Sobre septicemia e choque séptico no ambiente de emergência...

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Q3293141 Medicina
Sobre septicemia e choque séptico no ambiente de emergência, leia as afirmativas abaixo:
I. O tratamento envolve reposição volêmica agressiva, antibioticoterapia de amplo espectro e controle de foco infeccioso.
II. A Lactatemia elevada correlaciona-se à hipoperfusão tecidual, guiando reavaliação de fluidos e vasopressores.
III. A administração de hidrocortisona é indicada em choque séptico refratário a vasopressores.
IV. A meta de PAM acima de 65 mmHg com noradrenalina e reposição volêmica inicial define diretriz do Surviving Sepsis.
V. O uso de dobutamina dispensa aferições periódicas de cardiotônus.
Estão CORRETAS as afirmativas:
Alternativas

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Tema central: manejo de sepse/choque séptico na emergência. Sepse é disfunção orgânica por resposta desregulada à infecção; choque séptico exige vasopressor para manter PAM ≥65 mmHg e geralmente lactato >2 mmol/L após volume adequado (Sepsis-3). “Septicemia” é termo antigo; o foco atual é hipoperfusão, controle da infecção e suporte hemodinâmico.

Por que a alternativa A está correta (I, II, III e IV):

I. Conduta inicial inclui cristaloide 30 mL/kg na primeira hora, antibiótico empírico de amplo espectro precoce e controle do foco (drenagem, retirada de cateter etc.). Evidência e diretriz: Surviving Sepsis Campaign (SSC) Hour-1 bundle e diretrizes 2021.

II. Lactato elevado é marcador de hipoperfusão e pior prognóstico; sua queda (clearance) orienta reavaliação de fluidoterapia e necessidade de vasopressores. SSC 2021 recomenda reavaliações seriadas guiadas por perfusão (lactato, tempo de preenchimento capilar, variáveis dinâmicas).

III. Hidrocortisona 200 mg/dia é indicada em choque séptico refratário a fluidos e vasopressores (ex.: necessidade persistente de noradrenalina em doses moderadas/altas). Reduz tempo de choque, sem ganho consistente de mortalidade. SSC 2021, UpToDate 2024.

IV. Meta de PAM ≥65 mmHg com noradrenalina como vasopressor de primeira linha após volume inicial é recomendação forte da SSC. Objetiva perfusão adequada de órgãos.

Por que a afirmativa V está incorreta: A dobutamina pode ser usada se houver disfunção miocárdica e baixo débito apesar de volemia adequada, porém não dispensa monitorização. Requer avaliação seriada de cardiotônus e débito (ecocardiografia POCUS, VTI, SvO₂/ScvO₂, lactato, diurese), pois pode causar taquiarritmias e queda de pressão. Logo, V é falsa. Referências: SSC 2021; Harrison; UpToDate.

Análise das alternativas:

A. Correta: inclui I–IV e exclui V, alinhada às diretrizes.

B. Incorreta: mantém V (falsa) e omite II–IV, que são pilares do manejo.

C. Incorreta: inclui V (falsa) e exclui medidas essenciais I e III.

D. Incorreta: inclui V (falsa).

Dicas para a prova (armadilhas): “Reposição volêmica agressiva” deve ser entendida como 30 mL/kg de cristalóide inicialmente, seguida de reavaliação dinâmica (evite hiper-hidratação). Antibiótico imediato após coleta de culturas, sem atrasos. Noradrenalina é primeira linha; vasopressina pode ser associada para reduzir dose de noradrenalina. Controle de foco idealmente em 6–12 h. Use lactato e perfusão periférica para guiar a reanimação.

Referências essenciais: Surviving Sepsis Campaign Guidelines 2021 e Hour-1 Bundle; UpToDate (Sepsis and septic shock in adults); Harrison’s Principles of Internal Medicine.

Gabarito: A

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