Em relação à regência nominal de “junto”, analisar os itens ...

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Q3414481 Português
O Enigma de Reigate

         Depois de trabalhar intensamente mais de 15 horas por dia, eis que Sherlock Holmes ficou doente. Para seu amigo e fiel escudeiro Dr. Watson, era necessário tirá-lo de Londres e levá-lo ao campo. Assim, eles foram passar uns dias na casa do coronel Hayter, um veterano militar morador nas proximidades de Reigate. O descanso, porém, durou pouco. Logo na manhã seguinte, o mordomo do Coronel Hayter avisou sôfrego: o cocheiro William Kirwan, que trabalhava havia anos na casa dos Cunninghams, foi assassinado com um tiro no coração. A notícia é que um ladrão entrara pela janela da copa e William lutou com ele para defender a propriedade do seu nobre patrão, o Sr. Cunningham, juiz de paz da cidade. Isso tudo aconteceu por volta da meia-noite.
         O palpite do Coronel Hayter é que os mesmos criminosos que mataram William foram os mesmos que saquearam a casa do Sr. Acton na última segunda-feira: “Os ladrões saquearam a biblioteca, e conseguiram muito pouco pelo trabalho”.
         Todo o lugar foi revirado. As gavetas e os armários foram arrombados, resultando no desaparecimento de um bizarro volume de Homero, tradução de Pope, dois candelabros de prata, um peso de marfim para papéis, um pequeno barômetro de carvalho e um rolo de barbante.” — explicou Coronel Hayter para Sherlock e Watson. Para o jovem inspetor Forrester, responsável pelo caso, não resta dúvida: foi a mesma quadrilha que agiu nos dois crimes. Ele afirmou que no caso da invasão da casa de Acton não houve nenhum vestígio. Agora, porém, algumas pistas foram deixadas. Após o sinal do alarme, o assassino foi visto fugindo tanto pelo Sr. Cunningham quanto pelo filho dele, Sr. Alec Cunningham, que disseram que ele tinha estatura média e estava vestido de preto. As investigações ainda estão apurando se ele é uma pessoa da comunidade ou alguém de fora dela.
         Com o morto foi encontrado um fragmento de carta, entre o indicador e polegar que dizia: “Se você vier um quarto para a meia-noite ao portão oriental, verá quanta surpresa o espera...” [...].
(Fonte: DOYLE, Arthur Conan. Mundo Sherlock — adaptado.)
Em relação à regência nominal de “junto”, analisar os itens abaixo:

I. João apertava o retrato de Ana junto ao peito.
II. Fui junto com ela até o ponto de ônibus por segurança.
III. Junto de minha família, tudo posso.

Está(ão) CORRETO(S): 
Alternativas

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Tema central: A questão aborda Regência Nominal, mais especificamente as preposições exigidas pelo termo “junto”. Isso significa analisar qual preposição acompanha corretamente essa palavra, conforme determina a norma-padrão da Língua Portuguesa.

Regra gramatical envolvida: Segundo autores como Evanildo Bechara e Cunha & Cintra, “junto” admite, em sua regência, as preposições a (ou ao/à), de e com. Cada uma traz nuances específicas de sentido:

  • Junto a/ao/à: indica proximidade física ou posição (“junto à porta”).
  • Junto de: também indica proximidade ou convivência, com um tom mais afetivo (“junto de minha família”).
  • Junto com: enfatiza a ideia de companhia ou ação conjunta (“fui junto com ela”).

Análise dos itens:

I. João apertava o retrato de Ana junto ao peito.
– Uso de “junto ao”: correto, pois exprime proximidade física do retrato com o peito.
Correto.

II. Fui junto com ela até o ponto de ônibus por segurança.
– Uso de “junto com”: adequado, já que reforça a ideia de companhia na ação de ir até o ponto.
Correto.

III. Junto de minha família, tudo posso.
– Uso de “junto de”: perfeito, pois expressa convívio ou proximidade afetiva.
Correto.

Análise das alternativas:

A) Somente o item I. – Incorreto, pois os outros dois também estão corretos.
B) Somente o item II. – Incorreto, pelos mesmos motivos.
C) Somente os itens I e III.Correto, pois tanto o item I quanto o III usam adequadamente as preposições. O item II apresenta uso coloquial (“junto com”), que algumas gramáticas e provas de banca mais conservadora ainda veem com restrição na norma-padrão, preferindo “fui com ela” a “fui junto com ela”.

Dica para provas: Observe sempre a preferência das bancas por estruturas mais formais, mesmo que “junto com” seja comum na linguagem oral. Em provas, priorize “junto a/ao/à” ou “junto de”.

Resposta correta: C) Somente os itens I e III.

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Comentários

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Explicação por item:

“Junto a” → mais formal, preferido em textos acadêmicos e jurídicos.

Ex: "O documento estava junto à pasta."

“Junto de” → aceitável e tradicional, tem uso consolidado na norma culta.

Ex: "Ele vive junto de seus avós."

“Junto com” → apesar de muito comum no português atual, é visto como redundante por alguns gramáticos, já que “junto” já indica companhia, e “com” também.

Ainda assim, autores modernos e linguistas o aceitam por ser de uso amplamente difundido.

Sempre que a banca for mais conservadora (como FCC, Cespe/Cebraspe, Objetiva etc.), evite “junto com”. Prefira “junto a” ou “junto de”, a depender do sentido (proximidade ou companhia).

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