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Q3505608 História
“O crash da Bolsa de Nova York (em outubro de 1929) foi acompanhado de longe pelo grande público, apesar dos suicídios de especuladores arruinados, atirando-se pelas janelas dos prédios de Manhattan, terem aparecido nas capas dos jornais. Enquanto se multiplicavam as falências e demissões, o pânico monetário e financeiro e as bancarrotas estatais, o primeiro plano da cena era ocupado por peritos governamentais e encontros diplomáticos. [...] Uma monstruosa desordem material e humana. Locomotivas brasileiras consumiam o café que não mais podia ser vendido [...], estoques se acumulavam, empresas fechavam suas portas; milhões de pessoas se viam sem emprego, portanto sem recursos e sem dignidade, na maioria das vezes sem proteção social, incapazes de pagar seus aluguéis, reduzidas à espera das distribuições gratuitas de alimentos e agasalhos, levadas ao despejo, à mendicidade, à revolta.”
(GAZIER, Bernard. A crise de 1929: uma breve introdução. São Paulo: L&PM, 2009. p. 4.)

Considerando a relação entre a crise de 1929 e as características estruturais do capitalismo, marque a alternativa correta.
Alternativas

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Alternativa correta: E

Tema central: A questão aborda a Crise de 1929 (Grande Depressão) e sua relação com contradições estruturais do capitalismo, especialmente a diferença entre crescimento da produção e restrição do consumo.

Resumo teórico: O capitalismo estimula a produção em larga escala e busca maximizar lucros, o que, sem distribuição igualitária de renda, limita o poder de compra da maioria. Em 1929, houve superprodução: fábricas e fazendas aumentaram a oferta, mas os salários não acompanhavam esse crescimento, gerando estoques encalhados e queda nos preços. Essa discrepância entre produção e consumo levou ao colapso econômico mundial, mostrando uma contradição interna do sistema. Autores como Eric Hobsbawm e Paul Singer analisam esses mecanismos no contexto do capitalismo industrial.

Justificativa da alternativa correta (E):

A opção E acerta ao afirmar que a crise decorreu de uma contradição intrínseca ao capitalismo: produção crescente versus consumo limitado, provocado pela concentração de renda e pela exploração da mão de obra assalariada. Essa disparidade impede que a população consuma tudo o que é produzido, levando à superprodução e, consequentemente, à crise.

Análise das alternativas incorretas:

AIncorreta: Afirma que a crise foi causada por fatores externos (Europa), mas o principal fator foi interno, ligado à economia dos EUA e ao seu próprio sistema produtivo.

BIncorreta: Diz que o mercado se autorregulou rapidamente, o que está errado. A crise só foi atenuada com intervenção estatal (New Deal), não pelos mecanismos automáticos do mercado.

CIncorreta: Afirma que o consumo aumentou proporcionalmente à produção, o que é falso; o consumo ficou muito abaixo da produção. Também erra ao atribuir a crise apenas à desvalorização cambial ou a decisões pontuais do governo.

DIncorreta: Reduz a crise a um problema bancário, desconsiderando a importância da superprodução e da estrutura do capitalismo.

Estratégia para interpretar: Fique atento a generalizações ou explicações simplistas. Nas questões sobre História Econômica, analise sempre causas estruturais e evite respostas baseadas apenas em eventos pontuais ou externos.

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Comentários

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90% da renda nacional estadunidense estava concentrada nas mãos de 13% da população

Letra E.

Gabarito E

A Crise de 1929 foi marcada por uma situação de superprodução, em que a capacidade produtiva cresceu mais rapidamente do que a capacidade de consumo de grande parte da população.

A concentração de renda e os limites do mercado consumidor contribuíram para o acúmulo de estoques e para a queda dos lucros, fatores que ajudaram a desencadear o colapso econômico iniciado com a quebra da bolsa de valores e aprofundado pela retração da atividade econômica.

CFOPMBA

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