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Q3330747 Português
Texto: Outro de Elevador 

Quando perguntavam "Sobe ou desce?" respondia "A primeira alternativa". Depois dizia "Descende", "Ruma para baixo", "Cai controladamente", "A segunda alternativa"... "Gosto de improvisar", justificava-se. Mas como toda arte tende para o excesso, chegou ao preciosismo. Quando perguntavam "Sobe?" respondia "É o que veremos..." ou então "Como a Virgem Maria". Desce? "Dei" Nem todo o mundo compreendia, mas alguns o instigavam. Quando comentavam que devia ser uma chatice trabalhar em elevador ele não respondia "tem seus altos e baixos", como esperavam, respondia, criticamente, que era melhor do que trabalhar em escada, ou que não se importava embora o seu sonho fosse, um dia, comandar alguma coisa que andasse para os lados... E quando ele perdeu o emprego porque substituíram o elevador antigo do prédio por um moderno, automático, daqueles que têm música ambiental, disse: "Era só me pedirem ― eu também canto!"

Luís Fernando Veríssimo 

A respeito do entendimento da análise textual, por meio do desencadeamento das ideias e evidências, é CORRETO afirmar que traz em seu desfecho uma crítica, expressa na alternativa:
Alternativas

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O tema central dessa questão é interpretação de texto, habilidade fundamental em provas de concurso, que exige a compreensão não só do sentido literal, mas também das críticas sociais e mensagens implícitas. Esse domínio faz com que os candidatos identifiquem a intenção do autor e os elementos que estruturam o texto.

Na crônica analisada, o autor narra com humor e ironia a rotina de um ascensorista que perde seu emprego quando o elevador antigo é substituído por um moderno, automático. Sua fala final – "Era só me pedirem ― eu também canto!" – expõe de modo sutil uma crítica à substituição do trabalho humano por máquinas, conduzindo à problemática do desemprego.

Segundo Ingedore Koch (em A Coesão Textual), a coerência textual permite que o leitor integre as informações e compreenda o sentido global. Desta forma, ao observar o desencadeamento das ideias (da rotina criativa do funcionário ao seu desligamento devido à automação), a crítica central é claramente ao desemprego, provocado pela modernização do elevador.

Justificativa da correta (B): "Ao desemprego" — O texto evidencia, em seu desfecho, a crítica ao desemprego gerado por processos de automação. A ironia do personagem reflete que o seu desligamento não foi uma questão de desempenho, mas sim de obsolescência imposta pela tecnologia. Essa leitura está alinhada ao conceito da função social da literatura (Afrânio Coutinho): a literatura age como instrumento de crítica à sociedade.

Análise das incorretas:

A) À segurança no trabalho — Nenhum trecho aborda riscos ou acidentes laborais.
C) Às doenças adquiridas no trabalho — Não existe menção a questões de saúde ocupacional no texto.
D) À insensibilidade presente na sociedade atual — Embora se possa inferir algum grau de insensibilidade social, o foco textual é diretamente o desemprego provocado pela evolução tecnológica, não o comportamento coletivo.

Estrategicamente, para acertar esse tipo de questão em provas, destaca-se a importância de buscar a ideia predominante do final do texto e palavras-chave que revelam o alvo da crítica do autor, evitando distrações com aspectos secundários. O uso da ironia é fundamental para compreender o tom crítico empregado.

Resumo: A alternativa correta é B porque o texto critica o desemprego causado pela automação, sendo essa a mensagem central do desfecho.

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Comentários

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O personagem é substituído por um elevador automático com música ambiental, ou seja, por uma máquina. Apesar de ser criativo, espirituoso e até artístico no seu trabalho, ele é descartado sem consideração. Sua fala final Era só me pedirem eu também canto! revela uma crítica à falta de sensibilidade e valorização do ser humano, em contraste com a frieza da automação.

Isso evidencia uma crítica à insensibilidade da sociedade moderna, que muitas vezes prioriza a tecnologia em detrimento das pessoas.

O foco do texto é claramente que, apesar de ótimo funcionário, foi substituído pela automação = desmprego

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