigno não encerra a investigação: ainda é necessária avaliação hormonal inicial.
  • Não use tamanho isoladamente para indicar cirurgia quando a lesão já tem padrão benigno na TC sem contraste.
  • Biópsia adrenal não é rotina e deve ser descartada especialmente se houver suspeita de feocromocitoma.

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