Paciente do sexo feminino, 45 anos, com histórico de tosse s...
Paciente do sexo feminino, 45 anos, com histórico de tosse seca, febre baixa e dispneia progressiva há 3 semanas. Na avaliação clínica apresenta-se taquipneica, com saturação de oxigênio de 89% em ar ambiente, ausculta pulmonar com crepitações difusas. Exames laboratoriais: hemoglobina 12 g/dL (12-16), leucócitos 12.000/mm³ (4.000-10.000), plaquetas 280.000/mm³ (150.000-400.000), PCR 100 mg/L (0-5), LDH 600 U/L (120-246), D-dímero > 5.000 ng/mL (< 500). Radiografia de tórax: opacidades alveolares bilaterais. Qual o diagnóstico mais provável para esse caso clínico?
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Tema central: A questão avalia o conhecimento sobre Síndrome do Desconforto Respiratório Agudo (SDRA) e diferenciação entre causas infecciosas ou inflamatórias graves de insuficiência respiratória aguda, com base em critérios clínicos, laboratoriais e radiológicos.
Justificativa da alternativa correta – D) SDRA:
A paciente apresenta dispneia progressiva, taquipneia, hipoxemia relevante (saturação O2 89%), crepitações pulmonares, PCR e LDH elevados, leucocitose e opacidades alveolares bilaterais na radiografia. Esses achados atendem plenamente a Definição Global de SDRA (BMJ Best Practice, 2024):
- Início agudo
- Opacidades bilaterais não justificadas por outras causas
- Hipoxemia (SpO2/FiO2 ≤315)
- Ausência de causa cardíaca predominante
O D-dímero muito elevado reflete intensa ativação inflamatória, característica em SDRA, onde ocorre permeabilidade capilar aumentada e resposta inflamatória alveolar difusa. O quadro clínico e laboratorial afasta causas unilaterais ou crônicas de insuficiência respiratória.
Análise das alternativas incorretas:
A) Pneumonia por Streptococcus pneumoniae: Geralmente causa quadros agudos, frequentemente com consolidações unilaterais e evolução mais rápida. Febre costuma ser mais alta e expectoração comum. Não explica opacidades bilaterais difusas e PCR/LDH tão altos.
B) Pneumonia por Legionella pneumophila: Apesar de causar quadros graves e síndromes pulmonares, normalmente associa-se a sintomas sistêmicos (gastrointestinais, neurológicos) e não costuma gerar opacidades bilaterais difusas típicas de SDRA, nem D-dímero elevado desta magnitude.
C) Pneumonia por Pneumocystis jirovecii: Muito associada a imunodeprimidos. A paciente não apresenta fatores de risco conhecidos (ex. HIV, transplante). Opacidades bilaterais podem ocorrer, mas geralmente sem tanta elevação de marcadores inflamatórios e D-dímero.
E) Tuberculose pulmonar: Curso geralmente subagudo/crônico, manifestação radiológica tipicamente cavitária ou micronodular, não bilateral alveolar; evolução costuma ser mais arrastada e ausência de hipoxemia intensa inicial.
Destaque para estratégia de prova: Atenção a detalhes: opacidades bilaterais e marcadores inflamatórios grave e hipoxemia significativa são chave para afastar pneumonias clássicas e apoiar SDRA.
Diretriz de referência: Conforme o BMJ Best Practice 2024: “Um diagnóstico de SDRA pode ser feito se o paciente atender a todos os seguintes critérios: início agudo, opacidades bilaterais à radiografia, hipoxemia e ausência de explicação cardíaca primária.”
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