Considere as passagens: – Ei, moço, quer fazer o favor de l...

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Q3543366 Português
      O trocador olhou, viu, não aprovou. Daquele passageiro, escanchado placidamente no banco lateral, escorria um fio de água que ia compondo, no piso do ônibus, a microfigura de uma piscina.

        – Ei, moço, quer fazer o favor de levantar?

        O moço (pois ostentava barba e cabeleira amazônica, sinais indiscutíveis de mocidade) nem-te-ligo.

        O trocador esfregou as mãos no rosto, em gesto de enfado e desânimo, diante da situação tantas vezes enfrentada, e murmurou:

        – Esses caras são de morte.

        Devia estar pensando: Todo ano a mesma coisa. Chegando o verão, chegam problemas. Bem disse o Dario, quando fazia gol no Atlético Mineiro: Problemática demais. Estava cansado de advertir passageiros que não aprendem como viajar em coletivo. Não aprendem e não querem aprender. Tendo comprado passagem por 65 centavos, acham que compraram o ônibus e podem fazer dele casa da peste.

(Carlos Drummond de Andrade, “Recalcitrante”.
Em: As palavras que ninguém diz, 2011. Adaptado)
Considere as passagens:
– Ei, moço, quer fazer o favor de levantar? O moço (pois ostentava barba e cabeleira amazônica, sinais indiscutíveis de mocidade) nem-te-ligo.
O emprego de vírgulas, na primeira passagem, e o de parênteses, na segunda, justificam-se, correta e respectivamente, como recursos de pontuação para separar:
Alternativas

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Gabarito: Alternativa A

Tema central: Pontuação — Uso de vírgulas para isolar vocativo e de parênteses para inserir expressões explicativas, seguindo a norma-padrão da Língua Portuguesa.

Justificativa da alternativa correta:

Na passagem “Ei, moço, quer fazer o favor de levantar?”, o termo "moço" é empregado como vocativo: um chamamento direto ao interlocutor. Pela norma (Bechara, Cunha & Cintra), vocativos sempre são isolados por vírgulas, já que não integram o sujeito nem o predicado da oração. Exemplo: “João, venha cá!”

Já em “O moço (pois ostentava barba e cabeleira amazônica, sinais indiscutíveis de mocidade) nem-te-ligo.”, a passagem entre parênteses traz uma expressão explicativa, detalhando ou esclarecendo o termo anterior. Os parênteses, conforme ensina Rocha Lima, servem para acrescentar informações acessórias não essenciais, mas relevantes ao leitor.

Análise das alternativas incorretas:

B) Aposto; expressão corretiva. Incorreto. O vocativo não é aposto (que explicita ou enumera um termo), e a expressão entre parênteses não é corretiva, mas sim explicativa.

C) Sujeito da oração; expressão conclusiva. Errado. Não se trata de sujeito, mas de vocativo, e a passagem entre parênteses é explicativa, não conclusiva.

D) Advérbio; expressão explicativa. Inadequado. “Ei” é uma interjeição, não advérbio.

E) Pronome; expressão corretiva. Incorreto. “Ei” não é pronome, e o trecho entre parênteses não corrige, apenas explica.

Estratégias e Orientações: Em questões de pontuação, identifique sempre a função sintática e semântica dos termos isolados. Vocativo = chamamento, sempre entre vírgulas; expressões explicativas entre vírgulas, travessões ou parênteses, conforme a intenção do autor.

Referências: Bechara, Cunha & Cintra, Rocha Lima — gramáticas indispensáveis para domínio das regras de pontuação.

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Comentários

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vocativo; expressão explicativa.

Vocativo: termo usado para chamar ou invocar alguém ou algo.

Expressão explicativa: na frase, o uso de parênteses é para explicar o motivo do termo “moço” utilizado.

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