“Eram quatro apenas: um velho, dois homens feitos e uma cria...

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Q3880019 Português
ATENÇÃO: o texto a seguir, que é a última página do livro Os Sertões, de Euclides da Cunha, refere-se à  questão.


Canudos não se rendeu


    Fechemos este livro.

    Canudos não se rendeu. Exemplo único em toda a história, resistiu até ao esgotamento completo. Expugnado palmo a palmo, na precisão integral do termo, caiu no dia 5, ao entardecer, quando caíram os seus últimos defensores, que todos morreram. Eram quatro apenas: um velho, dois homens feitos e uma criança, na frente dos quais rugiam raivosamente 5 mil soldados.

    Forremo-nos à tarefa de descrever os seus últimos momentos. Nem poderíamos fazê-lo. Esta página, imaginamo-la sempre profundamente emocionante e trágica; mas cerramo-la vacilante e sem brilhos.

    Vimos como quem vinga uma montanha altíssima. No alto, a par de uma perspectiva maior, a vertigem...

    Ademais, não desafiaria a incredulidade do futuro a narrativa de pormenores em que se amostrassem mulheres precipitando-se nas fogueiras dos próprios lares, abraçadas aos filhos pequeninos...

    [...] Caiu o arraial a 5. No dia 6 acabaram de o destruir desmanchando-lhe as casas, 5.200, cuidadosamente contadas.
“Eram quatro apenas: um velho, dois homens feitos e uma criança, na frente dos quais rugiam raivosamente 5 mil soldados.”

Nesse segmento o termo “dos quais” retoma um termo anterior – “um velho, dois homens feitos e uma criança”.

Nas opções a seguir, de citações diversas, há termos destacados que são referidos na continuidade da frase. Assinale aquela em que essa segunda referência é feita por um termo cognato.
Alternativas

Comentários

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Termo cognato é aquele com uma origem semelhante:

Viver é raciocinar. E o raciocínio é o supremo bem da vida. Quem raciocina não sofre.

entendi bulhufas

A questão não é difícil, visto que é um conteúdo incessantemente cobrado pelo banca. Vejamos a resolução da questão abaixo:

  • A) “Muitos julgam cumprir o seu dever pronunciando aforismos abstratos para uso alheio em vez de pregar por meio de exemplo.”
  • pronunciando aforismos abstratos x ? *

  • B) Qualquer coisa que faças, faze-o com prudência e considera o fim.”
  • qualquer coisa é referido pelo pronome o.
  • coesão pelo emprego de pronomes.

  • C) “Nunca fazemos bem alguma coisa enquanto não paramos de pensar na maneira de fazê-la.”
  • qualquer coisa é retomado pelo pronome a.
  • coesão pelo emprego de pronomes.

  • D) “Viver é raciocinar. E o raciocínio é o supremo bem da vida. Quem raciocina não sofre.”
  • Raciocinar é retomado por o raciocínio.**
  • coesão pelo emprego de termos cognatos.

  • E) “Água, água por toda a parte, e nenhuma gota para beber.”
  • água é retomado por gota.
  • Coesão pelo emprego de termos sinônimos (ou sinônimos contextuais).

Obs.: Dois adendos devem ser feitos, o primeiro quanto à letra A; o segundo, quanto à letra D.

*Quanto à letra A, não se observa coesão por referenciação, pois não há elemento que retome ou substitua a expressão “pronunciando aforismos abstratos”. O mecanismo coesivo presente é de oposição, introduzido pela locução “em vez de”, a qual estabelece contraste entre duas ações, garantindo a progressão textual, mas que não se configura como coesão referencial.

**No tocante à letra D, cumpre esclarecer que termos cognatos são aqueles oriundos (provenientes) de uma mesma raiz (ou radical), mas que pertençam a classes gramaticais distintas. É o que se verifica, por exemplo, em “estudar” (verbo) e “estudante” (substantivo), em que cada palavra possui sua classe gramatical, embora possuam uma mesma base comum ( "estud-" ). Conclui-se, portanto, que a cognaticidade pressupõe identidade de base lexical comum (isto é: palavras de mesma base), podendo manifestar-se em diferentes classes gramaticais, como verbo e substantivo, verbo e adjetivo, ou mesmo substantivo e adjetivo. P. ex.:

  • 1. Ele decidiu estudar mais. O estudo constante trouxe bons resultado.
  • Estudar = verbo / o estudo = substantivo. (coesão por termos cognatos)

  • 2. Precisamos analisar o problema com cuidado. Essa análise exige atenção.
  • Analisar = verbo / análise = substantivo. (coesão por termos cognato)

  • 3. Ela vive intensamente. A vida, para ela, é movimento.
  • vive = verbo / a vida = substantivo. (coesão por termos cognato)

O mesmo também ocorre na letra D, em que "raciocinar" é um verbo e "raciocínio" é substantivo, ambos provenientes de mesma base lexical (ou seja, possuem a mesma raiz = "raciocina-") e pertencem a classes gramaticais diferentes.

  • D) Viver é raciocinar. E o raciocínio é o supremo bem da vida. Quem raciocina não sofre.
  • racionar = verbo / o raciocínio = substantivo. (coesão por termos cognato)

Gabarito letra D.

Termos cognatos são palavras que compartilham a mesma origem etimológica, resultando em grafia e significados semelhantes ou idênticos.

No caso da letra [e] temos a única assertiva com em que na frase existem outras palavras oriundas da mesma origem da palavra destacada "raciocinar": "raciocínio" e "raciocina".

Examinador fã de Iron Maiden

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