Mulher de 60 anos, sem comorbidades significativas, apresent...
Mulher de 60 anos, sem comorbidades significativas, apresentou sangramento uterino anormal, sendo diagnosticada neoplasia endometrial ao USTV. Foi realizada histerectomia total + salpingooforectomia bilateral + linfadenectomia pélvica e para-aórtica. O anátomo-patológico demonstrou carcinoma endometrioide grau 2, invadindo até a serosa, estadio pT3a, sem comprometimento linfonodal e sem doença residual (IIIA). Assinale a alternativa correta.
Gabarito comentado
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Tema central: O tema central envolve estratificação de risco e conduta adjuvante no carcinoma endometrial estádio IIIA (carcinoma endometrioide G2, invasão de serosa, sem linfonodos ou doença residual). O conhecimento clínico necessário passa pelo entendimento da classificação, implicações prognósticas e protocolos terapêuticos atuais.
Justificativa da alternativa correta (C): O carcinoma endometrial estádio IIIA é considerado de alto risco para recidiva, independentemente da classificação molecular. Seguindo o Projeto Diretrizes – Carcinoma Endometrial: Tratamento (AMB), está indicado o tratamento adjuvante com quimioterapia baseada em platina (ex: cisplatina) associada ou não à radioterapia. O próprio documento destaca: “Em pacientes portadoras de carcinoma endometrial estádios III ou IV, submetidas inicialmente a cirurgia citorredutora, [...] tratadas posteriormente com radioterapia abdominal total [...] ou quimioterapia (doxorrubicina + cisplatina), observou-se aumento significativo na sobrevida total com esquema quimioterápico.” Assim, a conduta adjuvante deve ser oferta de quimioterapia com platinantes, podendo ou não ser associada à radioterapia.
Análise das alternativas incorretas:
A) Incorreta: A classificação molecular (POLE, p53, etc.) pode refinar prognóstico, mas para alto risco anatômico (estádio IIIA), a adjuvância é indicada independentemente deste fator.
B) Incorreta: Não se trata de neoplasia de baixo risco; invasão serosa configura alto risco.
D) Incorreta: Apesar da radioterapia melhorar o controle local, isoladamente não é suficiente em casos de alto risco. O impacto na sobrevida é maior com a adição de quimioterapia.
E) Incorreta: O estudo de receptores hormonais (progesterona/estrogênio) é reservado para doença avançada recorrente/metastática, não para alto risco no cenário adjuvante inicial.
Dicas de prova: Atenção para palavras-chave como “alto risco”, “invasão de serosa” e “estádio IIIA”. Se o caso descreve doença localmente avançada, lembre-se: a adjuvância sempre envolve quimioterapia (geralmente platinantes) com ou sem radioterapia. Pegadinhas comuns envolvem supervalorização da classificação molecular ou uso inadequado de hormonioterapia nessa fase.
Resumindo: A conduta para carcinoma endometrial estádio IIIA é quimioterapia baseada em platina, com ou sem radioterapia, segundo as diretrizes da AMB e principais manuais (como UpToDate e NCCN).
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