“Ao saber da renúncia e do veto militar à posse do vice-pres...
(FERREIRA, Jorge; NEVES, Lucília de Almeida (Orgs.). O tempo da experiência democrática: da democratização de 1945 ao golpe civil-militar de 1964: Terceira República (1945-1964). Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2019. p. 290.)
A crise política gerada pela renúncia de Jânio Quadros e a resistência à posse de João Goulart evidenciou as tensões internas do Brasil e sua inserção na polarização global, no contexto da Guerra Fria. Considerando esse cenário, assinale a afirmativa correta.
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Alternativa correta: C
Tema central da questão:
A questão aborda a Campanha da Legalidade, movimento liderado por Leonel Brizola após a renúncia do presidente Jânio Quadros, em 1961. Ela trata das tensões políticas internas no Brasil e da influência da Guerra Fria no contexto brasileiro, principalmente na resistência de setores militares à posse de João Goulart (Jango).
Resumo teórico:
Com a renúncia de Jânio Quadros, João Goulart, vice-presidente, deveria assumir. Porém, setores conservadores das Forças Armadas se opuseram, temendo que Jango implementasse políticas de esquerda, alinhadas ao bloco socialista, especialmente após a Revolução Cubana (1959). Brizola liderou a Campanha da Legalidade, defendendo a posse legítima de Goulart e enfrentando resistências alinhadas à doutrina de segurança nacional, que via o comunismo como ameaça. (Fonte: FERREIRA & NEVES, 2019).
Justificativa da alternativa correta (C):
A alternativa C está correta ao afirmar que a resistência militar à posse de Goulart refletia a doutrina da segurança nacional. Essa doutrina, adotada por muitos militares no Brasil durante a Guerra Fria, via qualquer aproximação ao socialismo como ameaça à ordem, especialmente após o exemplo cubano. Assim, a oposição a Goulart era motivada pelo medo da influência comunista e da instabilidade política.
Análise das alternativas incorretas:
A) Incorreta. Os EUA não apoiaram a posse de Goulart; pelo contrário, temiam uma guinada à esquerda e viam seu governo com desconfiança, dado o contexto da Guerra Fria.
B) Incorreta. Não houve intervenção direta da URSS na crise, nem envio de armas ou recursos. Essa afirmação não tem respaldo histórico.
D) Incorreta. Goulart só conseguiu assumir após a implantação do parlamentarismo, como solução de compromisso, e enfrentou forte resistência dos setores conservadores e do bloco capitalista.
E) Incorreta. A questão da Legalidade não foi algo isolado do contexto da Guerra Fria; tanto EUA quanto URSS acompanhavam de perto a política latino-americana, em especial após a Revolução Cubana.
Estrategicamente, fique atento a palavras como "amplo apoio", "diretamente", "imediata implementação" ou "independente da Guerra Fria", pois costumam ser exageros generalizantes que raramente correspondem à realidade histórica.
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A resistência militar à posse de Goulart refletia a doutrina da segurança nacional defendida pelos setores conservadores das Forças Armadas, que temiam a ascensão de um governo alinhado ao bloco socialista e influenciado pela Revolução Cubana.
Durante a Guerra Fria, os setores conservadores das Forças Armadas brasileiras adotavam a doutrina da segurança nacional, que via qualquer governo com tendências à esquerda (como o de Goulart, com suas reformas de base) como ameaça comunista.
A Campanha da Legalidade, liderada por Leonel Brizola, buscou garantir a posse do vice-presidente em respeito à Constituição, enfrentando a resistência militar e a tensão geopolítica da época.
NO MAIS, GABARITO C
Após a renúncia de Jânio Quadros em 1961, o vice-presidente João Goulart deveria assumir a presidência. No entanto, parte dos militares e setores conservadores eram contra sua posse, pois o consideravam próximo de ideias de esquerda.
Para impedir que ele assumisse com plenos poderes, houve uma forte crise política no país. Enquanto isso, ocorreu a Campanha da Legalidade, liderada por Leonel Brizola, que defendia o cumprimento da Constituição e a posse de Goulart.
Como solução de compromisso, foi implantado o parlamentarismo no Brasil. Nesse sistema, João Goulart pôde assumir, porém com poderes reduzidos, passando a exercer o cargo de chefe de Estado, enquanto o chefe de governo (com mais poder) era o primeiro-ministro.
Assim, Goulart não assumiu inicialmente como presidente com plenos poderes, mas sim dentro de um regime parlamentarista, como forma de evitar um conflito maior com os militares.
É importante destacar que não havia unanimidade entre os militares. Enquanto uma parte era contrária à posse de Goulart, outra defendia o respeito à Constituição e apoiava sua chegada ao poder. Essa divisão interna foi fundamental para que se chegasse a um acordo político.
O parlamentarismo foi, portanto, uma solução negociada entre civis e militares: permitia a posse de João Goulart, mas limitava seus poderes, reduzindo o temor dos grupos que se opunham a ele. Esse acordo evitou, naquele momento, um golpe militar imediato e garantiu uma saída intermediária para a crise política.
Gabarito C
A resistência militar à posse de João Goulart realmente se relacionou à Doutrina de Segurança Nacional, que orientava setores conservadores das Forças Armadas na lógica da Guerra Fria.
Nesse contexto, havia o temor de que Goulart fosse aproximado de ideias socialistas, especialmente após a Revolução Cubana, somado às tensões políticas internas e às propostas de reformas de base.
CFOPMBA
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