A narrativa apresenta um enredo subjetivo, marcado por elem...

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Q4036642 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.

E a onda levou...

Paralisado na areia da praia, Pedro Rocha sentiu a mente tomada por lembranças e inquietações enquanto caminhava, sem perceber, em direção ao mar. A luz do crepúsculo refletida na água parecia formar um caminho que o conduzia a um lugar de paz, como se alguém o chamasse de longe. Diante daquela imensidão, suas pegadas eram os únicos sinais de sua existência.

Ao tocar as ondas, lágrimas se misturaram à água salgada enquanto tentava afastar pensamentos angustiantes. Deixou-se levar pela correnteza, afastando-se da orla sem se dar conta de que, sozinho, não poderia retornar. Durante alguns instantes, experimentou uma sensação de alívio, ouvindo apenas o mar, o vento e as gaivotas — até que a calmaria se desfez.

O mar tornou-se turbulento, e Pedro foi dominado pela força das ondas, como se seus próprios medos o empurrassem para baixo. Lembrou-se da família e percebeu o absurdo de sua fuga, mas já não conseguia lutar. Quando enfim se deixou submergir, viu ao redor a vida marinha em contraste com o arrependimento que o assolava — até sentir novamente a firmeza da areia sob o corpo.

Alguns turistas o encontraram adormecido próximo à maré, e Pedro despertou assustado, percebendo que jamais saíra da orla: tudo não passara de um sonho carregado de conflitos. Levantou-se em silêncio e caminhou até o carro, certo de que aquela experiência — real ou imaginada — significava uma nova chance. Ao ligar o motor, retomou sua rotina com outros olhos, entendendo que o mar não era o lugar para descarregar suas dores.

Texto Adaptado

LIMA, Erickaline Bezerra de. E a onda levou... Disponível em: https://repositorio.ufrn.br/server/api/core/bitstreams/1d8f32b3-734e-401 a-85d8-69f95fa8be05/content . Acesso em: 21 nov. 2025.
A narrativa apresenta um enredo subjetivo, marcado por elementos simbólicos e introspectivos, que acompanham o estado emocional do protagonista. Considerando a relação entre os acontecimentos descritos e o processo de transformação do personagem, assinale a alternativa que apresenta a leitura adequada e coerente com o desenvolvimento da história.
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: A

Fundamento decisivo: O critério decisivo é a leitura global do desfecho em articulação com o caráter subjetivo e simbólico indicado no comando. O trecho "percebendo que jamais saíra da orla: tudo não passara de um sonho carregado de conflitos. Levantou-se em silêncio e caminhou até o carro, certo de que aquela experiência — real ou imaginada — significava uma nova chance. Ao ligar o motor, retomou sua rotina com outros olhos" mostra que o núcleo dramático foi onírico e que produziu transformação interior, o que conduz à alternativa A.

Tema central: sonho e transformação
Análise das alternativas
A
Certa
A alternativa A sintetiza corretamente a função do sonho no enredo. O texto não trata o sonho como episódio irrelevante: ele encena a crise emocional de Pedro e leva a uma ressignificação da própria vida. Isso fica explícito quando o narrador afirma que a experiência significava "uma nova chance" e que Pedro retomou a rotina "com outros olhos". Portanto, a leitura adequada é a de uma crise existencial representada simbolicamente e superada por uma mudança de perspectiva.
B
Errada
A alternativa erra por impor uma leitura literal ao que o texto constrói como experiência subjetiva. A turbulência do mar não aparece como simples fenômeno climático autônomo; o próprio texto a vincula ao conflito interno de Pedro em "como se seus próprios medos o empurrassem para baixo". Além disso, o desfecho informa que ele "jamais saíra da orla", o que invalida a interpretação de afastamento real causado por evento climático.
C
Errada
A alternativa contradiz diretamente o desfecho. O texto afirma que Pedro "jamais saíra da orla" e que "tudo não passara de um sonho carregado de conflitos", portanto não houve afogamento físico real nem resgate de turistas no mar. Também é incorreta a afirmação de ausência de reflexão, porque o final explicita mudança interna em "uma nova chance" e "com outros olhos".
D
Errada
A alternativa é excluída porque nega uma transformação que o texto afirma de modo expresso. O fato de Pedro despertar assustado não significa permanência no mesmo estado interior. O narrador registra que a experiência significava "uma nova chance" e que ele retomou a rotina "com outros olhos", marcas textuais claras de aprendizado e alteração de perspectiva.
Pegadinha da questão
A banca explora a tendência de ler literalmente a cena do afogamento e de ignorar a revelação final de que se trata de um sonho simbólico, além de fazer alguns candidatos desconsiderarem os marcadores explícitos de mudança interna do personagem.
Dica para questões semelhantes
  • Quando o comando já informa que a narrativa é subjetiva e simbólica, elimine alternativas que reduzam os acontecimentos a descrição puramente literal.
  • Em interpretação global, o desfecho tem peso decisivo: aqui, "tudo não passara de um sonho" redefine o que veio antes.
  • Procure marcadores explícitos de transformação do personagem, como "nova chance" e "com outros olhos", antes de aceitar alternativas que neguem aprendizado.
  • Se uma imagem externa aparece ligada ao estado psíquico do personagem, como em "seus próprios medos", leia o elemento concreto também em chave simbólica.

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