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Q2405523 Medicina
iente de 31 anos, G2P2C1A0, com 26 horas pós-parto cesáreo por sofrimento fetal agudo, evidenciado após 5 horas de trabalho de parto, devido a padrão comprimido e não responsivo a estímulo sonoro, oxigênio e decúbito lateral esquerdo durante cardiotocografia. Realizada raquianestesia com morfina. No momento, refere ter aceitado bem a dieta e ainda não ter deambulado, elimina flatus, porém ainda não apresentou diurese. Queixa-se de dor em andar inferior do abdômen, em moderada intensidade.

Ao exame físico: bom estado geral, hipocorada (+/4+), hidratada, anictérica, acianótica, a febril ao tato e eupneica. PA: 100 x 70 mmHg. Pulso: 100 bpm. SpO2: 98% em ar ambiente. Abdome globoso, timpânico, distendido, com ferida operatória limpa e seca, sem sinais de flogose, útero contraído 2 cm acima da cicatriz umbilical, com dor a palpação de andar inferior, sem sinais de irritação peritonial, ruídos hidroaéreos presentes. Genitália feminina típica, com evidência de loquiação sanguinolenta, de aspecto fisiológico, em fralda. Extremidades sem edema ou sinais de trombose venosa profunda, com pulsos periféricos amplos e simétricos, palpáveis nas 4 extremidades distais.

Com base no ora exposto, assinale a alternativa correta que apresenta o diagnóstico e conduta mais prováveis, respectivamente. 
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Tema central: retenção urinária no puerpério (bexigoma) após cesariana com raquianestesia. O quadro típico é ausência de micção, dor hipogástrica, distensão abdominal e útero aparentemente “alto” por deslocamento vesical, com loquiação fisiológica e sem sinais de hemorragia.

Alternativa correta: B — Bexigoma. Sondagem vesical de alívio.

Justificativa clínica: 26 horas pós-cesárea, sem diurese, dor no andar inferior do abdome, distensão e útero contraído porém mais alto que o esperado — achados que sugerem retenção urinária puerperal. O uso de raquianestesia com morfina, a cirurgia e a falta de deambulação são fatores de risco reconhecidos por reduzirem contratilidade do detrusor e a sensação vesical. Conduta inicial recomendada: sondagem vesical de alívio imediata para esvaziamento e alívio da dor. Se houver grande volume drenado (ex.: >800–1000 mL), considerar manter sonda de demora por 24 h e reavaliar; se disponível, realizar bladder scan para confirmação do volume vesical. Monitorar diurese e sinais de infecção.

Fundamentação: UpToDate (Postpartum urinary retention, 2024), OMS – Recomendações para o cuidado pós-natal (revisadas), e orientações práticas da FEBRASGO/ACOG indicam avaliar micção até 6 h após parto/retirada de sonda e cateterizar se não houver micção ou houver sintomas e bexiga palpável.

Por que as outras estão incorretas?

A) Puerpério fisiológico: incorreta. No puerpério normal há diurese espontânea e involução uterina progressiva. A ausência de micção por tantas horas, dor hipogástrica e altura uterina elevada por bexiga cheia não são fisiológicos.

C) Atonia uterina; ergot + misoprostol: incorreta. Atonia cursa com útero flácido e hemorragia importante. Aqui o útero está contraído e a loquiação é fisiológica, sem choque ou sangramento anormal. Uterotônicos não se indicam e poderiam causar efeitos adversos desnecessários.

D) Restos ovulares; curetagem: incorreta. Retenção placentária/tecidual costuma cursar com sangramento anormal, subinvolução e, por vezes, febre. O quadro é dominado por retenção urinária sem hemorragia. Curetagem não é indicada e traria riscos.

Estratégia para provas: diante de puérpera com dor hipogástrica e “ausência de diurese”, sempre pensar em bexigoma. O “útero alto” pode ser uma pegadinha: é deslocamento pela bexiga cheia, não atonia. A presença de flatos e ruídos hidroaéreos afasta íleo paralítico.

Conduta resumida: sondagem vesical de alívio imediata; se volume muito alto, manter sonda por curto período e reavaliar; orientar deambulação, analgesia, hidratação e vigilância para ITU. Considerar ultrassom vesical quando disponível.

Referências: UpToDate – Postpartum urinary retention (2024); OMS – Recomendações para o cuidado pós-natal (2022); ACOG – Optimizing Postpartum Care; FEBRASGO – Assistência ao Puerpério.

Gabarito: B

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Atonia Uterina é a incapacidade de contração do útero (miométrio) após o parto, ocorrendo, em consequência, uma hemorragia genital muito abundante.

Bexigoma é uma condição na qual a bexiga fica distendida por acúmulo de urina, aliás pode ser entendida também como retenção urinária. Esse problema acontece quando, por alguma razão, a bexiga é impedida de se esvaziar completamente, ficando muito cheia e dilatada

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