Gestante de 25 anos, G2P1, com 32 semanas de gestação, compa...

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Q3792394 Medicina
Gestante de 25 anos, G2P1, com 32 semanas de gestação, comparece à consulta de pré-natal na Unidade Básica de Saúde. Pré-natal iniciado tardiamente no segundo trimestre (primeira consulta com 18 semanas). Realizou exames de rotina naquela ocasião, que incluíam VDRL não reagente. Gestação atual sem intercorrências até o momento. Nega comorbidades. Primeira gestação há 3 anos: parto vaginal a termo, recém-nascido saudável. Parceiro fixo há 2 anos, nega novos parceiros sexuais. Nega lesões genitais atuais ou prévias, corrimento ou sintomas urinários. Nega uso de drogas injetáveis. Ao exame físico: PA: 110/70 mmHg, AU: 30 cm, BCF: 145 bpm, apresentação cefálica. Ausência de lesões cutâneas ou em mucosas. Orofaringe sem alterações. Ausência de linfadenopatia. Resultado dos exames de rotina realizados na consulta atual (32 semanas): hemograma, glicemia, urina I, urocultura: normais VDRL: 1:16 (reagente), teste treponêmico rápido: REAGENTE. 

Ultrassonografia obstétrica (32 semanas): feto único, biometria compatível com idade gestacional, líquido amniótico normal, placenta grau I posterior. Sem sinais sugestivos de sífilis congênita (hepatoesplenomegalia, ascite, hidropsia, espessamento placentário).

A paciente nega tratamento prévio para sífilis. Relata que o parceiro não realizou exames recentemente e não tem acompanhamento médico regular. Questiona sobre o tratamento e possíveis riscos para o bebê. Considerando o diagnóstico de sífilis materna e as recomendações para prevenção da sífilis congênita, qual a conduta mais adequada?
Alternativas

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Gabarito: B

Fundamento decisivo: Ministério da Saúde, PCDT Atenção Integral às Pessoas com IST / orientação oficial sobre sífilis em gestantes: “Sífilis tardia: sífilis latente tardia (com mais de um ano de evolução) ou latente com duração ignorada | ESQUEMA TERAPÊUTICO Benzilpenicilina benzatina 2,4 milhões UI, IM, semanal (1,2 milhão UI em cada glúteo), por 3 semanas Dose total: 7,2 milhões UI, IM.” Como a gestante tem VDRL e teste treponêmico reagentes, não tem tratamento prévio e não há elementos para afirmar sífilis recente, o caso deve ser tratado como sífilis latente tardia ou de duração ignorada, impondo o esquema de 3 doses semanais, o que conduz à alternativa B.

Tema central: Sífilis na gestação
Análise das alternativas
A
Errada
Incorreta porque prescreve dose única de penicilina benzatina, esquema compatível com sífilis recente, mas o caso não permite afirmar duração menor que 1 ano. A base é expressa em que, na ausência de elementos para estadiar como recente, a gestante deve ser tratada como sífilis latente tardia ou latente com duração ignorada, exigindo 2,4 milhões UI IM semanal por 3 semanas. Também é juridicamente errada a ideia de considerar o tratamento adequado com base apenas em futura queda do VDRL, pois a adequação depende do esquema completo para a fase clínica.
B
Certa
A alternativa B aplica o esquema correto para gestante com sífilis sem definição segura de infecção recente: benzilpenicilina benzatina 2,4 milhões UI IM por semana durante 3 semanas, totalizando 7,2 milhões UI. A base também afirma, em página oficial do Ministério da Saúde, que “A penicilina benzatina é o medicamento de escolha para o tratamento de sífilis, sendo o único com eficácia documentada durante a gestação. Recomenda-se tratamento imediato de gestantes após somente um teste reagente para sífilis (teste treponêmico ou teste não treponêmico). O tratamento adequado durante a gestação é o tratamento completo para o estágio clínico de sífilis com benzilpenicilina benzatina, iniciado até 30 dias antes do parto.” Além disso, a parceria sexual deve ser avaliada e tratada simultaneamente para evitar reinfecção, o que a alternativa também contempla. A referência a ultrassom fetal semanal não é o fundamento decisivo do acerto, mas não afasta a correção da alternativa, cujo núcleo está no esquema penicilínico correto e no manejo simultâneo do parceiro.
C
Errada
Incorreta porque substitui a penicilina por doxiciclina, e a base afirma literalmente que “A penicilina benzatina é o medicamento de escolha para o tratamento de sífilis, sendo o único com eficácia documentada durante a gestação” e que “Qualquer outro tratamento realizado durante a gestação é considerado tratamento não adequado.” Além disso, a dispensa do tratamento do parceiro por ausência de sintomas contraria a orientação oficial de avaliação e tratamento simultâneo da parceria sexual.
D
Errada
Incorreta porque cria requisito inexistente: punção de líquido amniótico e comprovação de acometimento fetal antes do início do tratamento. A base afirma que o tratamento da gestante deve ser imediato após teste reagente e que a ausência de achados ultrassonográficos fetais não afasta o risco de transmissão vertical nem condiciona o início da terapêutica. Exame invasivo fetal não é pressuposto para tratar sífilis materna.
E
Errada
Incorreta porque usa ceftriaxona em lugar de penicilina, apesar de a base estabelecer que, na gestação, apenas a benzilpenicilina benzatina constitui tratamento adequado para prevenção da sífilis congênita. Também erra ao dispensar o tratamento do parceiro assintomático, em confronto com a orientação oficial de avaliação e tratamento simultâneo da parceria sexual para evitar reinfecção e para caracterização de tratamento adequado nas rotinas do Ministério da Saúde.
Pegadinha da questão
A banca explorou a confusão entre sífilis diagnosticada agora e sífilis recente. Como não há sinais clínicos nem dado seguro de infecção há menos de 1 ano, não cabe dose única; aplica-se o esquema de sífilis latente tardia ou de duração ignorada, com 3 doses de penicilina benzatina.
Dica para questões semelhantes
  • Se a gestante tem teste reagente, sem tratamento prévio e sem elementos seguros de sífilis recente, trate como latente tardia ou duração ignorada: 2,4 milhões UI IM por 3 semanas.
  • Na gestação, descarte como inadequado qualquer esquema que não use penicilina benzatina.
  • Não condicione o tratamento materno à presença de sintomas, a achados ultrassonográficos fetais ou a exame invasivo.
  • Verifique sempre se a alternativa inclui avaliação e tratamento simultâneo do parceiro sexual.

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Comentários

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Tratamento adequado: Dose correta + Diminuição do VDRL 2 titulações em 3 meses + Início do tratamento 30 dias antes do parto.

Alternativa B; Considerar tratamento adequado "apenas se", desconfio

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