Manejo de Crise Hipertensiva Paciente gestante, 32 semanas,...

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Q3451897 Medicina

Manejo de Crise Hipertensiva


Paciente gestante, 32 semanas, PA 170/110 mmHg, proteinúria 2+. Qual a conduta?

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Tema central: manejo da crise hipertensiva na gestação, quadro compatível com preeclâmpsia com sinais de gravidade (PA ≥160/110 mmHg) em 32 semanas, associada a proteinúria.

Alternativa correta: C — Internação imediata + Sulfato de magnésio + Controle pressórico.

Justificativa clínica: PA de 170/110 mmHg configura hipertensão grave, que exige tratamento imediato para prevenir AVC, eclâmpsia e lesão de órgãos-alvo. A presença de proteinúria 2+ reforça o diagnóstico de preeclâmpsia. Conduta padrão: internar, iniciar sulfato de magnésio (ataque 4–6 g IV, manutenção 1–2 g/h) para profilaxia de eclâmpsia, e fazer antihipertensivos de ação rápida (labetalol IV, hidralazina IV, ou nifedipina VO de liberação imediata). Meta: reduzir PA para ~140–150/90–100 em 30–60 min, evitando quedas bruscas que reduzam perfusão placentária. Após estabilização, avaliar via de parto; com 32 semanas, considera-se corticoterapia para maturação pulmonar se possível, sem atrasar tratamento.

Diagnóstico em foco: Preeclâmpsia = PA ≥140/90 após 20 sem + proteinúria ou sinais de gravidade. Sinais de gravidade: PA ≥160/110, plaquetopenia, TGO/TGP elevadas, Cr elevado, EAP, cefaleia/escotomas. Aqui, a PA grave já define necessidade de manejo de emergência.

Análise das alternativas incorretas

A — Suspender anti-hipertensivos e reavaliar em 1 semana: inadequado e perigoso. Hipertensão grave exige intervenção imediata. Adiar aumenta risco materno-fetal.

B — Nifedipina 20 mg VO e alta: parcial. A nifedipina pode ser usada para controle agudo, mas é obrigatória a internação para monitorização, MgSO₄ e avaliação obstétrica. Alta domiciliar é contraindicada.

D — Diurético tiazídico e repouso: não indicado. Tiazídicos não são de escolha na preeclâmpsia aguda, pois reduzem volemia e podem piorar a perfusão útero-placentária. Diurético só tem papel em edema pulmonar (ex.: furosemida), não como controle primário da PA.

Dicas de prova: Diante de PA ≥160/110 em gestante, pense em emergência hipertensiva obstétrica: tratar em até 60 min, internar, usar MgSO₄ e anti-hipertensivo de ação rápida. “Dar nifedipina e liberar” é armadilha frequente. Evite tiazídicos na crise.

Referências essenciais: ACOG Practice Bulletin “Gestational Hypertension and Preeclampsia”; WHO Recommendations for Prevention and Treatment of Preeclampsia and Eclampsia; Ministério da Saúde/FEBRASGO – Hipertensão na gestação; UpToDate (acesso 2024).

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