Em português, as palavras passam por diversos processos de ...

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Q3505534 Português
   Desde que me lembro por gente, sempre gostei muito da escola. No Ensino Médio, como estudei em ETEC, precisei escolher um técnico. Das minhas opções a que mais calhava era Técnico em Saneamento. No fim do Ensino Médio, por pura pressão, acabei escolhendo Química Tecnológica na UNICAMP. Fui por impulso, orgulhosa por ‘não estar perdendo tempo’, direto do Ensino Médio pra faculdade, sem saber ao certo o que queria. Logo arrumei um emprego e estudava à noite. Foi quase um ano e meio assim. Nunca me senti apaixonada pela graduação, mas sempre colocava a culpa em trabalhar de dia, dormir pouco, morar longe... Até que resolvi largar o emprego para ver se melhorava. Mas eu estava tão confusa e exausta da vida a esse ponto, que percebi que não trabalhar mais não ajudou em nada na minha motivação, só piorou.

   Eu empurrava meus dias com a barriga e uma certeza cresceu em mim, um sentimento, de que ali não era meu lugar. Em questão de uma semana tranquei meu curso, sem ideia do que queria fazer do meu futuro. Foi uma época de rompimento total com tudo, na parte afetiva, profissional e acadêmica. Estava perdida, mas sabia que no sentido certo.

   Depois disso, fui deixando a vida me levar, entregando currículos, até que por uma coincidência, comecei como Jovem Aprendiz em um banco. Gostei da área, fui pesquisar cursos a respeito e me interessei muito por Economia. Comecei Ciências Econômicas numa faculdade pequena. A decisão não foi difícil de tomar em nenhum momento porque em algum lugar eu já sentia que a vida que eu tentei levar não era pra mim. Hoje, consegui um emprego fixo como efetiva no banco e estou muito feliz com isso. Agora sim, sinto que achei o meu lugar. Talvez não pra sempre, mas pelo menos por hora. Não me arrependo de ter feito nada na vida. Pra mim não foi perda de tempo. Consigo ver que misturei uma paixão, hobbie e a conexão com a natureza que sempre senti com a minha vocação profissional.


YARA SZLACHKA, BANCÁRIA, 20 ANOS. Revista Ler & saber. Ano 2 – nº 28 (adaptado)
Em português, as palavras passam por diversos processos de formação. No trecho “Nunca me senti apaixonada pela graduação”, a palavra em destaque passa por dois processos.
1º: paixão → apaixonar – de substantivo para verbo 2º: apaixonar → apaixonada – de verbo para adjetivo
Estes dois processos de formação são denominados, respectivamente, como
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Comentários

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Paixão → apaixonar

  • Temos um substantivo ("paixão") dando origem a um verbo ("apaixonar").
  • Isso ocorre com o acréscimo do prefixo a- e do sufixo -ar ao mesmo tempo: a + paixão + ar → apaixonar.
  • Esse processo se chama derivação parassintética (porque precisa tanto do prefixo quanto do sufixo juntos).

Apaixonar → apaixonada

  • Aqui, o verbo vira adjetivo por meio da adição do sufixo -ado(a).
  • Isso é derivação sufixal.

✅ Portanto, os dois processos são: derivação parassintética e derivação sufixal.

Resposta correta: E

Dicas rápidas:

  • Parassintética: prefixo + sufixo ao mesmo tempo → não existe só um.
  • Sufixal: acréscimo de sufixo → muda classe ou significado.
  • Prefixal: acréscimo de prefixo → geralmente negação, repetição, etc.
  • Composição: duas palavras juntas → pode ser justaposição ou aglutinação.

Erro:

  • paixão → apaixonar não é apenas prefixal. Há prefixo + sufixo simultâneo, caracterizando derivação parassintética, não derivação prefixal isolada.

Erro:

  • paixão → apaixonar não é só sufixal, envolve também o prefixo a- → é parassintética.
  • Só a segunda etapa (apaixonar → apaixonada) é sufixal.

Erro:

  • Confunde derivação parassintética com “prefixal e sufixal” aplicados separadamente.
  • Na derivação parassintética, prefixo e sufixo são aplicados juntos, não isoladamente.

Erro:

  • apaixonar → apaixonada não é flexão de gênero.
  • A mudança de verbo para adjetivo ocorre por acréscimo do sufixo -ada, ou seja, derivação sufixal.

Correta:

  1. paixão → apaixonarderivação parassintética (prefixo a- + sufixo -ar simultâneo).
  2. apaixonar → apaixonadaderivação sufixal (acréscimo de -ada → verbo → adjetivo).

o grande X está entre letra C e Letra D

"derivação prefixal e sufixal e derivação sufixal"

  • Ela sugere que a primeira etapa (paixão → apaixonar) é prefixal e sufixal aplicados separadamente.
  • Problema: Na verdade, paixão → apaixonar é um caso de derivação parassintética, ou seja, o prefixo a- e o sufixo -ar são aplicados ao mesmo tempo. Não dá para separar.
  • Então a descrição de C é imprecisa, mesmo que a segunda parte (apaixonar → apaixonada) esteja correta (sufixal).

"derivação parassintética e flexão de gênero"

  • Aqui, a primeira etapa está correta: paixão → apaixonar é derivação parassintética.
  • O erro está na segunda etapa: apaixonar → apaixonada.
  • Problema: Não é flexão de gênero.
  • Flexão de gênero altera substantivo ou adjetivo masculino/feminino sem mudar a classe gramatical: amigo → amiga.
  • Aqui há mudança de classe (verbo → adjetivo) por derivação sufixal (-ado/-ada).

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