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Interpretação de Gasometria
Gasometria arterial de paciente com DPOC mostra: pH 7,28; PaCO₂ 68 mmHg; HCO₃ 32 mEq/L; PaO₂ 52 mmHg. Qual a interpretação?
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Tema central: interpretação de gasometria em paciente com DPOC, com foco em identificar o distúrbio ácido-básico principal e o grau de compensação.
Raciocínio passo a passo (estratégia de prova):
1) pH 7,28: há acidemia.
2) PaCO₂ 68 mmHg: elevado → sugere acidose respiratória como distúrbio primário.
3) HCO₃⁻ 32 mEq/L: aumentado → indica compensação renal (não causa primária metabólica).
4) PaO₂ 52 mmHg: hipoxemia, compatível com DPOC em exacerbação.
Checagem da compensação (fundamental!): Para acidose respiratória:
- Aguda: HCO₃⁻ sobe ~1 mEq/L a cada +10 mmHg de PaCO₂ acima de 40.
- Crônica: HCO₃⁻ sobe ~3,5–4 mEq/L a cada +10 mmHg.
Com PaCO₂ = 68 (Δ=28):
• Esperado agudo ≈ 24 + 2,8 = 26,8 mEq/L.
• Esperado crônico ≈ 24 + 9,8–11,2 = 33,8–35,2 mEq/L.
Achado: HCO₃⁻ = 32 (entre agudo e crônico) e pH mais baixo que o esperado para crônico → acidose respiratória com compensação renal parcial (agudo sobre crônico). Isso justifica a Alternativa C.
Comentário clínico: No DPOC, a retenção crônica de CO₂ eleva o HCO₃⁻. Em exacerbações, há aumento agudo da PaCO₂ antes de plena compensação renal, produzindo acidemia mais pronunciada. A hipoxemia reforça esse cenário de hipoventilação/alvelar e desmatch V/Q.
Análise das alternativas incorretas:
A) Acidose metabólica com anion gap aumentado: incompatível com HCO₃⁻ elevado (em acidose metabólica o HCO₃⁻ está reduzido). Além disso, não há dados de Na⁺/Cl⁻ para calcular ânion gap. Conceito não aplica aqui.
B) Alcalose metabólica descompensada: alcalose metabólica cursa com alcalemia (pH > 7,45) e HCO₃⁻ alto. Aqui há acidemia e PaCO₂ muito elevado, apontando distúrbio respiratório primário.
D) Tripla alteração acidobásica: requer evidências simultâneas de dois distúrbios metabólicos opostos + um respiratório. O HCO₃⁻ alto é explicável pela compensação; não há dados que sustentem acidose e alcalose metabólicas concomitantes.
Pegadinha comum: confundir HCO₃⁻ elevado com alcalose metabólica primária. Sempre defina primeiro o pH (acidemia vs alcalemia), depois identifique o distúrbio primário e, por fim, verifique se o HCO₃⁻/PaCO₂ está no intervalo de compensação esperado.
Referências: Harrison’s Principles of Internal Medicine; UpToDate – “Simple and mixed acid-base disorders”; Diretrizes GOLD (DPOC) para contexto clínico de exacerbação e gasometria.
Gabarito: C) Acidose respiratória com compensação renal parcial.
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