Um homem de 70 anos, hipertenso, dá entrada com PA 200/110 ...
Gabarito comentado
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Tema central: Emergência hipertensiva com lesão aguda de órgão-alvo (papiledema e encefalopatia hipertensiva). Nessa situação, a pressão arterial está perigosamente elevada e já há dano em SNC, exigindo redução controlada e monitorizada com fármacos endovenosos.
Gabarito: B — Princípio do tratamento: reduzir a pressão arterial média (PAM) em até 25% na primeira hora, visando depois PA ≈ 160/100–110 mmHg em 2–6 horas e normalização gradual nas próximas 24–48 h. Essa estratégia evita hipoperfusão cerebral, renal e miocárdica, pois na hipertensão crônica a curva de autorregulação está deslocada para a direita. O manejo é feito com anti-hipertensivos IV tituláveis (ex.: nicardipina, clevidipina, labetalol), em UTI, com monitorização contínua (preferir linha arterial).
Raciocínio clínico: Cefaleia, confusão e papiledema indicam encefalopatia hipertensiva (emergência). O objetivo é reduzir risco de hemorragia/inchaço cerebral sem precipitar isquemia. Evita-se “normalizar” de imediato.
Análise das alternativas:
A — “Reduzir para <120/80 mmHg em 30 min”: inadequado e perigoso. Queda abrupta pode causar isquemia cerebral/renal/miocárdica. Exceção de redução muito rápida ocorre em dissecção de aorta (alvo PAS <120 mmHg imediato com betabloqueador), e eclâmpsia, mas não é o caso do enunciado. Contraria diretrizes.
C — “Diuréticos potentes + nitratos sem monitorização”: manejo incompleto e inseguro. Diuréticos (ex.: furosemida) só se sobrecarga volêmica. Nitratos úteis em edema agudo de pulmão/SCAs, mas não tratam isoladamente encefalopatia hipertensiva e exigem monitorização hemodinâmica. O pilar é anti-hipertensivo IV titulável e vigilância contínua.
D — “Manter PA inalterada”: incorreto. Há dano de órgão-alvo; é mandatório reduzir de forma controlada para evitar progressão do dano. Autorregulação alterada não justifica inação, e sim redução gradual.
Conduta prática: Internar em UTI; iniciar nicardipina ou labetalol IV com titulação; meta de PAM ↓ até 25% na 1ª hora; reavaliar neurológico e função renal; investigar causas secundárias; evitar fármacos de ação imprevisível (ex.: hidralazina) nesta situação.
Pegadinhas: Diferencie urgência (sem lesão aguda) de emergência (com lesão). Não “normalize” rapidamente a PA. Saiba as exceções de redução mais agressiva (dissecção de aorta, eclâmpsia, feocromocitoma grave).
Fontes: Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial (SBC/SBH/SBN, 2020); AHA Scientific Statement on Hypertensive Crises (2022); Harrison’s Principles of Internal Medicine; UpToDate (Hypertensive emergencies).
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