Uma mulher de 45 anos, etilista crônica, entra no pronto-so...
Gabarito comentado
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Tema central: síndrome de abstinência alcoólica grave, com hiperatividade autonômica (taquicardia/hipertensão), tremores, confusão e histórico de convulsões — quadro com alto risco de delirium tremens e crises. Fisiopatologia: queda do tônus GABA e aumento de atividade glutamatérgica (NMDA), gerando excitabilidade neuronal e instabilidade autonômica.
Alternativa correta: A. Conduta inicial indicada: benzodiazepínicos (preferir de ação longa, como diazepam ou clordiazepóxido), hidratação e correção hidroeletrolítica (K, Mg, PO4), tiamina antes de glicose para prevenir encefalopatia de Wernicke, e monitorização neurológica e hemodinâmica para detectar/evitar delirium tremens e convulsões. Em suspeita de hepatopatia, optar por lorazepam/oxazepam. Em quadros graves, pode ser necessário esquema de carga e titulação por sintomas (ex.: CIWA-Ar) e vigilância intensiva.
Por que é a melhor escolha? Benzodiazepínicos são terapia de primeira linha para abstinência alcoólica: reduzem tremores, hipertonia autonômica e previnem convulsões/DT. A tiamina IV (100 mg, preferencialmente antes de glicose) é padrão para prevenir Wernicke. A correção de hipomagnesemia/hipocalemia reduz risco de arritmias e convulsões. Referências: Harrison’s Principles of Internal Medicine; UpToDate (Alcohol withdrawal in adults, 2024); Diretriz ASAM 2020.
Análise das alternativas incorretas:
B) “Restrição hídrica e haloperidol sem benzodiazepínicos”: inadequado e perigoso. Antipsicóticos não tratam a fisiopatologia da abstinência, baixam o limiar convulsivo e podem prolongar QT. Podem ser adjuvantes apenas para agitação/alucinações refratárias, sempre com benzo e monitorização. Restrição hídrica não é indicada; há risco de hipovolemia e distúrbios eletrolíticos.
C) “Aguardar evolução”: conduta omissiva em emergência. A abstinência grave pode evoluir para DT e status epilepticus. O tratamento deve ser imediato com benzodiazepínicos e suporte.
D) “Opioide para tremor”: opioides não atuam na abstinência alcoólica, não reduzem convulsões e podem causar depressão respiratória. Contraindicados como estratégia terapêutica nesse contexto.
Dicas de prova: Identifique palavras-chave: etilista crônica + confusão + tremor + taquicardia/PA elevada + convulsões prévias = abstinência grave. Pense em: benzodiazepínico + tiamina antes de glicose + hidratação/correções + monitorização. Evite antipsicótico isolado, espera vigilante ou opioides.
Se refratário: considerar fenobarbital ou propofol em UTI; agentes adjuvantes (clonidina/beta-bloqueador) apenas para sintomas autonômicos após controle com benzo.
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