Interpretação de Texto Clínico Leia atentamente o seguinte ...
Interpretação de Texto Clínico
Leia atentamente o seguinte fragmento de uma anamnese: "Paciente relata dor epigástrica em queimação, associada a pirose e regurgitação, sem melhora com uso de inibidor de bomba de prótons (IBP)." Com base no texto, o termo "pirose" refere-se especificamente a:
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Tema central: interpretação de sintoma gastrointestinal. O termo pirose designa a sensação de queimação retroesternal, classicamente relacionada à doença do refluxo gastroesofágico (DRGE). Em linguagem leiga, é a “azia”.
Alternativa correta: A — Pirose é a queimação atrás do esterno, podendo irradiar para garganta, piorar após refeições volumosas, gordurosas, álcool, café ou ao deitar, e melhorar com antiácidos. É o sintoma típico de DRGE (Harrison’s; UpToDate; Diretriz ACG/2022).
Raciocínio clínico: No fragmento, há “dor epigástrica em queimação” associada a pirose. Cuidado com a pegadinha: dor epigástrica sugere dispepsia, mas “pirose” é queimação retroesternal. A coexistência de ambos é comum. Falha a IBP pode sinalizar uso inadequado (não 30–60 min antes das refeições), DRGE refratária, “functional heartburn”, ou outro diagnóstico (ACG/2022).
Por que as demais estão incorretas?
- B — Dor em pontada no hipocôndrio direito sugere cólica biliar/colecistopatia (pós-gordura, irradiação para dorso/escápula, sinal de Murphy). Não é pirose e não é retroesternal.
- C — Náuseas pós-prandiais caracterizam dispepsia (orgânica ou funcional) e não definem pirose. Dispepsia envolve plenitude, saciedade precoce, dor/ardor epigástrico; pirose é retroesternal (ACG Dispepsia/2022; UpToDate).
- D — Distensão abdominal pós-prandial remete a dispepsia ou SII, não a pirose. A topografia e qualidade da dor diferem.
Estratégias de prova:
- Associe pirose = azia = queimação retroesternal.
- Dispepsia tipicamente é epigástrica (não retroesternal): náuseas, plenitude, saciedade precoce.
- Se houver falha ao IBP, verifique dose/horário (30–60 min antes da 1ª refeição), adesão e considere pHmetria/impedanciometria e EDA se sinais de alarme.
Referências essenciais: Harrison’s Principles of Internal Medicine; UpToDate: “Clinical manifestations and diagnosis of GERD”; American College of Gastroenterology Guideline for GERD (2022); ACG Guideline on Functional Dyspepsia (2022).
Gabarito: A
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