Mulher de 47 anos apresenta dor epigástrica intensa irradiad...

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Q3918107 Medicina
Mulher de 47 anos apresenta dor epigástrica intensa irradiada para dorso, náuseas e vômitos. Amilase e lipase estão elevadas (>3x o normal). Ultrassonografia abdominal não evidencia cálculos biliares. BT = 3,8 mg/dL, FA e GGT elevadas. Qual exame é mais indicado para esclarecer a etiologia? 
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: C

Fundamento decisivo: Pancreatite aguda confirmada por dor típica e enzimas pancreáticas >3x, associada a padrão colestático (BT, FA e GGT elevadas) e ultrassonografia sem cálculos, sugere coledocolitíase/obstrução biliar oculta; nesses casos, a investigação deve ser feita por método não invasivo da via biliar, o que favorece a colangiorressonância e afasta CPRE diagnóstica como primeira escolha.

Tema central: Pancreatite aguda biliar
Análise das alternativas
A
Errada
Endoscopia digestiva alta não investiga a principal hipótese etiológica do caso. O problema a esclarecer é obstrução de via biliar em pancreatite aguda com colestase laboratorial, e não doença mucosa gastroduodenal. Dor epigástrica isoladamente poderia confundir, mas aqui há enzimas pancreáticas >3x e padrão biliar associado.
B
Errada
Tomografia com contraste pode ser útil para avaliar gravidade, necrose, complicações e alguns diagnósticos diferenciais da pancreatite, mas não é o melhor exame entre as alternativas para definir etiologia biliar oculta. Como a pergunta pede esclarecimento da causa diante de BT, FA e GGT elevadas, o estudo da árvore biliar por colangiorressonância é mais adequado.
C
Certa
A alternativa C está correta porque o quadro já confirma pancreatite aguda e aponta suspeita de origem biliar/obstrutiva pela hiperbilirrubinemia com FA e GGT elevadas. Como a ultrassonografia abdominal não evidenciou cálculos, isso não exclui coledocolitíase oculta; por isso, o exame mais indicado para esclarecer a etiologia é a colangiorressonância, que avalia a via biliar de forma não invasiva. A CPRE diagnóstica não é a primeira escolha nesse cenário, pois é invasiva e fica reservada sobretudo para situações em que haja necessidade de intervenção.
D
Errada
CPRE diagnóstica está errada porque, neste contexto, não é a primeira investigação para esclarecer etiologia. Trata-se de método invasivo, com risco de complicações, e seu papel clássico é preferencialmente terapêutico, reservado para suspeita forte de obstrução persistente, colangite ou necessidade de intervenção. O enunciado não traz dado que imponha desobstrução imediata.
E
Errada
Parasitológico de fezes não responde à hipótese principal levantada pelo caso. A combinação de pancreatite aguda confirmada com hiperbilirrubinemia e elevação de FA/GGT aponta para causa biliar/obstrutiva, sem elementos clínicos ou epidemiológicos que sustentem priorizar parasitose.
Pegadinha da questão
A banca explora duas confusões reais: achar que ultrassonografia sem cálculos exclui etiologia biliar e escolher CPRE por parecer exame mais definitivo, ignorando que, sem indicação terapêutica imediata, a investigação inicial deve ser não invasiva.
Dica para questões semelhantes
  • Em pancreatite aguda, diferencie exame para confirmar/estadiar da pancreatite de exame para esclarecer a etiologia.
  • Se BT, FA e GGT estiverem elevadas, pense em origem biliar obstrutiva mesmo com ultrassonografia negativa para cálculos.
  • Quando a suspeita é coledocolitíase oculta e a questão pede esclarecimento etiológico, priorize método de imagem não invasivo da via biliar.
  • Não marque CPRE como exame diagnóstico inicial sem sinal de necessidade intervencionista, como obstrução persistente ou colangite.

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