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Ano: 2013 Banca: FGV Órgão: SUDENE Prova: FGV - 2013 - SUDENE-PE - Agente Administrativo |
Q449524 Português
                                     Por que é tão difícil entender?
      A  crise  que  o  país  atravessa  desde  a  eclosão  dos  primeiros protestos  contra  o  aumento  das passagens  de  ônibus  têm  três componentes articulados: 
      1  –  A  sociedade  quer  transporte,  saúde  e  educação de qualidade, pois ela paga caro por isso, por meio de impostos, e não recebe em troca serviços públicos à altura. Simples assim. A sociedade não pediu nas ruas reforma política, nem plebiscito para eliminar suplente de senador. 
      2 – A sociedade quer o fim da impunidade,pois está cansada de ver corruptos soltos debochando de quem é honesto, mesmo depois de condenados. Acrescentar o adjetivo hediondo à corrupção de pouco adianta se deputados e ministros continuam usando aviões da FAB para passear e se criminosos estão soltos, alguns até ocupando cargos de liderança ou participando de comissões no Congresso. 
      3  –  A  sociedade  quer  estabilidade  econômica:  para a percepção do cidadão comum, os 20 centavos pesaram como mais um sinal de que a economia está saindo do controle. A percepção do aumento da inflação é crescente em todas as classes sociais; em última análise, este será o fator determinante dos rumos da crise a médio prazo, já que não há discurso ou propaganda que camufle a corrosão do poder de compra das pessoas, sobretudo daquelas recentemente incorporadas à economia formal.
      Esses  problemas  não  são  de  agora,  nem responsabilidade exclusiva dos últimos governos. Mas o que se espera de quem está no poder é que compreenda que a melhor maneira de reconquistar o apoio perdido é dar respostas concretas e rápidas às demandas feitas nas ruas ( e não às questões que ninguém fez). 
(Adaptado. Luciano Trigo, O Globo, 11-7-2013) 

                                 "Por que é tão difícil entender?"

O título do texto é uma pergunta dirigida
Alternativas

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Gabarito: B

Fundamento decisivo: O critério decisivo é identificar o interlocutor implícito da pergunta pelo alvo das cobranças no texto. O fecho afirma: "Mas o que se espera de quem está no poder é que compreenda que a melhor maneira de reconquistar o apoio perdido é dar respostas concretas e rápidas às demandas feitas nas ruas"; como "quem está no poder" tem alcance amplo e o texto também menciona deputados, ministros e cargos no Congresso, a pergunta do título se dirige às autoridades em geral, e não a um grupo restrito.

Tema central: interlocutor implícito do título
Análise das alternativas
A
Errada
A alternativa erra por restringir indevidamente o destinatário ao governo federal. O texto não limita a cobrança a essa esfera: além de ministros, menciona deputados, cargos de liderança e comissões no Congresso. O ponto decisivo é o valor abrangente de "quem está no poder".
B
Certa
A alternativa B está correta porque traduz exatamente o destinatário construído pelo texto: as autoridades que exercem poder público e que deveriam entender as demandas sociais. O trecho conclusivo concentra essa ideia em "quem está no poder", expressão abrangente, confirmada pelas referências a diferentes agentes institucionais ao longo do texto. Por isso, o título não interpela um setor único, mas as autoridades em geral.
C
Errada
A alternativa toma um alvo parcial como se fosse o destinatário total da pergunta. O texto critica corrupção e impunidade, mas os "políticos corruptos" aparecem apenas dentro de um dos componentes da crise. A pergunta do título alcança de modo mais amplo os agentes de poder que devem compreender e responder às demandas sociais.
D
Errada
A alternativa contraria a organização discursiva do texto. Os participantes dos protestos representam a sociedade que manifesta o que quer; não são apresentados como aqueles que têm dificuldade de entender. O texto opõe a clareza das demandas da sociedade à incapacidade das autoridades de compreendê-las e respondê-las.
E
Errada
A alternativa não tem apoio textual. O texto não menciona a classe dos intelectuais nem constrói qualquer crítica dirigida a esse grupo. Trata-se de extrapolação sem base no texto.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre o alvo global da pergunta-título e grupos apenas mencionados no desenvolvimento, sobretudo a tendência de reduzir "quem está no poder" ao governo federal por causa das referências a ministros e à FAB.
Dica para questões semelhantes
  • Em título-pergunta, identifique o destinatário pelo fecho e pelo foco das cobranças do texto, não por uma palavra isolada.
  • Se o texto usa expressão ampla como "quem está no poder", não reduza o referente a uma única esfera sem apoio explícito.
  • Separe alvo parcial de crítica temática do destinatário global da enunciação.

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Comentários

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A resposta se encontra neste trecho do texto:  Mas o que se espera de QUEM ESTÁ NO PODER é que compreenda que a melhor maneira de reconquistar o apoio perdido é dar respostas concretas e rápidas às demandas feitas nas ruas ( e não às questões que ninguém fez). 

Pensei que pudesse ser governo. em todo o texto nao fala em autoridades, diferentemente do termo" governo nenhum". porem o gabarito é B.

A insatisfação da população não se restringe só ao governo federal, mas sim a todas as esferas do poder, isto é, a todas as autoridades que têm o dever de oferecer serviços púlicos de qualidade, promover a justiça e a estabilidade econômica.  

Considero o termo "autoridades" na expressão "às autoridade em geral" muito abrangente e genérico. O mais correto seria "a classe política em geral".

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