"É preciso lembrar que o conteúdo básico da teoria
psicogenética do(a) autor(a) é a ação do sujeito que
interage com os objetos, construindo, a partir dessas
ações, formas e/ou estruturas de inteligência que lhe
permitem, cada vez mais, adaptar-se ao mundo em que
vive; o objeto do conhecimento, no que diz respeito à
educação e ao desenvolvimento moral, são as regras ou
limites. Mas, por se tratar de um conhecimento social, ou
seja, aprendido a partir dos exemplos e da orientação
recebida dos mais velhos, pressupõe, então, o trabalho
educativo. A questão é que esse trabalho nem sempre é
bem realizado pelos adultos. Por um lado, porque a
maioria dos adultos nada conhece a respeito do
desenvolvimento moral infantil e, por outro lado, porque
a maioria dos adultos também é considerada
heterônoma, ou seja, embora adultos, ainda
dependentes de estereótipos ou outros tipos de
motivações externas para agir de forma adequada. O
sujeito obediente não é livre para pensar por si mesmo.
Não é autônomo. Dessa forma, a grande novidade que a
teoria apresenta para os estudos de educação moral diz
respeito à moral autônoma. Para o(a) autor(a), os
adultos, reconhecendo o seu papel na formação de
personalidades autônomas, deveriam preocupar-se em
estabelecer com as crianças relações de respeito mútuo,
ou seja, um tipo de relação social que denominou
cooperação, que, em substituição às relações de
coação, poderia conduzir à superação da heteronomia
(moral da obediência)".
Fonte (adaptada): www.comciencia.scielo.br