Paciente de 52 anos, pós-menopausa, submetida a mamografia ...

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Q3792381 Medicina
Paciente de 52 anos, pós-menopausa, submetida a mamografia de rastreamento que evidenciou microcalcificações agrupadas em mama esquerda com 4,5 cm de extensão, BI-RADS 4C. Realizada biópsia percutânea guiada por estereotaxia, com retirada de 12 fragmentos. Resultado anatomopatológico: carcinoma ductal in situ (CDIS) grau nuclear alto, comedocarcinoma. Ausência de componente invasor. Imuno-histoquímica: RE positivo 90%, RP positivo 70%, HER2 negativo, Ki-67 35%. Ressonância magnética de mamas: área de realce não-massa segmentar de 4,0 cm em QSL de mama esquerda, sem outras lesões. Mama contralateral sem alterações. Paciente ansiosa, questiona sobre risco de recidiva e necessidade de retirada total da mama. Considerando o diagnóstico, extensão da lesão e fatores prognósticos, qual a melhor conduta terapêutica?
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: A

Fundamento decisivo: O caso descreve CDIS sem componente invasor, porém extenso e de alto grau, com comedocarcinoma e receptores hormonais positivos. Nessa situação, o problema central é controle local, e a base sustenta cirurgia conservadora com margem negativa de 2 mm associada à radioterapia adjuvante; a positividade para RE/RP permite hormonioterapia. Por isso, entre as alternativas, a A é a que melhor se alinha ao manejo indicado.

Tema central: CDIS extenso
Análise das alternativas
A
Certa
A alternativa A reúne os elementos compatíveis com a base para este cenário: cirurgia conservadora para lesão segmentar sem multicentricidade demonstrada, margem de 2 mm como suficiente no CDIS quando haverá radioterapia, radioterapia adjuvante pela maior chance de recorrência local e hormonioterapia pela positividade hormonal. O ponto controverso é a pesquisa de linfonodo sentinela, que não é rotina no CDIS tratado com cirurgia conservadora; ainda assim, a base admite sua consideração pela extensão da lesão, alto grau e risco de invasão oculta subestimada na biópsia percutânea.
B
Errada
Erra no critério de margem. Para CDIS tratado com cirurgia conservadora e radioterapia, margem negativa de 2 mm é suficiente; exigir 1 cm não tem respaldo como padrão atual. Além disso, a exclusão categórica de abordagem axilar fica menos defensável diante da possibilidade de invasão oculta em lesão extensa e de alto grau.
C
Errada
Mastectomia pode ser opção em CDIS extenso, mas não é a melhor conduta obrigatória aqui, porque o enunciado descreve lesão segmentar, unilateral e potencialmente passível de cirurgia conservadora. Além disso, se a via escolhida fosse mastectomia, a ausência de linfonodo sentinela seria inadequada tecnicamente, já que a pesquisa fica inviável depois da mastectomia se houver invasão oculta na peça.
D
Errada
É mais coerente que a C quanto ao linfonodo sentinela na mastectomia, mas falha ao tomar a mastectomia como melhor conduta sem elemento obrigatório no enunciado. A base deixa claro que alto grau e extensão de 4 a 4,5 cm não determinam mastectomia em toda paciente; na ausência de multicentricidade ou inviabilidade técnica/cosmética explicitada, a cirurgia conservadora com radioterapia continua sendo opção válida.
E
Errada
Está errada porque reclassifica indevidamente o caso como baixo risco e omite radioterapia. O enunciado traz alto grau nuclear, comedocarcinoma e extensão de cerca de 4 a 4,5 cm, fatores que sustentam maior risco de recorrência local e tornam inadequada a omissão de radioterapia após cirurgia conservadora. A hormonioterapia não substitui o tratamento local indicado.
Pegadinha da questão
A banca explorou duas confusões reais: tratar todo CDIS como baixo risco apenas por ser in situ e exigir margens excessivas como se 1 cm fosse padrão, além de inserir a controvérsia do linfonodo sentinela em cirurgia conservadora para induzir erro.
Dica para questões semelhantes
  • Em CDIS, primeiro defina se o problema é controle local: ausência de invasão afasta indicação rotineira de axila e torna cirurgia local + radioterapia o eixo da decisão.
  • Se houver cirurgia conservadora com radioterapia, use como referência margem negativa de 2 mm; margens maiores não são exigência padrão.
  • Alto grau, comedonecrose e maior extensão afastam perfil de baixo risco e tornam inadequada a omissão de radioterapia.
  • Linfonodo sentinela no CDIS não é rotina, mas deve ser lembrado quando houver mastectomia ou suspeita maior de invasão oculta.

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