“Por que os poetas estariam isentos da fúria legiferante?” ...

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Ano: 2026 Banca: Avança SP Órgão: SES - SP Prova: Avança SP - 2026 - SES - SP - Médico I |
Q3833058 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão.

Brasileiro, profissão: poeta

    De D. Pedro II ao mais obscuro dos cidadãos, é difícil encontrar um brasileiro que nunca tenha cometido, em segredo ou às claras, o seu poeminha lírico, ainda que perdido nas dobras da remota mocidade. Em versos duros ou de pé quebrado, sem inspiração e sem assunto, o soneto é sempre uma tentação para o brilhareco, a que não pode faltar a chave de ouro. Tudo cabe num soneto: graça e desgraça, comédia e tragédia, amor e desamor, oração a Deus e saudação à pátria.
    É possível que a profissão de poeta ainda não exista. É até possível que nunca venha a existir como ofício remunerado, como meio de vida. Nem por isso se pode garantir que nunca será regulamentada, depois de legalmente criada, ou definida. Tudo entre nós é motivo de lei, de decreto e de regulamento. Por que os poetas estariam isentos da fúria legiferante? De resto, mais de uma vez já se fez a tentativa de enquadrar, estimular e proteger a poesia, o que em última análise significa estender a proteção do poder público aos poetas. 
    Academias existem em todos os planos – federal, estadual e municipal. Outras entidades do gênero estão por toda parte, já que em parte nenhuma faltam os poetas. Há quem sustente que o Brasil é a pátria da poesia. Raro seria o cidadão brasileiro que nunca perpetrou os seus versos. Milhares ousaram chegar até o soneto. Ou pelo menos tentaram os 14 versos a duras penas, até fechá-los com chave de ouro ou com qualquer outra chave. Poucos terão sido tão mal sucedidos como o Bentinho de Dom Casmurro. Como acontece com frequência, o primeiro verso lhe veio de graça: “Oh! flor do céu! oh! flor cândida e pura”!
    Seminarista, numa noite de insônia, o próprio Bentinho não sabia como e por que lhe saiu esse verso da cabeça. Decassílabo, logo se impôs como o início de um soneto. Como em tantos sonetos conhecidos, não havia aí uma ideia, mas, sim, apenas uma exclamação. Podia não significar nada, mas o autor lhe achou certa graça. Depois de repeti-lo, concluiu que era mesmo bonito. A flor que abriria a primeira estrofe de forma exclamativa tanto podia ser Capitu, como a virtude, a poesia, a religião, ou qualquer outro conceito a que a metáfora calhasse. (...)

RESENDE, Otto Lara. Brasileiro, profissão: poeta. Portal da crônica brasileira. Disponível em<https://cronicabrasileira.org.br/cronicas/6146/brasileiroprofissao-poeta>.
“Por que os poetas estariam isentos da fúria legiferante?”

Assinale a alternativa que apresenta uma forma reescrita correta do trecho acima.
Alternativas

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Gabarito: E

Fundamento decisivo: O ponto que decide a questão é a reescrita da interrogativa “Por que os poetas estariam isentos da fúria legiferante?”: quando a expressão interrogativa vai para o fim do enunciado, a regra normativa exige “por quê”, o que torna correta apenas a alternativa E.

Tema central: Emprego de porquês
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque usa “porquê” no fim de uma pergunta direta. Nessa posição, a forma correta é “por quê”. “Porquê” é substantivo, não a forma interrogativa adequada para essa reescrita.
B
Errada
Está errada porque emprega “porque”, que não é a forma usada para formular essa pergunta direta de motivo. Aqui a reescrita exige a locução interrogativa “por quê”, e não a conjunção “porque”.
C
Errada
Está errada porque a construção “Qual o motivo porquê os poetas estariam...” é inadequada. “Porquê” tem valor de substantivo e não funciona como elemento de ligação nessa estrutura após “motivo”.
D
Errada
Está errada porque a formulação apresentada não constitui reescrita normativa adequada do trecho. A base registra que, após “Qual o motivo”, a estrutura exigiria reestruturação sintática regular; tal como foi escrita, a alternativa não apresenta a forma correta esperada pela questão.
E
Certa
A alternativa E preserva o valor interrogativo do trecho original e aplica a forma normativa exigida pela posição final da expressão na pergunta. Por isso, “Os poetas estariam isentos da fúria legiferante por quê?” é a reescrita correta.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre “por que”, “por quê”, “porque” e “porquê”, especialmente o erro de achar que, ao levar a expressão interrogativa para o fim da frase, a grafia permanece a mesma ou pode ser substituída por “porque” ou “porquê”.
Dica para questões semelhantes
  • Verifique primeiro se a frase continua sendo uma pergunta de motivo; isso define o campo entre “por que/por quê”, e não “porque/porquê”.
  • Se a expressão interrogativa aparecer no fim da pergunta, a forma normativa é “por quê”.
  • Não trate “porque” como equivalente geral de “por qual motivo”; em pergunta direta, essa troca pode invalidar a frase.
  • Em reescritas com “Qual o motivo...”, confira se a nova estrutura ficou sintaticamente regular; sem isso, a paráfrase não se sustenta.

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As quatro formas

Por que (separado, sem acento)

Usado em perguntas diretas ou indiretas, com o sentido de “por qual motivo” ou “pelo qual”.

Ex.: Por que você não veio ontem?

Ex.: Não entendi por que você saiu mais cedo.

Porque (junto, sem acento)

Usado em respostas ou explicações, com o sentido de “pois”, “já que”, “uma vez que”.

Ex.: Não fui à festa porque estava cansado.

Ex.: Ele chorou porque se emocionou.

Porquê (junto, com acento)

É um substantivo, significa “o motivo”, “a razão”. Sempre vem acompanhado de artigo ou determinante.

Ex.: Ninguém sabe o porquê da sua tristeza.

Ex.: Explique-me o porquê dessa decisão.

Por quê (separado, com acento)

Usado em perguntas quando aparece no final da frase, isolado antes de pontuação.

Ex.: Você desistiu, por quê?

Ex.: Eles não vieram, por quê?

Por que - pergunta ou “pelo qual”

Porque - resposta/explicação

Porquê - substantivo (“o motivo”)

Por quê - final de pergunta

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