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Ano: 2026
Banca:
ISET
Órgão:
Prefeitura de Anguera - BA
Provas:
ISET - 2026 - Prefeitura de Anguera - BA - Assistente Social
|
ISET - 2026 - Prefeitura de Anguera - BA - Educador Físico |
ISET - 2026 - Prefeitura de Anguera - BA - Enfermeiro |
ISET - 2026 - Prefeitura de Anguera - BA - Nutricionista |
ISET - 2026 - Prefeitura de Anguera - BA - Farmacêutico |
ISET - 2026 - Prefeitura de Anguera - BA - Fisioterapeuta |
ISET - 2026 - Prefeitura de Anguera - BA - Médico Clínico |
ISET - 2026 - Prefeitura de Anguera - BA - Odontólogo |
ISET - 2026 - Prefeitura de Anguera - BA - Psicólogo |
ISET - 2026 - Prefeitura de Anguera - BA - Supervisor do Criança Feliz |
ISET - 2026 - Prefeitura de Anguera - BA - Professor de Artes |
ISET - 2026 - Prefeitura de Anguera - BA - Professor de Ciências Biológicas |
ISET - 2026 - Prefeitura de Anguera - BA - Professor de Educação de Jovens e Adultos |
ISET - 2026 - Prefeitura de Anguera - BA - Professor de Educação Física |
ISET - 2026 - Prefeitura de Anguera - BA - Professor de Educação Infantil - Anos Iniciais do Ensino Fundamental |
ISET - 2026 - Prefeitura de Anguera - BA - Professor de Geografia |
ISET - 2026 - Prefeitura de Anguera - BA - Professor de História |
ISET - 2026 - Prefeitura de Anguera - BA - Professor de Língua Inglesa |
ISET - 2026 - Prefeitura de Anguera - BA - Professor de Língua Portuguesa |
ISET - 2026 - Prefeitura de Anguera - BA - Professor de Matemática |
Q4328339
Não definido
Texto associado
TEXTO I
O retorno do limite
A queda de Maduro restabelece uma verdade elementar da
política internacional que o mundo tentou esquecer: ordem não
nasce do consenso; nasce da capacidade de impor limites
quando o consenso fracassa
Ana Paula Henkel
09 jan 2026
Em dezembro de 1989, sob a presidência de G. W. Bush,
tropas americanas cruzaram o Panamá para capturar Manuel
Noriega, um ditador transformado em narcotraficante de
Estado. Em maio de 2011, já sob Barack Obama, forças
especiais dos Estados Unidos entraram em território
paquistanês para eliminar Osama bin Laden, o homem mais
procurado do mundo.
Agora, em janeiro de 2026, a captura de Nicolás Maduro
recoloca esse mesmo fio histórico em movimento. Não se trata
apenas da queda de um ditador latino-americano, mas do
retorno explícito de uma lógica de poder que havia sido
suspensa, terceirizada ou disfarçada por décadas: a soberania
real exige capacidade de agir – e disposição para fazê-lo. Três
presidentes, três operações cirúrgicas, três decisões tomadas
sem consulta prévia ao Congresso – e apenas uma delas
passou a ser tratada como escândalo institucional. A operação
que levou Maduro sob custódia americana não inaugura uma
era. Ela encerra um intervalo.
A imprensa que hoje se apressa em questionar a legalidade
da ação esquece – ou prefere esquecer – um detalhe essencial:
o precedente existe. Ele não é obscuro nem controverso. Ele é
histórico. Alguns analistas de ocasião decidiram redescobrir a
Constituição americana justamente agora, questionando a
ausência de consulta prévia ao Congresso como se isso fosse
um ato inédito. Não é.
Noriega e Bin Laden foram capturados ou eliminados sem
autorização legislativa prévia. Em nenhum dos dois casos, os
Estados Unidos enfrentaram uma crise institucional, nem a
Casa Branca foi acusada de “golpismo institucional”. Ao
contrário: as ações foram entendidas como exercício legítimo
do poder executivo em defesa da segurança nacional.
Obama autorizou a operação contra Bin Laden sem consulta
prévia e foi amplamente elogiado por isso. A legalidade não foi
questionada, a legitimidade menos ainda. O que mudou não foi
o procedimento. Foi o presidente. [...] O debate atual não é
jurídico. É político. E, mais profundamente, estético. Trump não
se encaixa no imaginário moral da imprensa progressista. Logo,
seus atos, ainda que idênticos aos de seus antecessores,
passam a ser tratados como ameaça institucional. Essa
inversão revela mais sobre quem acusa do que sobre quem
decide.
Nicolás Maduro não era apenas um ditador autoritário à frente
de um estado falido. Ele comandava um regime integrado ao
narcotráfico internacional, sustentado por redes transnacionais
de crime, com proteção ativa de potências adversárias dos
Estados Unidos. A Venezuela havia se tornado um nó
estratégico em uma teia que ligava o Caribe ao Oriente Médio,
passando por Havana, Teerã, Moscou e Pequim. Ignorar isso é
fingir que o mundo de 2026 ainda é o de 1996. [...]
A Doutrina Monroe (1823)
Proclamada em 1823 pelo presidente James Monroe, a
Doutrina Monroe estabeleceu um princípio simples e
duradouro: o Hemisfério Ocidental não estaria mais aberto à
colonização ou interferência de potências europeias. Em troca,
os Estados Unidos se comprometeriam a não intervir nos
assuntos internos do Velho Mundo. Não era um gesto imperial,
mas defensivo. A jovem república americana afirmava que sua
segurança dependia da estabilidade estratégica de seu entorno
imediato – uma noção elementar de soberania em um sistema
internacional ainda regido pela força.
Ao longo dos séculos, a doutrina foi reinterpretada, expandida
e, por vezes, instrumentalizada, mas seu núcleo permaneceu
intacto: nenhuma grande potência tolera a consolidação de
adversários estratégicos em sua vizinhança direta. O que muda
não é o princípio, mas o método. Em 2026, a captura de Nicolás
Maduro não revive a Doutrina Monroe em sua forma original;
ela reafirma sua lógica essencial em um mundo multipolar, no
qual a disputa não se dá mais por colônias formais, mas por
infraestrutura crítica, influência política e controle indireto de
Estados falidos. [...]
A captura de Maduro não representa assim uma reedição
caricata da Doutrina Monroe do século 19. Representa algo
mais direto: o reconhecimento de que nenhuma potência pode
permitir que seu entorno estratégico imediato se transforme em
base avançada de adversários globais. Não se trata de
imperialismo. Trata-se de geopolítica elementar.
China, Rússia e Irã avançaram na América Latina porque
puderam. Avançaram porque encontraram vácuos. Avançaram
porque, durante anos, os Estados Unidos hesitaram, recuaram
ou se limitaram a sanções simbólicas. A Venezuela foi o
laboratório mais avançado desse processo. A operação que
capturou Maduro é, nesse sentido, um freio de arrumação –
tardio, mas inequívoco. [...]
A América Latina: antes e depois
Antes da captura de Maduro, a América Latina vivia uma
fragmentação silenciosa. Governos ideologicamente alinhados
a regimes autoritários conviviam com democracias frágeis,
enquanto a influência chinesa crescia de forma constante,
pouco contestada.
Depois da operação, o cenário mudou. Não porque todos
passaram a apoiar Washigton – não passaram –,mas porque a
ilusão de que os Estados Unidos haviam abdicado do
hemisfério caiu por terra. A região voltou a ser estratégica. E
isso, por si só, já altera comportamentos, discursos e alianças.
[...]
Na Europa, a reação foi previsível: preocupação formal,
condenações retóricas, apelos à legalidade internacional. O
continente, cada vez mais dependente da proteção americana,
vive o paradoxo de criticar aquilo que o sustenta. Na Ásia, o
recado foi entendido com mais clareza. Precedentes importam.
A ideia de que líderes ou estruturas fora do território americano
estão automaticamente protegidos por formalismos jurídicos foi
relativizada.
O mundo entrou, definitivamente, em uma fase pós-ilusória. A
crença de que normas sobreviveriam sem um poder que as
apoiasse mostrou-se insustentável. Por tempo demais, o
Ocidente confundiu prudência com paralisia, diálogo com
abdicação e legalismo com fraqueza. Ao fazê-lo, abriu espaço
para regimes que não compartilham seus valores, mas que se
beneficiam de suas hesitações. A captura de Maduro marca o
momento em que essa ambiguidade estratégica começa a se
fechar. Não por nostalgia de um passado imperial, mas por
reconhecimento de que a liberdade não se sustenta sozinha –
ela exige guardiões dispostos a agir.
O mundo que emerge após janeiro de 2026 é menos
confortável para ditadores, menos previsível para burocracias
internacionais e mais exigente para aliados hesitantes. É um
mundo em que a aposta na erosão lenta das democracias
passa a ter custo real; em que a simetria moral entre regimes
livres e regimes autoritários se torna insustentável; e em que o
Hemisfério Ocidental volta a ser entendido não como zona
neutra, mas como espaço civilizacional.
A História não voltou por nostalgia. Voltou porque foi
chamada, voltou por omissão, por excesso de tolerância, por
esquecimento das lições mais básicas do poder. E, desta vez,
ela bateu à porta com força suficiente para ser ouvida de leste
a oeste.
Fonte: HENKEL, Ana Paula. O retorno do limite. https://revistaoeste.com/revista/edicao-304/oretorno-do-limite/
A partir das regras da gramática normativa da Língua
Portuguesa, analise as proposições abaixo e assinale a
alternativa correta.