Antibioticoterapia em PAC Paciente com tosse produtiva, feb...
Antibioticoterapia em PAC
Paciente com tosse produtiva, febre 39°C e consolidação lobar à direita no RX. Qual esquema ANTIBIÓTICO é adequado para tratamento ambulatorial?
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Tema central: manejo ambulatorial da pneumonia adquirida na comunidade (PAC) com consolidação lobar, sugerindo etiologia bacteriana (principalmente Streptococcus pneumoniae), sem sinais de gravidade para internação.
Alternativa correta: C – Amoxicilina-clavulanato + Azitromicina
Por quê? Em PAC ambulatorial, deve-se cobrir típicos (S. pneumoniae, H. influenzae) e atípicos (Mycoplasma, Chlamydophila, Legionella). A amoxicilina-clavulanato oferece excelente cobertura para pneumococo e bacilos gram-negativos produtores de beta-lactamase; a azitromicina cobre atípicos e complementa o espectro. Este é um regime recomendado para ambulatoriais com maior risco etiológico ou necessidade de ampliar cobertura (ex.: comorbidades), segundo ATS/IDSA 2019 e diretrizes da SBPT. Doses usuais: amoxi-clav 875/125 mg 12/12h + azitromicina 500 mg no 1º dia, seguida de 250 mg/dia por 4 dias (ou 500 mg/dia por 3 dias). Referências: ATS/IDSA 2019; UpToDate; Diretrizes Brasileiras de PAC (SBPT); Harrison’s.
Raciocínio clínico: Tosse produtiva, febre alta e consolidação lobar no RX confirmam PAC. Ausência de sinais de choque, hipoxemia grave ou confusão sugere tratamento ambulatorial (CURB-65 provavelmente baixo). A escolha deve equilibrar eficácia e evitar excesso de espectro.
Por que as outras estão incorretas?
A – Vancomicina + Meropeném: Espectro excessivamente amplo (cobre MRSA e multirresistentes), IV e destinado a infecções graves hospitalares. Aumenta risco de nefrotoxicidade, C. difficile e seleção de resistência. Não é conduta ambulatorial nem alinhada a ATS/IDSA ou SBPT para PAC não grave.
B – Ciprofloxacino isolado: Não é fluoroquinolona respiratória; tem fraca atividade contra S. pneumoniae. Diretrizes recomendam levofloxacino ou moxifloxacino quando se opta por monoterapia com quinolona. Cipro é armadilha frequente em provas.
D – Penicilina G cristalina EV: Via intravenosa e cobertura estreita; não cobre H. influenzae produtor de beta-lactamase nem atípicos. Indicação clássica é para pneumococo sensível em regime hospitalar. Não é apropriada para manejo ambulatorial.
Dicas de prova e pegadinhas:
- Identifique o cenário (ambulatorial x hospitalar) e a gravidade (CURB-65) antes de escolher o antibiótico.
- Em ambulatoriais com comorbidades, preferir beta-lactâmico + macrolídeo (ou doxiciclina) ou uma quinolona respiratória em monoterapia (levo/moxi). Se aparecer ciprofloxacino, desconfie.
- Cobertura de atípicos é importante: macrolídeo atua no ribossomo 50S, alcançando patógenos intracelulares.
Fontes: ATS/IDSA 2019 CAP Guidelines; Diretrizes Brasileiras de PAC (SBPT); UpToDate (Community-acquired pneumonia in adults); Harrison’s Principles of Internal Medicine.
Gabarito: C
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