A enfermeira, durante o atendimento inicial a uma paciente d...

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Q3882599 Enfermagem

A enfermeira, durante o atendimento inicial a uma paciente do sexo feminino, identificou indícios de violência doméstica, os quais foram posteriormente confirmados pela própria paciente.


Esta relatou receio em falar sobre a situação, por temer por sua vida.



Sobre o caso apresentado, de acordo com o Código de Ética de Enfermagem, assinale a afirmativa correta. 

Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: C

Fundamento decisivo: O critério decisivo é que o sigilo profissional em Enfermagem não é absoluto quando há previsão legal e risco à vítima; no caso, houve confirmação de violência doméstica contra mulher adulta e relato de temor pela própria vida, o que, à luz da Resolução COFEN nº 564/2017, art. 52 e §5º, e da Lei nº 10.778/2003 com redação da Lei nº 13.931/2019, desloca a conduta para comunicação obrigatória aos órgãos competentes, independentemente de autorização da paciente.

Tema central: Sigilo profissional e violência doméstica
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque trata o sigilo como absoluto e condiciona a comunicação à autorização da paciente. Isso contraria o art. 52 do Código de Ética, que excepciona o sigilo nos casos previstos em lei, e contraria a regra específica para violência doméstica contra mulher com risco à vítima, em que a comunicação externa independe de autorização.
B
Errada
Está errada porque propõe postura passiva diante de caso já identificado e confirmado. Aguardar manifestação espontânea para registro formal e evitar comunicação à equipe multiprofissional ignora que o risco à vítima exige atuação ativa, e que o compartilhamento necessário à assistência e a comunicação/notificação obrigatória não dependem de consentimento prévio nesse cenário.
C
Certa
A alternativa C é a correta porque reconhece a exceção ético-legal ao sigilo no contexto de violência doméstica contra mulher, com risco à vítima. O Código de Ética de Enfermagem prevê que, nesses casos, a comunicação externa aos órgãos de responsabilização criminal é devida independentemente de autorização, e a legislação federal determina comunicação obrigatória à autoridade policial nos casos com indícios ou confirmação de violência contra a mulher. Como o enunciado traz violência confirmada e medo de morte, o requisito de risco está presente.
D
Errada
Está errada porque reduzir a conduta ao registro em prontuário não cumpre o dever ético-legal aplicável. O prontuário é parte da documentação, mas não substitui a notificação compulsória nem a comunicação aos órgãos competentes quando há violência doméstica confirmada e risco à vítima.
E
Errada
Está errada porque restringe a resposta ao fluxo interno da chefia imediata. Comunicação apenas interna não satisfaz a obrigação formal de notificação/comunicação prevista para casos de violência contra a mulher; a exigência é dirigida aos serviços e autoridades competentes, não apenas à hierarquia administrativa.
Pegadinha da questão
A banca explorou a confusão entre sigilo profissional e sigilo absoluto. O enunciado induz à proteção da autonomia da paciente, mas o dado que mata a questão é o risco concreto à vítima, expresso pelo temor pela própria vida, que afasta a ideia de depender de autorização para comunicar.
Dica para questões semelhantes
  • Em violência contra a mulher, verifique se o enunciado traz indícios ou confirmação e se há elemento de risco à vítima; isso pode afastar o sigilo como regra absoluta.
  • Se a alternativa limitar a conduta a prontuário, chefia ou espera passiva da fala da vítima, confronte com a existência de notificação/comunicação obrigatória.
  • Quando a questão citar o Código de Ética, procure as exceções expressas ao sigilo e aplique-as aos achados concretos do caso.

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