O verbo indicado entre parênteses deverá flexionar-se de mod...

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Q2738681 Português

Atenção: Para responder às questões de números 1 a 6, baseie-se no texto abaixo.

Juventude de hoje, de ontem e de amanhã

A juventude é estranha porque é a velhice do mundo passada indefinidamente a limpo. Uma geração lega à outra um magma de erros e sabedoria, de vícios e virtudes, de esperanças e desilusões. O jovem é o mais velho exemplar da humanidade. Pesa-lhe a herança dos conhecimentos acumulados; pesa-lhe o desafio do que não foi conquistado; a inadequação entre o idealismo e o egoísmo prático; pesa-lhe o inconsciente da raça, esta sessão espírita permanente, através da qual cada homem se comunica com os mortos.

No encontro de duas gerações, a que murcha e a que floresce, há uma irrisão dramática, um momento de culpas, apreensões e incertezas. As duas figuras se contemplam: o jovem é o passado do velho, e este é o futuro que o jovem contempla com horror. Assim, o momento desse encontro é um espelho cujas imagens o tempo deforma, sem que se desfaça, para o moço e para o velho, a sinistra impressão de que as duas figuras são uma coisa só, um homem só, uma tragédia só.

O poeta romântico inglês Shelley poderia ser o padrão do adolescente de todas as épocas: nasceu de família respeitável e rica, foi bonito, sincero, revoltado, idealista, violento, amoroso, apaixonado pela vida e pela morte, inteligente, confuso e, sobretudo, de uma sensibilidade crispada. Não era um monstro: seus atos eram a consequência lógica de suas ideias, da lealdade às suas crenças. E enquanto escrevia versos musicais, fecundados de amor cósmico, esperança e idealismo social, atirava-se feroz contra o conformismo do clero, a monarquia, as leis vigentes, o farisaísmo universal.

(Adaptado de CAMPOS, Paulo Mendes. O amor acaba. São Paulo: Companhia das Letras, 2013, p. 135-136)

O verbo indicado entre parênteses deverá flexionar-se de modo a concordar com o elemento sublinhado na frase:

Alternativas

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Tema central: Esta questão cobra concordância verbal, um dos temas mais exigidos em provas de Português para concursos, inclusive para cargos da área da Saúde. Concordância verbal significa ajustar o verbo ao número e à pessoa do sujeito, conforme rege a norma-padrão (veja Bechara, Cunha & Cintra).

Alternativa correta: D

Em "O autor não se (deixar) alimentar senão por convicções pessimistas", o verbo "deixar" deve concordar com o sujeito 'O autor' (3ª pessoa do singular). Assim, a forma adequada é "deixa":
→ O autor não se deixa alimentar senão por convicções pessimistas.

Regra aplicada: “O verbo deve concordar em número e pessoa com o núcleo do sujeito.” (Bechara, 2009)

Análise das alternativas incorretas:

A) "Ao jovem (poder) desagradar as imagens da velhice..."
O sujeito de "poder" é "as imagens da velhice" (plural). O correto seria podem: Ao jovem podem desagradar... Assim, está incorreta porque pediria flexão no plural, não no singular.

B) "...as duplicidades a que (costumar) render-se a personalidade humana."
Aqui o sujeito é "a personalidade humana" (singular), logo: costuma. Qualquer outra flexão estaria errada.

C) "Nunca (dever) contar com nossa complacência os erros..."
"Sujeito": "os erros" (plural). Portanto, o correto seria: devem (Nunca devem contar...). No singular, estaria incorreto.

E) "Não (haver) de faltar aos moços alguma desconfiança..."
Verbo haver (no sentido de existir) é impessoal e deve ser usado no singular: não há. Então, usar no plural é erro grave de concordância.

Pegadinhas e Dicas:
Preste muita atenção ao sujeito real do verbo, mesmo em frases de estrutura mais complexa ou com sujeito posposto. O uso do verbo impessoal ("haver" significando existir) é um ponto sensível, assim como verbos com sujeito oculto. Caso tenha dúvida, identifique sempre o núcleo do sujeito antes de flexionar o verbo.

Resumindo: Conhecer regras de concordância verbal é essencial e elimina dúvidas quando aplicado com atenção. A alternativa D está correta por obedecer exatamente a essas normas.

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Comentários

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Gabarito: Letra D.

Observe:

a) Ao jovem (poder) desagradar as imagens da velhice, que ele bem sabe que o aguardam, se a vida é longa

A forma verbal "poder", que é um verbo auxiliar ao verbo "desagradar" deve concordar o sujeito a que se refere; no caso, à expressão "as imagens" [as imagens podem desagradar].

b) O autor valeu-se das imagens dos espelhos, símbolos capazes de figurar as duplicidades a que (costumar) render-se a personalidade humana.

A forma verbal "costuma render-se" concorda com a expressão "a personalidade humana".

c) Nunca (dever) contar com nossa complacência os erros em que teimosamente persistimos, apesar de já identificados no passado.

A forma verbal "devem contar" concorda com "os erros".

d) O autor não se (deixar) alimentar senão por convicções pessimistas, nas suas observações acerca da natureza humana.

Gabarito.

e) Não (haver) de faltar aos moços alguma desconfiança, ao menos quanto à importância das experiências passadas.

O verbo "haver", quando impessoal, fica sempre no singular [Não há de faltar].

Redação para concursos: @obrabodaredacao

MJCP

dica: sujeito não deve ser preposicionado

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