Um adolescente de 16 anos foi retirado de piscina após quas...
Gabarito comentado
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Tema central: manejo do paciente após quase afogamento em água doce, com ênfase no risco de deterioração respiratória tardia mesmo com radiografia inicial normal.
Alternativa correta: B — Manter observação hospitalar. Após aspiração de água, pode ocorrer lesão alveolar por diluição/remoção do surfactante, inflamação e aumento da permeabilidade capilar, evoluindo para edema pulmonar e até SDRA em horas. A radiografia pode ser normal inicialmente. Por isso, recomenda-se observação por 4–8 horas (muitas fontes sugerem 6–8h), com monitorização de SpO₂, sinais respiratórios e, se necessário, gasometria arterial e repetição de imagem se houver piora. Conduta alinhada a UpToDate, AHA/ILCOR (Diretrizes de Reanimação em Afogamento) e orientações da OMS.
Como conduzir na prática:
- Oxigenoterapia conforme necessidade; considerar VNI/intubação se insuficiência respiratória.
- Observação clínica contínua por período mínimo (4–8h); alta apenas se assintomático, SpO₂ ≥ 95% em ar ambiente e exame estável.
- Evitar antibióticos de rotina; reavaliar se febre/sinais de infecção após 24–48h ou água visivelmente contaminada.
- Tratar broncoespasmo com β2-agonista se presente; aquecer se hipotérmico.
Por que as demais estão incorretas?
A) Alta imediata é insegura. A normalidade radiológica inicial não exclui lesão por aspiração nem edema pulmonar tardio. A deterioração pode ocorrer em poucas horas. Evidência: AHA/ILCOR e Harrison’s ressaltam a necessidade de observação mesmo com RX normal quando houve tosse/dispneia.
C) Antibiótico empírico para todos os casos é indevido. Em piscina clorada, o risco de inoculação bacteriana é baixo; profilaxia não reduz desfechos. Indicar apenas se água contaminada (lodo, esgoto) ou sinais de pneumonia. Possíveis patógenos em água doce contaminada: Aeromonas, Pseudomonas. Referências: UpToDate, OMS.
D) Diálise de urgência não tem papel no afogamento. O principal problema é hipoxemia/lesão pulmonar, não “toxinas”. Diálise só seria considerada por outras indicações (IRA grave, intoxicação específica), o que não se aplica ao cenário descrito.
Pegadinhas da prova: não confundir “água doce vs salgada” como determinante do manejo agudo (diferenças fisiológicas são mínimas na prática). “Radiografia normal” no início não garante segurança. O termo “afogamento secundário” é impreciso; prefira “deterioração respiratória tardia”.
Referências essenciais: AHA/ILCOR – Drowning (últimas diretrizes de RCP); UpToDate: Drowning: initial evaluation and management; Harrison’s Principles of Internal Medicine – lesão pulmonar por aspiração; documentos OMS sobre afogamento.
Gabarito: B.
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