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Ano: 2021
Banca:
Instituto Consulplan
Órgão:
Prefeitura de Ervália - MG
Prova:
Instituto Consulplan - 2021 - Prefeitura de Ervália - MG - Fiscal Municipal |
Q4384209
Não definido
Texto associado
“Todes” é mais que respeitar a gramática, é inclusão
social, dizem especialistas
Cientistas e estudiosos da língua portuguesa falam
da presença do gênero neutro em nosso
vocabulário, uma batalha para pessoas
não-binárias se sentirem incluídas na sociedade.
Toda transformação gera insegurança e, às vezes, incapacidade de aceitar mudanças de situações pré-estabelecidas.
Na nossa língua, isso não é diferente. Um exemplo é uso da
linguagem não-binária, que vem dando o que falar nos últimos
dias.
Como exemplo recente, tivemos o caso da vereadora de
Vitória Camila Valadão (PSOL) que, durante sessão especial na
câmara em alusão ao Dia Internacional da Mulher, na última
terça-feira (08), dirigiu-se à casa com um “Bom dia a todos,
todas e ‘todes’”, sendo questionada por parlamentares conservadores sob a justificativa de que o gênero neutro não consta
na gramática normativa. Valadão, por sua vez, afirmou estar
apenas “sendo inclusiva”, alegando censura a sua linguagem.
Outro caso de grande repercussão foi o da professora
de uma escola de ensino fundamental de Vitória, reprimida
por usar um inclusivo “todes bem-vindes” para se comunicar
com os alunos em uma plataforma interna de ensino. O caso
chamou a atenção dos pais, que levaram a reclamação até a
Câmara de Vitória. O presidente da casa, Davi Esmael (PSD),
pediu esclarecimentos à Prefeitura de Vitória, alegando que
assuntos relacionados à ideologia de gênero foram retirados
do Plano Municipal de Educação.
Movimentos sociais apoiam uma mudança linguística,
buscando caminhos para tornar a língua portuguesa mais
humana. Uma das maneiras mais utilizadas é a substituição
de pronomes por termos neutros, ou gênero neutro, ou até
mesmo substituir artigos nas contrações de preposições,
como o da/do, por de.
O uso de “todes”, “todxs” ou “tod@s” vem se tornando
cada vez mais comum nas redes sociais e começa a permear o
cotidiano do brasileiro, chamando a atenção para a pergunta:
Isso seria uma afronta à nossa língua e gramática de cada dia?
Em suas “andanças” pelas redes sociais, ou mesmo em uma
roda de amigos, se ouvir um “todes” e um “bem-vindes”, e demais
conteúdos usados pela linguagem não-binária (ou linguagem
neutra), saiba que seu uso não está incorreto, mesmo os termos
não estando presentes na gramática normativa (a que você usa
em sala de aula).
De acordo com a professora da Universidade Federal da
Bahia, linguista especialista em História das Ideias Linguísticas e
Análise de Discurso, Isadora Machado, a língua está em processo de mudança 24h por dia, por isso, transformações sempre
são bem-vindas.
“Dizemos em Linguística que a língua é variação contínua,
porque ela nunca para de se modificar. Só que não percebemos essas micro-mudanças, assim como não percebemos que a Terra
está girando e mudando de lugar. Nós percebemos que algo está
mudando quando, por exemplo, uma professora escreve ‘todes’
e na semana seguinte uma vereadora diz ‘todes’”, defende.
“Então começamos a especular porque essa mudança
aconteceu: todo mundo vai ser obrigado a dizer ‘todes’? As
gramáticas devem mudar e acrescentar o ‘todes’? Essa discussão
é saudável e faz parte da sociedade. Por isso digo para as pessoas
ficarem calmas: a língua nunca muda por decreto. Acredito que,
de um modo geral, as gramáticas normativas usadas nas escolas
de educação básica ganhariam muito se trouxessem mais elementos de nossas vidas cotidianas”, argumenta.
O mais importante é saber que gramática difere de língua
em uso, aquela que é falada pelas pessoas em vários lugares e
situações do cotidiano. “Temos a gramática normativa, que é
essa que aprendemos na escola e que está preocupada em
dizer o que é certo e errado, mas temos outras, que estão mais
preocupadas em como as coisas são do que como deveriam
ser. Temos as gramáticas gerativa, descritiva, histórica, de usos
e de valências, dentre outras”, cita, afirmando que, no Brasil e
na América Latina, temos uma forte tradição de ensinar apenas
a gramática normativa nas escolas.
“Isso faz com que a sociedade tenha a sensação de que a
língua não muda. Fundamentalmente, nossa tradição escolar-
-normativa faz com que acreditemos que mudanças ‘ameaçam’
a língua e a sociedade. Pelo contrário, mudança é a matéria-
-prima de qualquer língua”.
(CHELUJE, Gustavo. "Todes" é mais que respeitar a gramática, é
inclusão social, dizem especialistas. A Gazeta, 2021. Disponível em:
https://www.agazeta.com.br/amp/entretenimento/cultura/todes-emais-que-respeitar-a-gramatica-e-inclusao-social-dizem-especialistas0321. Acesso em: 08/08/2021. Com adaptações.)
O principal propósito comunicativo do texto é: