No período “É claro que a lógica normal não coexiste com seu...

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Texto 2

A lógica do humor

    Piada racista termina com polícia em casa de shows. É engraçado gozar de minorias? Até onde se pode chegar para fazer os outros rirem? Aliás, do que rimos?

    De um modo geral, achamos graça quando percebemos um choque entre dois códigos de regras ou de contextos, todos consistentes, mas incompatíveis entre si. Um exemplo: “O masoquista é a pessoa que gosta de um banho frio pelas manhãs e, por isso, toma uma ducha quente”. 

   Cometo agora a heresia de explicar a piada. Aqui, o fato de o sujeito da anedota ser um masoquista subverte a lógica normal: ele faz o contrário do que gosta, porque gosta de sofrer. É claro que a lógica normal não coexiste com seu reverso, daí a graça da pilhéria. Uma variante no mesmo padrão é: “O sádico é a pessoa que é gentil com o masoquista”.

    Essa “gramática” dá conta da estrutura intelectual das piadas, mas há também dinâmicas emocionais. Kant, na Crítica do juízo, diz que o riso é o resultado da “súbita transformação de uma expectativa tensa em nada”. Rimos porque nos sentimos aliviados. Torna-se plausível rir de desgraças alheias. Em alemão, há até uma palavra para isso: “schadenfreude”, que é o sentimento de alegria provocado pelo sofrimento de terceiros. Não necessariamente estamos felizes pelo infortúnio do outro, mas sentimo-nos aliviados com o fato de não sermos nós a vítima. 

    Mais ou menos na mesma linha vai o filósofo francês Henri Bergson. Em “O riso”, ele observa que muitas piadas exigem “uma anestesia momentânea do coração”. Ou seja, pelo menos as partes mais primitivas de nosso eu acham graça em troçar dos outros. Daí os inevitáveis choques entre humor e adequação social. 

    Como não podemos dispensar o riso nem o combate à discriminação, o conflito é inevitável. Resta torcer para que seja autolimitado. Não deixaremos de rir de piadas racistas, mas não podemos esquecer que elas colocam um problema moral. 


Disponível em: <https://avaranda.blogspot.com/2012/03/logica-do-
humor-helio-schwartsman.html>. Acesso em: 30 nov. 2023.

No período “É claro que a lógica normal não coexiste com seu reverso, daí a graça da pilhéria”, a oração destacada exerce a função sintática de 
Alternativas

Gabarito comentado

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Tema central da questão: Sintaxe – análise da função sintática de uma oração subordinada no contexto do período composto.

Comentário e Justificativa da Alternativa Correta:

O núcleo da questão está em reconhecer a função sintática da oração destacada: “que a lógica normal não coexiste com seu reverso” no período “É claro que a lógica normal não coexiste com seu reverso, daí a graça da pilhéria”.

Note que temos um caso clássico de oração subordinada substantiva subjetiva. Segundo a gramática normativa (Evanildo Bechara, “Moderna Gramática Portuguesa”), essa oração exerce a função de sujeito do predicado da oração principal, geralmente introduzida por “que” ou “se”.
Basta lembrar que o sujeito é quem executa ou sofre a ação do verbo ou, no caso de predicados nominais, aquilo do que se faz a afirmação.

A oração principal é “É claro”, mas claro o quê? “Que a lógica normal não coexiste com seu reverso”. Se substituirmos a oração destacada por “isso”, continuamos com sentido completo: “É claro isso”, onde “isso” (ou a oração inteira) funciona como sujeito, não como objeto direto ou outra função.

Portanto, a alternativa correta é: C) sujeito da oração principal.

Análise das alternativas incorretas:

A) Aposto: Aposto explica um termo anterior, geralmente por meio de pontuação. Não ocorre aqui, já que a oração não esclarece, apenas exerce função de sujeito.

B) Objeto direto: Objeto direto é complemento de verbo transitivo. O verbo “ser” é de ligação, não transitivo, portanto não pede objeto direto.

D) Vocativo: Vocativo é chamado ao interlocutor (ex.: Maria, venha cá!). A oração destacada não invoca nem chama alguém; logo, não pode ser vocativo.

Dica de prova: Atenção! Muitos alunos confundem sujeito oracional (oração subordinada subjetiva) com objeto direto em períodos com verbos de ligação. Um truque: tente substituir toda a oração pelo pronome “isso” e veja se faz sentido como sujeito.

Resumo para fixação: Sempre que uma oração introduzida por “que” vier acompanhando verbos impessoais como “é claro”, “é possível”, “é necessário”, suspeite de oração subordinada substantiva subjetiva.

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Comentários

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O que é claro? que a lógica normal não coexiste com seu reverso

Gab C

“É claro que a lógica normal não coexiste com seu reverso, daí a graça da pilhéria”.

Oração Subordinada Substantiva Subjetiva.

" que a lógica normal não coexiste com seu reverso "

Sujeito oracional: O que é claro ? Que a lógica.......

GAB: C

osss

GABARITO: C

É claro que(isso) --> CONJUNÇÃO INTEGRANTE --> Introduz uma oração subordinada substantiva subjetiva.--> É aquela que exerce função de sujeito oracional.

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