Criança, sexo masculino, 7 anos de idade, portadora de refl...

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Q4236727 Medicina
Criança, sexo masculino, 7 anos de idade, portadora de refluxo vesicoureteral bilateral, retornou hoje ao hospital por febre de até 38,8 °C. No exame físico inicial, o paciente está letárgico e sonolento, apresenta FC de 140 bpm, FR de 26 irpm, PA de 90×40 mmHg, SpO2 de 96% em ar ambiente, ausculta pulmonar e cardíaca normais, fígado no rebordo costal direito, perfusão com retorno rápido (< 1 segundo), pulsos amplos, escore de coma de Glasgow 14, pupilas isofotorreagentes. Temperatura atual de 37,2 °C, após uma hora do antitérmico administrado em casa. O paciente recebeu alta há dois dias do hospital, onde esteve internado em leito de terapia intensiva pediátrico devido a quadro de infecção do trato urinário grave por Escherichia coli sensível aos antibióticos testados. Durante internação, ficou com sonda vesical de demora e cateter venoso central, retirado no dia da alta, sem sinais flogísticos no exame físico de hoje. Considerando os dados apresentados, a conduta indicada nesse momento é 
Alternativas

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Gabarito: A

Fundamento decisivo: A decisão depende de reconhecer sepse/choque séptico pediátrico em perfil quente: letargia, taquicardia, PA baixa/limítrofe para a idade, pulsos amplos e enchimento capilar rápido indicam instabilidade hemodinâmica. Como a criança teve UTI recente e dispositivos invasivos, o risco de infecção associada à assistência é maior, o que exige antibiótico empírico imediato e expansão com cristaloide, sem aguardar exames.

Tema central: Choque séptico pediátrico
Análise das alternativas
A
Certa
A alternativa correta é a única que não atrasa o tratamento de um quadro potencialmente fatal. O paciente já apresenta sinais clínicos de choque séptico e, nesse contexto, a conduta deve ser imediata: ressuscitação volêmica com cristaloide e antibiótico de amplo espectro. A internação recente em UTI e o uso de sonda vesical e cateter venoso central tornam inadequado assumir infecção comunitária simples ou esperar confirmação laboratorial antes de tratar.
B
Errada
Está errada por dois motivos técnicos. Primeiro, fluidoterapia em velocidade de manutenção não corrige choque; o quadro exige expansão volêmica com cristaloide, com reavaliação frequente. Segundo, cefalosporina de terceira geração pode servir para infecção urinária comunitária por germe sensível, mas subcobre um paciente recém-egresso de UTI, com sonda vesical e cateter venoso central recentes, contexto que aumenta a probabilidade de infecção associada à assistência e perfil de resistência maior.
C
Errada
Está errada porque condiciona o início do antibiótico a exames que não são pré-requisito para tratar sepse/choque. Lactato, coagulograma, D-dímero e fibrinogênio podem ajudar na avaliação de gravidade, mas a suspeita clínica já está estabelecida pelos achados hemodinâmicos e neurológicos. Em criança instável, aguardar esses resultados atrasa terapia potencialmente salvadora.
D
Errada
Está errada porque transforma a definição do foco em condição para iniciar tratamento. Na sepse, a conduta é sindrômica e imediata: antibiótico e ressuscitação não devem esperar sedimento urinário. Além disso, a base não permite afirmar que o foco atual seja necessariamente urinário; a internação recente em UTI e os dispositivos invasivos ampliam a possibilidade de infecção relacionada à assistência.
Pegadinha da questão
A banca explora a falsa sensação de estabilidade causada por enchimento capilar rápido, pulsos amplos, saturação preservada e temperatura normal após antitérmico; esses achados não afastam choque séptico e, neste contexto, apontam para choque quente.
Dica para questões semelhantes
  • Em pediatria, taquicardia + alteração do sensório + pressão baixa/limítrofe já devem acender suspeita de choque séptico, mesmo sem hipoxemia ou foco definido.
  • Perfusão rápida e pulsos amplos não excluem choque; podem indicar fase vasodilatada da sepse.
  • Em paciente instável, exames e culturas são colhidos em paralelo, sem atrasar antibiótico e expansão volêmica.
  • Alta recente de UTI e dispositivos invasivos mudam a cobertura empírica inicial: não trate automaticamente como infecção comunitária simples.

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