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Ano: 2010 Banca: CETRO Órgão: ANVISA Prova: CETRO - 2010 - ANVISA - Técnico Administrativo |
Q642413 Português

Leia o texto abaixo, que sofreu algumas alterações, publicado no jornal Valor Econômico em 10 de fevereiro de 2010, por Pedro Ivo Sebba Ramalho, servidor público na carreira de Especialista em Regulação e Vigilância Sanitária da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), onde ocupa atualmente o cargo de adjunto do diretor-presidente, para responder à questão. 

A Anvisa surgiu para ocupar o lugar da antiga Secretaria Nacional de Vigilância Sanitária do Ministério da Saúde em um momento que houve agravamento da crise de confiança na vigilância sanitária, ao final da década de 1990, quando se noticiava a circulação de grande volume de medicamentos falsificados no país. Foi criada logo após as três primeiras agências - Aneel, Anatel e ANP - e é considerada uma agência de segunda geração, pois atua na regulação social. Apesar das diferenças nos processos políticos de criação e da diversidade de desenhos institucionais, as agências reguladoras brasileiras seguem um mesmo modelo geral, fruto do objetivo comum da reforma regulatória, apontado para os mercados do setor da infraestrutura.

Mas, diferentemente do que querem alguns, a regulação estatal da economia não se destina somente à promoção do desenvolvimento e ao fomento ao crescimento econômico, obtido por meio da necessária criação de ambiente regulatório estável para os negócios e investimentos no país. Destina-se, também, à correção das falhas de mercado para garantir segurança e bem-estar à população. No setor de saúde, as principais falhas de mercado são a assimetria de informação, a; imprevisibilidade dos problemas de saúde e as externalidades negativas (consequências não esperadas ou previstas pelo consumidor). Todas essas falhas são observadas pela Anvisa em sua atuação regulatória. 

Ora, lembre-se que a economia da regulação se subdivide, classicamente, em três grandes temas: a política antitruste; a regulação econômica (que geralmente envolve monopólio natural e economias de escala); e a regulação não econômica. Nesse último caso, o Estado intervém com vista a prevenir, reduzir ou remediar danos sociais decorrentes dos riscos gerados no processo de produção e consumo. £são os evidentes casos do setor saúde e do meio ambienteis funções tipicamente desempenhadas pela vigilância sanitária, ao longo do tempo e cada vez mais, se enquadram de maneira coerente com essas atividades regulatórias estatais. (...)

Diferentemente das outras agências reguladoras, a Anvisa atua não em um setor específico da economia, mas em todos os setores relacionados a produtos e serviços que podem afetar a saúde da população brasileira. Outra singularidade da Anvisa é sua competência tanto na regulação econômica do mercado (definição de preços e monitoramento do mercado) quanto na regulação sanitária (registros de medicamentos, por exemplo). Desempenha, assim, função intrinsecamente relacionada à mediação entre produtores e consumidores, tendo em vista que o uso de produtos e serviços por ela regulados pode causar graves efeitos à saúde da população, de forma abrangente. 

A definição corrente de vigilância sanitária no Brasil é eminentemente legal. Ela recebeu tratamento direto na Constituição, que dispôs várias ações de sua competência no artigo 200 (atribuições do Sistema Único de Saúde). O conceito de vigilância sanitária contido na Lei n° 8.080, de 1990 (Lei Orgânica da Saúde) ainda confere a esse campo um caráter abrangente de gerenciamento do risco (eliminar, diminuir ou prevenir riscos) que vai do controle de bens e serviços (direta ou indiretamente relacionados à saúde) à intervenção nos ambientes, processos e estabelecimentos. Tudo para garantir saúde e qualidade de vida à população.

Além de seu reconhecimento como uma das mais antigas práticas da saúde pública (o Código de Hamurabi e o Antigo Testamento contêm normas sobre a saúde, incluindo sanções), as ações de vigilância sanitária são historicamente inerentes ao papel do Estado de zelar pela saúde da população. A vigilância sanitária interfere, quer se queira ou não, na vida de todos, pois sua função reguladora obriga os particulares a se submeterem à supremacia do interesse público sobre o privado, corolário do moderno Estado Democrático de Direito. Daí ser impossível atribuir à Anvisa um papel menor na sociedade, restringindo seu poder regulador à fiscalização, por exemplo.

Levando em consideração as afirmações do texto e as orientações da gramática normativa tradicional, é correto afirmar que
Alternativas

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Gabarito: A

Fundamento decisivo: No trecho "Apesar das diferenças nos processos políticos de criação e da diversidade de desenhos institucionais, as agências reguladoras brasileiras seguem um mesmo modelo geral", o elemento decisivo é a relação concessiva: "apesar de" admite uma circunstância que não impede a conclusão da oração principal. A alternativa A é a correta porque reconhece esse valor e porque, no uso tradicional normativo, "posto que" também pode exprimir concessão.

Tema central: valor semântico dos conectores
Análise das alternativas
A
Certa
A alternativa A acerta porque identifica corretamente a relação de concessão no trecho citado. Em "apesar de", o texto reconhece a existência de diferenças, mas afirma, apesar delas, a permanência de um "mesmo modelo geral". Esse é precisamente o valor concessivo que a base também admite para "posto que", em uso tradicional normativo. Portanto, a equivalência semântica apontada na alternativa se sustenta.
B
Errada
Está errada porque "Mas" e "Embora" não são intercambiáveis nesse trecho. "Mas" introduz oposição por coordenação adversativa; "Embora" introduz oração subordinada concessiva. A troca exigiria reorganização sintática do período e ainda alteraria o modo de articulação semântica. Logo, não é correto afirmar que a substituição seria gramaticalmente adequada e sem prejuízo de sentido.
C
Errada
Está errada porque, em "diferentemente do que querem alguns", a sequência "do que" não introduz comparação em sentido prototípico. Ela retoma o conteúdo defendido por "alguns", em construção equivalente a "daquilo que alguns querem". O erro da alternativa é transformar uma expressão de referência a conteúdo em valor comparativo.
D
Errada
Está errada porque, no critério adotado pela questão, as duas ocorrências de "se" não podem ser tratadas como de mesma classificação sintática: em "destina-se", o pronome integra o verbo pronominal; em "lembre-se", trata-se de pronome oblíquo ligado à construção exortativa. A alternativa, portanto, afirma corretamente a diferença classificatória e não corresponde ao gabarito oficial indicado.
E
Errada
Está errada por erro gramatical objetivo. No trecho "para garantir segurança e bem-estar à população", a ideia é de finalidade. A locução correta que poderia substituir "para" é "a fim de", separada. A forma "afim de" está incorreta nesse uso, porque "afim" é adjetivo, não locução final. Assim, a alternativa erra ao afirmar que não haveria erro gramatical nem prejuízo semântico.
Pegadinha da questão
A banca mistura conectores que exprimem contraste, mas não têm o mesmo funcionamento sintático: isso leva muitos candidatos a aceitar trocas indevidas como "Mas" por "Embora" ou a ler automaticamente "do que" como comparativo. Também explora a confusão entre "a fim de" e "afim de".
Dica para questões semelhantes
  • Não basta perceber contraste; verifique se o conector é coordenativo adversativo ou subordinativo concessivo antes de admitir substituição.
  • A sequência "do que" só pode ser tratada como comparativa quando o contexto realmente estabelecer comparação; às vezes ela apenas retoma um conteúdo anterior ou implícito.
  • Em questões de reescrita com finalidade, confira a forma normativa: a locução correta é "a fim de".

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Comentários

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é correto afirmar que :

 a) no trecho: ''Apesar" das diferenças nos processos políticos de criação", do primeiro parágrafo, a expressão "apesar de", cuja preposição está contraída com o artigo feminino plural "as", tem o mesmo valor semântico de posto que".

A) no trecho: ''Apesar das diferenças nos processos políticos de criação", do primeiro parágrafo, a expressão "apesar de", cuja preposição está contraída com o artigo feminino plural "as", tem o mesmo valor semântico de "posto que". "Posto que", ao contrário do que muitos pensam, tem valor concessivo, igual a "apesar de".

B) no trecho: "Mas, diferentemente do que querem alguns, a regulação estatal da economia' não se destina", do segundo parágrafo, a substituição da conjunção destacada por "Embora" é correta gramaticalmente e não implicaria prejuízo semântico. "Embora" tem valor concessivo, diferente de "mas", de valor adversativo.

C) no trecho: "Mas, diferentemente do que querem a alguns, a regulação estatal da economia não se destina", do segundo parágrafo, a expressão destacada tem valor comparativo. Ainda que "do que" seja conjunção subordinada comparativa, o enunciado pede a alternativa correta gramaticalmente e a a regência do verbo querer é TI, o que nos faz ver que o certo é "diferentemente o que QUEREM ALGUNS".

D) nos trechos: "a regulação estatal da economia não se destina", do segundo parágrafo, e "lembre-se que a economia da regulação se subdivide", do terceiro, as duas ocorrências da palavra destacada não têm a mesma classificação sintática. Ou se usa LEMBRAR sem o "se", no sentido de sugestão, ou LEMBRAR-SE DE, com a preposição

E) nos trechos: "Destina-se, também, à correção das falhas de mercado para garantir segurança e bem-estar à população.", do segundo parágrafo, a expressão destacada pode ser substituída, sem que ocorra erro gramatical ou prejuízo semântico, por “afim de”. "Afim" lembra afinidade, não finalidade, que é designada por "a fim de".

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