A sexualidade na Grécia Antiga era estruturada por normas so...
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Gabarito comentado
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Alternativa correta: E
Tema central: A questão aborda a sexualidade na Grécia Antiga, especialmente a pederastia e as normas sociais que regulavam comportamentos segundo status, idade e papéis de gênero, e não segundo identidades fixas como “hetero” ou “homo”.
Resumo teórico: Na pólis patriarcal, a moral sexual valorizava o papel ativo do cidadão adulto e preservava a honra das mulheres cidadãs. Relações entre homens eram socialmente conhecidas, sobretudo na pederastia (relacionamento entre erastés, adulto, e erómenos, jovem). O foco era pedagógico e aristocrático, mas com dimensão erótica; o que importava era não desonrar o jovem cidadão e manter a moderação. Categorias modernas de orientação sexual não eram parâmetro de identidade individual.
Fontes de referência: Kenneth Dover, “Greek Homosexuality”; Michel Foucault, “História da Sexualidade II: O Uso dos Prazeres”; Eva Cantarella, “Bisexuality in the Ancient World”; Thomas K. Hubbard (org.), “Homosexuality in Greece and Rome”; Platão, “Banquete”.
Por que a E está correta? Porque na Grécia Antiga a identidade sexual não era rigidamente definida: um cidadão podia ter relações com mulheres, rapazes, escravos ou hetairas sem que isso o classificasse numa “orientação” fixa. O eixo normativo era papel ativo/passivo, idade e status, não a preferência exclusiva por um sexo.
Análise das incorretas:
A – Falsa. A pederastia tinha dimensão sexual reconhecida, ainda que regulada por códigos de honra e educação. Dizer “estritamente pedagógica” é exagero.
B – Falsa. Não eram “amplamente condenadas”. Havia regulação, não marginalização generalizada; o estigma recaía sobretudo sobre o adulto passivo e sobre condutas vistas como desmedidas.
C – Falsa. Casamentos eram, em geral, arranjados; esposas de cidadãos tinham baixa participação pública e não frequentavam simposia, reservados a homens e hetairas.
D – Falsa. Não havia proibição rígida de toda relação extraconjugal. O que era punido era, sobretudo, o adultério com mulher cidadã (moicheía); relações com escravas/prostitutas eram toleradas.
Estratégia de prova: Desconfie de termos absolutos como “estritamente”, “amplamente condenadas”, “rigidamente” e “exclusivamente”. Em História Antiga, normas variam por contexto social e status; alternativas com absolutismos tendem ao erro.
Essência para memorizar: Na Grécia Antiga, o critério era papel social e moderação, não “orientação” no sentido moderno. Pederastia = relação educativa + erótica, regulada por idade e status.
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Comentários
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Nem as provas de concursos escapam das ideologias, sinceramente.
Está na história. É para se estudar.
Tem que ser um asno mesmo para achar que os concursos "não escapam da ideologia"... É literalmente uma prova para PROFESSOR DE HISTÓRIA, o qual tem a função crítica e analítica de estudar A HISTÓRIA!
Concordando ou não, caro concurseiro, hoje se entende que a pederastia grega era uma prática comum e aceitável dentro de tal sociedade a mesma visava a transmissão de conhecimentos referentes à pedagogia, aristocracia, valores morais e sociais. O homem mais velho admirava o mais novo pelas suas qualidades masculinas e o mais novo admirava o mais velho pela sua vivência e experiência.
Fonte: HOMOEROTISMO NA GRÉCIA ANTIGA – HOMOSSEXUALIDADE E BISEXUALIDADE,MITOS E VERDADES
LUIZ CARLOS PINTO CORINO*
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