Sobre a meningoencefalite bacteriana aguda, analise as afir...

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Q3293136 Medicina
Sobre a meningoencefalite bacteriana aguda, analise as afirmativas abaixo:
I. A punção lombar pode ser precedida de TC de crânio se sinais de hipertensão intracraniana.
II. O uso precoce de antibióticos após coleta de hemoculturas é essencial.
III. A dexametasona está indicada em meningite por Haemophilus influenzae e Streptococcus pneumoniae em adultos e crianças maiores.
IV. A vigência de rash cutâneo petéquico aponta etiologia tuberculosa.
Estão CORRETAS as afirmativas:
Alternativas

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Tema central: Meningoencefalite bacteriana aguda é emergência neurológica. A prioridade é iniciar antibiótico precocemente e decidir com segurança quando realizar TC de crânio antes da punção lombar (PL). O uso de dexametasona tem papel específico conforme o agente.

Gabarito: A (I, II e III)

I. Verdadeira. A TC de crânio deve preceder a PL quando houver sinais de risco de herniação/efeito de massa: déficit neurológico focal, papiledema, rebaixamento importante do nível de consciência, convulsão recente, imunossupressão ou lesão cerebral estrutural. Fora dessas situações, a PL pode ser feita sem TC para não atrasar o tratamento (Diretrizes IDSA; UpToDate; Harrison’s).

II. Verdadeira. Em suspeita de meningite bacteriana, não atrasar antibiótico. Se a PL será postergada (ex.: por TC), colete hemoculturas e inicie antibiótico imediatamente. Atrasos aumentam mortalidade; cada hora conta. Esquemas empíricos usuais em adultos: ceftriaxona (ou cefotaxima) + vancomicina ± ampicilina se >50 anos, etilista ou imunossuprimido (cobertura para Listeria). Associar dexametasona quando indicada (IDSA/UpToDate).

III. Verdadeira. Dexametasona reduz inflamação meníngea e complicações (ex.: perda auditiva). Indicação: meningite pneumocócica em adultos e H. influenzae e pneumococo em crianças maiores. Administrar antes ou junto à 1ª dose de antibiótico (0,15 mg/kg a cada 6 h por 2–4 dias). Se o agente não for pneumococo/HiB, pode-se suspender (IDSA, AAP, Harrison’s).

IV. Falsa. Rash petequial/púrpura aponta fortemente para Neisseria meningitidis (meningococcemia), não tuberculose. Meningite tuberculosa é subaguda, com febre prolongada, alterações de pares cranianos e achados basais em neuroimagem; rash petequial não é típico (Harrison’s; UpToDate).

Estratégia de prova:

- Memorize os sinais de ��TC antes da PL” e não generalize para qualquer “hipertensão intracraniana”.

- Lembre a regra de ouro: antibiótico precoce após hemoculturas se houver atraso para PL.

- Dexametasona: iniciar com o antibiótico; benefício comprovado em pneumococo (adultos) e HiB/pneumococo (crianças).

- Rash petequial = meningococo; não confundir com tuberculose.

Análise das alternativas:

A – Correta (I, II e III verdadeiras).

B – Errada: inclui IV (falsa) e exclui I/III.

C – Errada: inclui IV (falsa) e exclui II/III, contrariando conduta essencial.

D – Errada: inclui IV (falsa) e omite II.

Referências: IDSA Practice Guidelines for Bacterial Meningitis; UpToDate (Acute bacterial meningitis in adults/children); Harrison’s Principles of Internal Medicine.

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