No trecho “Diante dessa encruzilhada, torna‑se imperioso re...
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Com base no mesmo assunto
Ano: 2026
Banca:
Quadrix
Órgão:
Prefeitura de Cristalina - GO
Provas:
Quadrix - 2026 - Prefeitura de Cristalina - GO - Assistente Social Escolar
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Quadrix - 2026 - Prefeitura de Cristalina - GO - Fisioterapeuta Escolar |
Quadrix - 2026 - Prefeitura de Cristalina - GO - Fonoaudiólogo Escolar |
Quadrix - 2026 - Prefeitura de Cristalina - GO - Professor PII – Educação Física |
Quadrix - 2026 - Prefeitura de Cristalina - GO - Professor PII – Pedagogia |
Quadrix - 2026 - Prefeitura de Cristalina - GO - Terapeuta Ocupacional Escolar |
Q4392065
Português
Texto associado
Texto para a questão.
A virada discursiva nas humanidades e a crise do espaço público
A emergência dos ecossistemas digitais de informação não apenas transformou a velocidade com que os saberes
circulam, mas reinstaurou um antigo debate epistêmico sobre a natureza da verdade e a função social da linguagem. Se a
Modernidade consagrou o espaço público como o lugar da argumentação deliberativa e da busca pelo consenso discursivo, a
hipercontemporaneidade fragmentou essa ágora em nichos autorreferenciais. Nesses espaços, a adesão afetiva sobrepõe‑se à
verificação empírica dos fatos, esvaziando a capacidade emancipatória da esfera pública.
Nesse horizonte, a mediação textual deixa de ser uma ponte neutra entre a realidade e o sujeito para converter‑se em
um artefato ideológico sutil. O uso massivo de arquiteturas algorítmicas de filtragem reconfigura os modos de ler e interpretar
o mundo: a leitura, antes caracterizada pela fruição vagarosa e pela paciência hermenêutica, passa a responder a imperativos
de produtividade e consumo imediato. Essa mutação perceptual atinge diretamente as instâncias acadêmicas e as instituições
formadoras de opinião, pressionadas a traduzir problemas complexos em fórmulas palatáveis e de rápido impacto.
Paralelamente, observa‑se o avanço do automatismo gerativo na escrita formal e científica. Se por um lado tais
ferramentas democratizam o acesso a repertórios sintáticos complexos e otimizam a compilação de grandes acervos de dados,
por outro instauram uma opacidade autoral inédita. Ao delegar à inteligência artificial a articulação do discurso, o enunciador
abdica da dor e do júbilo que constituem a própria fatura do pensamento. O texto resultante, embora impecável em sua
estrutura gramatical, padece frequentemente de uma aridez existencial, na qual a sofisticação léxica mascara a ausência de um
posicionamento crítico visceral.
Diante dessa encruzilhada, torna‑se imperioso resgatar o papel da hermenêutica e da análise textual como ferramentas
de resistência democrática. Ensinar e exercitar a leitura crítica na contemporaneidade exige ultrapassar a decodificação de
conteúdos visíveis para desnudarem‑se as premissas implícitas, os silenciamentos intencionais e as disputas de poder que
subjazem às escolhas vocabulares. O sentido de um texto não reside passivamente nas suas palavras, mas se constrói na tensão
viva entre o horizonte do autor e o repertório do leitor.
Ademais, é preciso combater a ilusão de que a tecnologia atua como um vetor imune a valorações morais ou políticas.
Os modelos de linguagem, longe de expressarem uma isenção matemática, reproduzem e amplificam as visões de mundo
hegemônicas contidas nos bancos de dados com que foram alimentados. Exigir transparência desses sistemas e promover o
letramento crítico não são tarefas acessórias, mas salvaguardas indispensáveis para a preservação do pensamento autônomo.
Não se defende, contudo, o isolamento saudosista nem o rechaço cego às inovações técnicas, o que constituiria
um anacronismo estéril. Trata‑se, antes, de reivindicar que a técnica permaneça subordinada à dimensão ética e à mediação
humana. A escola e a universidade precisam continuar a ser laboratórios de dúvida metódica, onde a hesitação reflexiva seja
valorizada como antídoto contra os dogmatismos do algoritmo.
Em suma, garantir que o ato de ler e escrever continue a ser um gesto de liberdade requer coragem epistemológica.
Caso abramos mão da densidade reflexiva em nome da conveniência e da celeridade digitais, estaremos condenados a habitar
uma sociedade articulada por discursos perfeitamente sintetizados, porém politicamente inertes e humanamente estéreis. A
verdadeira emancipação intelectual ocorre no atrito da linguagem com o real.
Internet: <scielo.br> (com adaptações).
No trecho “Diante dessa encruzilhada, torna‑se imperioso
resgatar o papel da hermenêutica”, o termo “imperioso”
pode ser substituído, sem alteração do sentido original e da
adequação ao contexto, por