De acordo com o texto, é INCORRETO afirmar que o grupo liber...
Leia o texto a seguir e, com base nele, responda às questões de 01 a 20.
É Páscoa! Conheça a história de escravos que penaram pelo chocolate
§ 1 A Páscoa, como todos sabemos, é o dia em que celebramos o surgimento do primeiro espécime ovíparo de coelho que metaboliza cenoura em chocolate. E como o coelho escolheu as crianças para serem, com ele, protagonistas desta data, recontarei aqui uma historieta.
§ 2 Uma ação de fiscalização de trabalhadores do governo federal libertou, há alguns anos, 150 pessoas em Placas (PA), dentre elas mais de 30 crianças. Atuavam na colheita do cacau.
§ 3 O grupo estava sujeito a condições humilhantes de habitação, alimentação e higiene. De acordo com o Ministério do Trabalho no estado, a maior parte das crianças estava doente, com leishmaniose ou úlcera de Bauru. Elas eram levadas ao trabalho para aumentar a remuneração, se sujeitando a todo tipo de situação.
§ 4 Uma das crianças havia perdido a visão ao cair de cara em um toco de árvore.
§ 5 Eles já começavam o serviço devendo aos empregadores por terem que pagar equipamentos de trabalho e bens de necessidade básica. De acordo com as informações colhidas pelos fiscais, quem não cumpria as determinações dos patrões era ameaçado de morte.
§ 6 Parte da indústria de alimentação – que ajuda o Coelho na sua tarefa pascal e compra não só cacau, mas também outras matérias-primas de setores que vêm sendo envolvidos em trabalho escravo e trabalho infantil contemporâneo – não demonstra lá muita energia para garantir o controle e a transparência de suas cadeias produtivas. Dentro e fora do Brasil.
§ 7 Há muitas formas de se controlar a qualidade da própria cadeia produtiva, tanto que em alguns setores isso já acontece. Tivemos avanços consideráveis na produção de soja, de algodão, de frutas até da pecuária bovina – recordista histórica em número de casos de trabalho escravo. Mas adotar esse comportamento significa investir uma boa grana para mudar processos. E quem quer investir grana em algo que quase ninguém se importa?
§ 8 Afinal de contas, o que é realmente fundamental para você: que uma criança não tenha perdido um olho na colheita de cacau para fazer um ovo de chocolate ou que o ovo não venha com um brinquedinho repetido?
§ 9 O consumidor não pode ser culpado porque ele não tem informação, claro. Mas, convenhamos: para que sair da ignorância? É um lugar tão quentinho, não é mesmo?
§ 10 Mudança é possível até porque ninguém quer ficar sem chocolate, que é bom. E ninguém quer gerar desemprego na indústria ou na agricultura. Tanto que temos experiências de cultivo inclusivo de cacau orgânico, feito por pequenos produtores, como aqueles do Projeto de Desenvolvimento Sustentável “Esperança'', em Anapu – pelo qual viveu e morreu a irmã Dorothy Stang.
§ 11 Mas mudança mata. Dorothy, como sabemos, suicidou-se com seis tiros, no corpo e na cabeça, em um local ermo, apenas para incriminar honestos fazendeiros da região avessos à mudança.
§ 12 Não me lembro quando deixei de ter fé no divino. Mas ainda guardo um pouco de fé no mundano, talvez por teimosia de gostar de gente, talvez só de birra com o meteoro que um dia virá dar reset no planeta. Então, me pergunto: se houvesse valores morais envolvidos na Páscoa, como liberdade e renascimento, a reflexão sobre o mundo estaria no centro do dia de hoje? Reflexão, não culpa – pois culpa é algo pegajoso e fedorento que não leva a lugar algum.
§13 Mas como não há, então viva o coelho.
(SAKAMOTO, Leonardo. É Páscoa! Conheça a história de escravos que penaram pelo chocolate. Disponível em: <http://blogdosakamoto.blogosfera.uol.com.br/2016/03/27/e-pascoa-conheca-a-historia-de-escravos-que-penaram-pelo-chocolate>. Acesso em: 04 abr. 2016. Adaptado.)
De acordo com o texto, é INCORRETO afirmar que o grupo libertado pela fiscalização do governo federal sofria com:
Gabarito comentado
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Tema central: Interpretação de texto com foco em compreensão de informações explícitas no texto, conforme exige o padrão em provas para Assistente em Administração. O objetivo é identificar qual alternativa apresenta uma afirmação não narrada ou comprovada pelo texto-base, ou seja, requer atenção à leitura e à comparação cuidadosa dos dados do texto com as opções apresentadas.
Justificativa da alternativa correta – Letra A (“abusos sexuais”):
Ao analisar o texto com atenção, não há qualquer menção, direta ou indireta, a abusos sexuais sofridos pelo grupo libertado pela fiscalização. Os parágrafos expõem situações de exploração, doenças, condições degradantes, mas não abordam essa forma de violência. Assim, a declaração da letra A é falsa em relação ao texto, por isso é a alternativa INCORRETA, conforme pedido no enunciado.
Estratégia de interpretação: Ao buscar a alternativa “incorreta”, lembre-se sempre de testar cada opção, resgatando as informações do texto, evitando conclusões apressadas ou interpretações além do que está escrito. Cuidado com pegadinhas que exploram temas sensíveis, mas que não são mencionados no texto.
Análise das alternativas incorretas:
B) “ameaças de morte” – Explicitamente confirmado pelo texto (§5): “quem não cumpria as determinações dos patrões era ameaçado de morte”.
C) “problemas de saúde” – O texto afirma (§3): “a maior parte das crianças estava doente, com leishmaniose ou úlcera de Bauru”.
D) “condições precárias de higiene” – O texto cita: “O grupo estava sujeito a condições humilhantes de habitação, alimentação e higiene”.
Essas alternativas representam informações explícitas e, portanto, são corretas quanto ao solicitado pelo comando da questão.
Regras e fundamentos normativos: Segundo o ensino das principais gramáticas (Bechara e Cunha & Cintra), a compreensão parte sempre do reconhecimento literal e objetivo do conteúdo dito ou escrito. Como orienta Ingedore Villaça Koch, “a coerência se constrói pelo vínculo lógico entre as informações textuais”. Ou seja, a resposta correta depende do que está verdadeiramente registrado no texto e de como o leitor relaciona os dados das alternativas a esse conteúdo.
Conclusão: Para esse tipo de questão, trate de reler cuidadosamente o texto, marcando as informações centrais para não cair em armadilhas. Gabarito: A — “abusos sexuais” não é confirmado pelo texto.
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Gabarito A)
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