Insuficiência cardíaca grave não é fator causal relacionado ...

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Q228016 Fisioterapia
Com relação a aspectos da indicação de desmame do suporte
ventilatório de paciente cuja causa da insuficiência respiratória
aguda encontra-se em fase clínica de resolução, julgue os itens
que se seguem.

Insuficiência cardíaca grave não é fator causal relacionado a possíveis complicações no desmame do paciente.
Alternativas

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Gabarito: E (Errado)

Tema central: critérios e complicações no desmame ventilatório. A questão explora se insuficiência cardíaca (IC) grave interfere no desmame.

Justificativa da resposta (por que “Errado”): IC grave é, sim, um fator causal de falha e complicações no desmame. Durante o teste de respiração espontânea (TRE), a transição para respiração com pressão negativa aumenta pré-carga e pós-carga do ventrículo esquerdo, além de elevar o consumo de O₂ e a atividade simpática. Em pacientes com disfunção ventricular, isso precipita edema agudo de pulmão induzido pelo desmame (WIPO), com dispneia, hipertensão, taquicardia e hipoxemia. Evidências apontam que disfunção cardíaca responde por parcela significativa das falhas de TRE/extubação em adultos (UpToDate; Diretrizes ATS/ACCP 2017 de liberação da ventilação; ERS/ATS sobre desmame e suporte não invasivo).

Como reconhecer na prática:

  • Sinais durante o TRE: hipertensão, sudorese, estertores, hipoxemia, taquicardia, BNPe/BNP em ascensão.
  • Eco à beira-leito: elevação de E/e’ (>14) e congestão pulmonar (múltiplas “B-lines” no ultrassom).

Estratégia de manejo em IC no desmame:

  • Otimizar hemodinâmica: diuréticos e vasodilatadores (ex.: nitratos) quando congesto/hipertenso; tratar isquemia.
  • Preferir TRE com PS/CPAP em vez de T-piece em alto risco.
  • Considerar VNI/CPAP profilática pós-extubação em pacientes de alto risco, como IC (ERS/ATS, diretrizes de VNI).
  • Avaliar prontidão: PaO₂/FiO₂ ≥150–200 com PEEP ≤5–8, estabilidade hemodinâmica, bom nível de consciência, tosse eficaz, RSBI <105.

Análise das alternativas:

  • C (certo)Incorreta. Afirma que IC grave não é fator causal de complicações. Contraria a fisiologia do TRE e ampla evidência clínica de edema pulmonar induzido pelo desmame.
  • E (errado)Correta. A proposição do enunciado está errada; portanto, a marcação “E” é a escolha adequada.

Pegadinha de prova: atenção à negação (“não é fator causal”). Em desmame, sempre suspeite de componente cardíaco quando há falha precoce do TRE com hipertensão, sudorese e crepitações.

Referências essenciais: ATS/ACCP (2017) Liberation from Mechanical Ventilation; ERS/ATS Weaning Guidelines; UpToDate (Weaning failure due to cardiac dysfunction); Harrison’s Principles of Internal Medicine (insuficiência cardíaca e edema pulmonar).

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