Os fungos apresentam notável diversidade genética e estratégias reprodutivas, combinando modos sexuados, assexuados e parasexuais. Em espécies heterotálicas como Neurospora crassa, o locus de tipo de acasalamento (MAT) funciona como um sistema genético determinante do “sexo” fúngico, regulando cascatas de transcrição que controlam o reconhecimento celular, a fusão hifal e a compatibilidade nuclear. Cada alelo do locus MAT codifica fatores de transcrição homeodomain ou HMG-box, que induzem a expressão diferencial de genes envolvidos na plasmogamia, cariogamia e formação do ascósporo. Em populações de fungos supostamente assexuadas — como Aspergillus fumigatus ou Penicillium chrysogenum — análises genômicas revelam assinaturas de recombinação, evidenciando a existência de reprodução críptica ou de mecanismos parasexuais. Esses processos não dependem de ciclo sexual morfologicamente detectável, mas resultam em rearranjos genéticos e segregação independente de alelos, o que pode gerar variabilidade adaptativa.
Glass, N. L., & Smith, M. L. 1994; Dyer, P. S., & O’Gorman, C. M. 2012; Kües, U. 2015; Rydholm, C., Dyer, P. S., & Lutzoni, F. 2007.
À luz da genética molecular e da biologia evolutiva, como o locus MAT regula a
diversidade genética em fungos, por que a ocorrência de reprodução críptica em
espécies assexuadas representa um mecanismo de manutenção adaptativa em
nível populacional e qual o papel da seleção estabilizadora versus diversificadora
nesses sistemas?
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