Gestante de 27 anos, G1P0, com 31 semanas e 2 dias de gestaç...
Cardiotocografia: BCF basal 140-145 bpm, variabilidade moderada, 2 acelerações em 20 minutos, sem desacelerações. Contrações regulares a cada 2-3 minutos.
Exames laboratoriais: Hemograma: Hb 12,1 g/dL, leucócitos 9.800/mm³ (sem desvio), plaquetas 245.000/mm³, PCR: 0,4 mg/dL (normal < 0,5 mg/dL), Urina I: normal, urocultura em andamento, Swab vaginal para Streptococcus agalactiae (GBS): resultado pendente.
Ultrassonografia obstétrica: Feto único, apresentação cefálica, biometria compatível com 31 semanas, peso estimado 1.650 g (percentil 45), líquido amniótico normal (ILA: 12 cm), placenta grau I anterior.
Considerando o diagnóstico de trabalho de parto prematuro e as recomendações atuais para manejo, qual a melhor conduta?
Gabarito comentado
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Gabarito: B
Fundamento decisivo: Ministério da Saúde, Manual Técnico Gestação de Alto Risco, seção Trabalho de parto prematuro, p. 71 e 74: “O uso de agentes tocolíticos ou inibidores das contrações uterinas deve ser iniciado assim que se concluir pelo diagnóstico de trabalho de parto prematuro, respeitadas as contraindicações para o seu uso. O principal objetivo da tocólise é ganhar tempo necessário para a ação da corticoterapia (ver adiante) e/ou transporte materno-fetal com segurança.”; “Nifedipina (primeira escolha): cápsulas de ação rápida de 10mg. Oferecer 10mg VO a cada 20 minutos até quatro doses OU 20mg VO em dose única, e se necessário 20mg após 90–120 minutos se a atividade uterina persistir. Se após a 2ª dose mantiver atividade uterina, considerar falha terapêutica e utilizar outro agente. A dose de manutenção é de 20mg VO a cada 4 a 8 horas por no máximo 72 horas.”; Ministério da Saúde, Manual de Gestação de Alto Risco, seção RPM, p. 122: “Sulfato de magnésio está recomendado como neuroprotetor conceptual se o parto for ocorrer antes de 32 semanas de gestação.”; Ministério da Saúde, Manual Técnico Gestação de Alto Risco, seção Antibióticos no TPP, p. 74: “Não existem evidências que justifiquem o uso de antibióticos no trabalho de parto prematuro com o objetivo de prolongar a gestação e aumentar a eficácia da tocólise. Os mesmos só devem ser utilizados para profilaxia da sepsis neonatal pelo estreptococo do grupo B (EGB) em gestantes em trabalho de parto ou com rotura de membranas anterior à 37ª semana, com risco iminente e significativo de parto prematuro, que tenham cultura positiva para EGB, ou se a cultura não foi realizada.” Como a gestante está com 31 semanas e 2 dias, em TPP confirmado, sem contraindicações à tocólise, a conduta correta é nifedipina + corticoterapia + sulfato de magnésio para neuroproteção fetal, deixando antibiótico apenas para hipótese de indicação de EGB.
- Confirmado o TPP antes de 34 semanas e ausentes contraindicações, pense em tocólise para ganhar tempo para a corticoterapia.
- Na base adotada, a nifedipina é a primeira escolha tocolítica; se a alternativa trouxer outro agente como primeira linha, ela tende a estar errada.
- Antes de 32 semanas, se o parto prematuro é iminente, inclua sulfato de magnésio para neuroproteção fetal.
- Antibiótico no TPP não é para prolongar a gestação nem é universal: só entra para profilaxia de EGB quando houver indicação específica.
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