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Q3505596 História
“Hans Staden nasceu em Homberg, na província prussiana de Hesse-Nassau, por volta de 1520. Participou como artilheiro de duas viagens ao Brasil. A primeira iniciou-se em Kampen, na Holanda, em 29 de março de 1547, e se dirigiu para Lisboa. Staden atravessou o Atlântico no navio comandado pelo capitão Penteado, participou de batalhas contra os franceses em Pernambuco, voltando a Lisboa em 8 de outubro de 1548. A segunda viagem iniciou-se dois anos depois, rumo ao Rio da Prata, região onde se supunha haver ouro. Embarcado em navio espanhol, Staden naufragou junto com a tripulação no litoral de Itanhaém, São Vicente.”
(VAINFAS, Ronaldo (Org.). Dicionário do Brasil colonial (1500- 1808). Rio de Janeiro: Objetiva, 2001. p. 278.)

A biografia do aventureiro alemão Hans Staden (1525-1576) contribui para a compreensão das dinâmicas internas do Brasil Colonial, marcadas pelo envolvimento, confronto e alianças estratégicas entre povos indígenas e invasores europeus. Considerando esse contexto, assinale o item que apresenta corretamente essas dinâmicas de disputa.
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Alternativa correta: C

Tema central: A questão aborda as relações entre indígenas e europeus no Brasil Colonial, destacando alianças, confrontos e estratégias de sobrevivência, usando como exemplo a experiência de Hans Staden, um aventureiro alemão capturado pelos tupinambás.

Resumo teórico: A colonização do Brasil foi marcada por intensa interação entre europeus e povos indígenas. Os tupinambás, por exemplo, aliaram-se aos franceses, enquanto tupiniquins se aproximavam dos portugueses. Essas alianças tinham fins estratégicos, como acesso a armas e proteção. Hans Staden, em seu clássico relato (“História verdadeira e descrição de uma terra de selvagens”, 1557), descreve como, capturado pelos tupinambás, usou estratégias para evitar ser morto, dizendo-se alemão e amigo dos franceses, inimigos dos portugueses.

Fonte: VAINFAS, Ronaldo (Org.). Dicionário do Brasil Colonial; STADEN, Hans. “Duas viagens ao Brasil”.

Justificativa da alternativa C: Staden realmente foi capturado pelos tupinambás, que eram aliados dos franceses. Por ser confundido com português, estava em perigo de morte e, para sobreviver, alegou diversas nacionalidades e alianças, tentando mostrar-se útil ou neutro aos indígenas. Isso demonstra claramente as dinâmicas de disputa e negociação entre indígenas e europeus.

Análise das alternativas incorretas:

A: Incorreta. Os indígenas não eram submissos aos europeus. Os tupinambás atacavam estrangeiros considerados inimigos e a submissão não existia, ao contrário, havia resistência e conflito.

B: Incorreta. A captura de Staden não ocorreu durante invasão holandesa, nem houve mediação de capitão holandês. Os eventos relatados ocorreram no período de alianças com franceses, não holandeses.

D: Incorreta. O relato de Staden não confirma uma suposta ausência de organização indígena. Os tupinambás tinham complexas estruturas sociais, e o argumento de primitivismo é um preconceito eurocêntrico, rejeitado pela historiografia atual.

E: Incorreta. Staden não atuou como missionário nem converteu indígenas durante o cativeiro. Sua preocupação principal era sobreviver, não evangelizar.

Estratégia: Atenção às palavras-chave do enunciado ("dinâmicas de disputa", "confronto", "alianças estratégicas"). Elimine opções que simplificam ou distorcem a complexidade das relações indígenas-europeus, ou que apresentam imprecisões históricas.

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Resposta c

Hans Staden foi capturado pelos tupinambás, aliados dos franceses contra os portugueses. Considerado inimigo por ser visto como português, enfrentaria o ritual canibal. Para sobreviver, Staden se declarou alemão, depois amigo e parente dos franceses, e por fim francês e inimigo dos portugueses.

Hans Staden trabalhava como artilheiro para os portugueses no Forte de São Filipe (em Bertioga), na capitania de São Vicente. Ao ser capturado pelos Tupinambás, ele caiu nas mãos de um grupo que era aliado ferrenho dos franceses e inimigo mortal dos portugueses (a quem chamavam de "Peros"). Como Staden estava a serviço de Portugal, os indígenas o identificaram como um inimigo que deveria ser sacrificado no ritual antropofágico.

A estratégia de sobrevivência dele foi justamente tentar provar que não era português, mas sim um "amigo dos franceses" (alemão), já que os franceses eram os "Mair" (aliados dos Tupinambás)

Alternativa A: Está incorreta porque os indígenas não eram submissos nem tinham medo absoluto das armas europeias. O relato de Staden mostra guerreiros organizados e corajosos que enfrentavam os colonizadores e os capturavam com frequência.

Alternativa B: Erra o contexto temporal e geográfico. As invasões holandesas ocorreram no século XVII (principalmente no Nordeste), enquanto Hans Staden esteve no Brasil no século XVI, período de disputa entre portugueses e franceses.

Alternativa D: Essa visão de "estado primitivo e caótico" era um preconceito europeu da época para justificar a dominação. Na prática, os Tupinambás tinham uma organização social, política e religiosa complexa, com regras claras para a guerra e para o ritual da antropofagia.

Alternativa E: Staden era um mercenário e artilheiro, não um missionário. Embora ele usasse sua fé cristã para tentar impressionar ou amedrontar os captores (alegando que seu Deus castigaria a tribo), ele nunca teve a função ou o sucesso de converter os indígenas ao cristianismo.

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