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Q4152615 Medicina
Leia o caso clínico a seguir.

Paciente do sexo feminino, de 45 anos, foi encaminhada ao serviço de hepatologia por apresentar astenia, prurido, icterícia e xantelasmas. Refere episódios anteriores de icterícia, além de “escurecimento” da urina (sic). Apresentava AST/ALT discretamente elevadas, com fosfatase alcalina e gama-GT acima de 10 vezes o limite superior da normalidade, além de aumento de bilirrubina total. Exames laboratoriais: anti-HCV negativo; HbsAg negativo; anti-Hbc IgM e IgG negativos; FAN negativo; anti-miticôndrias positivo e anti-LKM-1 negativo.

Nesse caso, o diagnóstico é:
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: D

Fundamento decisivo: O caso combina síndrome colestática crônica em mulher de meia-idade, com prurido, colúria, xantelasmas, FA e GGT acima de 10 vezes o limite superior e anticorpo antimitocôndria positivo; esse conjunto é altamente sugestivo de colangite biliar primária e define o gabarito D.

Tema central: Colangite biliar primária
Análise das alternativas
A
Errada
Incorreta. Hepatite autoimune costuma ter padrão predominantemente hepatocelular, com transaminases mais elevadas, além de autoanticorpos como FAN, ASMA ou anti-LKM1. Aqui, o padrão é colestático exuberante, com FA e GGT muito elevadas, AST/ALT discretamente aumentadas, FAN negativo, anti-LKM1 negativo e AMA positivo, o que desloca o diagnóstico para colangite biliar primária.
B
Errada
Incorreta. Colangite esclerosante primária também pode cursar com colestase, mas o enunciado não traz achado definidor por imagem biliar e, em vez disso, traz AMA positivo, que é o marcador clássico da colangite biliar primária no contexto descrito. Além disso, a apresentação típica fornecida pela base favorece mulher de meia-idade com PBC, não o perfil mais comum da colangite esclerosante.
C
Errada
Incorreta. Hepatite B crônica exige sorologia compatível com infecção pelo HBV, e o caso mostra HBsAg negativo e anti-HBc IgM e IgG negativos. Esse perfil afasta infecção atual ou prévia pelo HBV no contexto apresentado, portanto não sustenta hepatite B crônica.
D
Certa
A alternativa D está correta porque o caso reúne o fenótipo clássico de doença colestática autoimune dos pequenos ductos biliares intra-hepáticos: sintomas de colestase crônica, predomínio laboratorial de FA/GGT sobre transaminases e positividade do anticorpo antimitocôndria. A presença de xantelasmas reforça colestase prolongada, e o perfil sorológico viral negativo afasta hepatites B e C como explicação do quadro.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre doenças hepáticas autoimunes: ao ver icterícia e autoanticorpos, muitos marcam hepatite autoimune, mas o dado decisivo é que o padrão é colestático e o anticorpo característico é o antimitocôndria, o que aponta para colangite biliar primária.
Dica para questões semelhantes
  • Primeiro classifique o padrão enzimático: FA/GGT muito acima de AST/ALT indica colestase, não hepatite hepatocelular predominante.
  • Em mulher de meia-idade com prurido, colúria e xantelasmas, procure AMA: essa combinação favorece fortemente colangite biliar primária.
  • Não chame toda doença hepática autoimune de hepatite autoimune; diferencie lesão hepatocelular de doença biliar autoimune.
  • Leia a sorologia viral antes de considerar hepatite crônica viral como diagnóstico.

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