“Em frágil prancha sobre mar de horrores, Porque meu seio ...

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Q3874529 Português
LEIA os versos pertencentes ao poema “Tristeza” de Fagundes Varela (1841-1875) – Importante representante da última fase do Romantismo; e responda às questões seguintes.

[...]
Amo do nauta o doloroso grito
Em frágil prancha sobre mar de horrores,
Porque meu seio de tornou de pedra,
Porque minha’alma descorou de dores.
[...]  

“Em frágil prancha sobre mar de horrores, Porque meu seio de tornou de pedra, Porque minha’alma descorou de dores”

Sabendo que os vocábulos destacados nos versos possuem formas distintas de emprego (POR QUE; PORQUE; POR QUÊ; PORQUÊ), das frases a seguir, o emprego desse vocábulo deve ocorrer pelo mesmo motivo do emprego nos versos, preenchendo a lacuna, sem infringir a norma culta em:
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: B

Fundamento decisivo: Nos versos “Porque meu seio de tornou de pedra, / Porque minha’alma descorou de dores.”, “porque” introduz causa/explicação e funciona como conjunção subordinativa causal; por isso, a alternativa correta é a que repete esse mesmo emprego e a mesma grafia normativa.

Tema central: Emprego de porque
Análise das alternativas
A
Errada
A lacuna não pede conjunção causal, mas a forma interrogativa indireta “por que”, com sentido de “por qual motivo não participaram do evento corporativo”. O erro da alternativa está em não reproduzir o mesmo valor morfológico e sintático dos versos, nos quais “porque” não pergunta: explica.
B
Certa
Em B, a segunda oração apresenta a causa da primeira: “Tudo acontece porque permitimos tais ações, sem questionamentos.” Nesse caso, o vocábulo liga duas orações e introduz explicação causal, exatamente como nos versos do poema. Por isso, a grafia normativa é “porque”, e o emprego repete o mesmo motivo de uso cobrado no enunciado.
C
Errada
Aqui o valor é interrogativo e, em final de frase, a forma normativa é “por quê”. Além disso, esse uso não coincide com o dos versos, em que o vocábulo não aparece em pergunta nem em posição final, mas como conjunção causal/explicativa.
D
Errada
Após o artigo indefinido “um”, a forma exigida é o substantivo “porquê”: “Tenho um porquê de estar com esse sentimento.” O problema é que, nos versos, o vocábulo destacado não é substantivo; ele funciona como conjunção que introduz causa. Portanto, a função gramatical é diferente.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre ideia geral de motivo/causa e função gramatical efetiva da forma. A resposta não depende de qualquer palavra ligada a “motivo”, mas da mesma função dos versos: “porque” como conjunção causal.
Dica para questões semelhantes
  • Primeiro identifique a função da forma no texto: pergunta, conjunção ou substantivo.
  • Se o termo introduz causa ou explicação entre orações, a forma é “porque”.
  • Se houver ideia de pergunta indireta, a forma tende a ser “por que”.
  • Se vier antecedido de determinante, como “um”, a forma tende a ser “porquê”.

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