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Q3615482 Enfermagem
Maria, puérpera de 3 dias, relata às profissionais da unidade de alojamento conjunto que sente as mamas endurecidas, quentes, doloridas e com sensação de peso. O recém-nascido está mamando, mas a mãe demonstra desconforto durante as mamadas. Sabendo que o técnico de enfermagem tem papel fundamental no cuidado à puérpera, sob supervisão da equipe de enfermagem, a conduta correta diante do quadro clínico descrito é:
Alternativas

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Tema central: quadro típico de ingurgitamento mamário no 3º dia pós-parto: mamas endurecidas, quentes, doloridas e pesadas, com o RN mamando mas com desconforto materno. Ausência de sinais sistêmicos sugere que não é mastite.

Alternativa correta: CAuxiliar com medidas não farmacológicas e manter a amamentação. Conduta baseada em diretrizes (OMS, Ministério da Saúde, ABM/UpToDate):

- Manter mamadas frequentes em livre demanda, começando pela mama mais tensa para facilitar a ejeção.
- Ajustar pega e posição (boca bem aberta, pega assimétrica, queixo tocando a mama).
- Massagem suave da periferia em direção à aréola e ordenha manual ou “pressão reversa suavizante” para amolecer a aréola e facilitar a pega.
- Compressas frias por 10–15 min após as mamadas para reduzir edema e dor; calor leve e breve apenas antes da mamada para facilitar a descida do leite.
- Analgésicos seguros (ex.: ibuprofeno) se necessário.
- Vigiar sinais de mastite (febre, mal-estar, eritema em cunha, piora local).

Raciocínio clínico: No ingurgitamento há estase de leite + edema intersticial pelo aumento súbito da produção láctea e congestão vascular; interromper mamadas piora a estase. O manejo correto é esvaziamento fisiológico pela sucção eficaz e medidas para reduzir edema/dor.

Por que as outras alternativas estão incorretas?

A) Suspender as mamadas: contraindicado. Aumenta estase, risco de mastite/abscesso, reduz transferência de leite e prejudica a lactação. Diretrizes OMS/MS indicam manter amamentação no ingurgitamento.

B) Antibiótico imediato por “mastite”: não há critérios de mastite (geralmente febre, dor localizada com eritema em cunha, mal-estar). Antibiótico é reservado para mastite bacteriana ou abscesso. No ingurgitamento, o pilar é manejo não farmacológico e continuidade da amamentação.

D) Compressas quentes contínuas e esvaziamento completo com bomba: calor contínuo aumenta vasodilatação e edema, podendo piorar dor. “Esvaziar completamente” com bomba pode hiperestimular produção (lei da oferta e demanda), perpetuando o ingurgitamento. Bomba só se o RN não conseguir mamar, e apenas o mínimo necessário para aliviar e facilitar a pega.

Dicas de prova e pegadinhas: No 3º–5º dia com quadro geralmente bilateral e sem febre, pense em ingurgitamento. Mastite costuma ter febre e área eritematosa localizada. “Suspender mamadas” e “bombear até esvaziar” são armadilhas clássicas.

Papel do técnico de enfermagem (sob supervisão): orientar pega e posicionamento, realizar/ensinar massagem e ordenha manual, aplicar compressas frias pós-mamada, monitorar sinais de complicação e comunicar à equipe, registrar intervenções e resposta da puérpera.

Referências essenciais: OMS – Counselling on breastfeeding; Ministério da Saúde – Atenção à Saúde do RN e Caderno de Atenção Básica: Aleitamento Materno; ABM Clinical Protocol #36: The Mastitis Spectrum (2022); UpToDate – Breast engorgement.

Gabarito: C

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